Um Toque de Morte, de Luiza Salazar, será publicado pela Draco


O que você faria se pudesse matar com um toque? Kat daria tudo para ter problemas normais. Ela queria se preocupar com todas aquelas coisas sobre as quais as pessoas discutem todos os dias nos trens, nos corredores das escolas, nas ruas.Mas sua mente só tem espaço para uma preocupação: quem vai ser sua próxima vítima. O livro Um Toque de Morte é a próxima obra da autora Luiza Salazar e será lançado pela Editora Draco.Kat é uma Ceifadora, o que significa que ela pode matar com um simples toque dos seus dedos, um “dom” que ela desejava todos os dias não possuir.   Mas quando dois estranhos aparecem na sua vida e viram seu mundo de cabeça para baixo, Kat começa a perceber que, embora ela não queira seus poderes, existem pessoas que dariam tudo para usá-los. Ou matá-la se falharem. 
 Luiza falou sobre suas influências e explica como elas ajudaram na criação do novo romance. Para ler toda a entrevista da Lu, basta clicar em Mais Informações
1. Fronteiras do Universo – Philip Pullman
Série Fronteiras do Universo, de Phillip Pullman
Luiza Salazar: Fronteiras do Universo é a série do autor inglês Philip Pullman, que acompanha a jornada de Lyra Belaqua, uma órfã que descobre um fabuloso instrumento conhecido como o Aletiômetro, que a leva em uma jornada por diversos universos.
Esse livro mudou a minha visão de livros de fantasia de uma forma diferente de Senhor dos Anéis (falo sobre isso depois). Se alguém me dissesse que existia um livro que misturava Física, Bruxas, Ursos Polares de armadura e anjos eu diria que devia ser uma salada que não tinha como ficar boa. Exceto nas mãos hábeis e ultra originais de Philip Pullman.
O livro é de aventura, mas isso não quer dizer que não tenha sua dose de profundidade. A questão central é a eterna luta entra Religião e Ciência, mas de foram tão sutil, que mal dá pra perceber. O livro não tem um vilão claro, o que não só é difícil como deixa a história muito mais interessante.
Draco: É assim que você escreve os seus vilões?
LS: Eu acho que nunca conseguiria escrever um vilão tão bem quanto o Pullman, mas para mim é importante criar antagonistas. O antagonista não é necessariamente uma pessoa ruim, cruel. Ele só é uma pessoa que vai contra o protagonista, no caso de Um Toque de Morte, a Kat. Uma autora certa vez disse que todo personagem se acha seu próprio herói. Ninguém acorda de manhã pensando “Como vou ser mau hoje?” e isso especialmente é verdade em Um Toque de Morte. Cada um defende o que acha que é certo, o que vai beneficiar mais a cada um.

2. O Senhor dos Anéis – J.R.R. Tolkien
O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien
LS: A mudança que Tolkien provocou na minha vida não pode ser descrita em palavras. Ele me mostrou com Senhor dos Anéis que histórias fantásticas poderiam ser escritas para um público mais velho – coisa que as pessoas ainda não entendem
A mudança que Tolkien provocou na minha vida não pode ser descrita em palavras. Ele me mostrou com Senhor dos Anéis que histórias fantásticas poderiam ser escritas para um público mais velho – coisa que as pessoas ainda não entendem – e isso me fez querer escrever minhas próprias histórias.
O que atrai em Senhor dos Aneis é a complexidade dos personagens e o fato de ser uma jornada épica. O arco de evolução de cada um é muito bem trabalhado e, além de tudo, é uma historia interessante por si só, com dilemas morais simbolizados pelo Anel do Poder, um símbolo da ambição humana.
Draco: E qual é a semelhança que você vê entre um livro como Senhor dos Anéis e Um Toque de Morte?
LS: Acima de tudo, a série do Tolkien é sobre escolhas, as escolhas que as pessoas consideram certas ou erradas, coisas que são movidas pelos seus instintos e seus interesses. Para mim, certas coisas são inerentes a natureza humana. Ambição, inveja, amor, são coisas que todos temos dentro de nós. E nada é mais comum nas pessoas do que o medo do desconhecido. Acredito que isso esteja presente em Um Toque de Morte justamente por isso: não existe nada mais desconhecido e, por consequência, assustador, do que a morte. Acho que um indivíduo que pudesse controlar essa faceta da existência humana seria tão venerado quanto temido.
3. Peixe Grande – Tim Burton
Peixe Grande, dirigido por Tim Burton
LS: Peixe Grande, filme que fala da relação problemática entre um pai cheio de imaginação e um filho com quase nenhuma, também foi outro marco na minha vida e na minha carreira criativa. Eu sempre amei ouvir histórias, desde contos de fada a histórias de terror. Depois de um tempo, eu percebi que a única coisa que poderia se igualar a ler ou ouvir uma boa história era contar uma eu mesma. Poder inventar, criar desfechos, desenhar personagens com palavras, é uma experiência que não tem preço.
Draco: Falando em criação, como foi criar Kat?
LS: Quando eu era mais nova e li pela primeira vez um quadrinho de X-Men, eu me senti torturada pela personagem da Vampira. Como deveria ser, ter tanto poder, mas não ser capaz de ficar perto de outra pessoa? Não poder ser abraçada ou se sentir atraída por alguém, não receber carinho, nem mesmo de pais ou familiares? Apesar de todas as desvantagens emocionais, a Vampira sempre foi uma personagem forte, cheia de energia. E eu acho que Kat é parecida com essa dessa maneira. Ela tem um dom que a atormenta, mas aceitou que não pode mudar sua realidade e precisa achar um jeito de viver com isso. Ainda que não seja o mais nobre.
4. As Aventuras de Tintin – Hergé
Tintin, o repórter aventureiro e seu cachorro, Milu: criações do belga Hergé
LS: Eu leio os quadrinhos de Tintin desde que sou pequena. Tenho algums que foram passados para mim pelo meu pai. Acho que, em parte, Tintin seja até responsável por eu ter feito jornalismo! Hahhahaha. Não existe no mundo aventureiro mais sensacional (talvez Indiana Jones) do que Tintin. Não sei se ele influenciou diretamente minha escrita, mas certamente me tornou mais apaixonada por histórias de aventura.
Draco: Você diria que Um Toque de Morte pode ser considerado aventura?
LS: Independente do gênero, gosto de pensar que todas as minhas histórias tem algo de aventureiro nelas. Não acho que o livro seria classificado como aventura, mas francamente não vejo muito sentido em classificação das coisas. Um livro pode ser terror, romance e ficção científica ao mesmo tempo, então porque reduzir uma obra a determinado estilo?
5. O Livro do Cemitério – Neil Gaiman
O Livro do Cemitério, de Neil Gaiman. Ilustração de Dave Mckean
LS: Sou uma grande fã de Neil Gaiman, desde Sandman a Stardust. Já li quase tudo que ele escreveu, assisti os filmes que ele produziu, eu o considero um mestre em tudo que faz – e ele faz bastante coisa. O Livro do Cemitério tem um apelo particular para mim, justamente porque fala sobre a morte. Sei que parece um pouco mórbido dizer que a morte tem um apelo tão grande sobre mim, mas acredito que o mistério que cerca o fim da vida seja o palco perfeito para lindas histórias. Como acontece com esse livro, a história de um garoto, Ninguém Owens, que é criado por habitantes de um cemitério depois do assassinato brutal da sua família. A narrativa é linda, sobre o autodescobrimento de um rapaz, mesmo nas circunstâncias mais inusitadas. Além disso, acho o estilo meio nonsense dele uma coisa única. Ninguém fala absurdos com tanto sentido quanto Neil Gaiman.
Draco: A Kat é tão fascinada pela morte quanto você?
LS: Acho super estranho dizer que eu sou fascinada com a morte, mas é verdade. Kat, pobrezinha, ela tem que ser, certo? Sua situação não permite que ela tenha muita escolha. Mas eu não acho que Um Toque de Morte seja necessariamente sobre a morte. Acredito que é mais sobre como uma jovem, com tantos outros problemas, precisa se aceitar como é e aprender a lidar com uma condição sobre a qual ninguém tem conselhos para dar. O tipo de coisa pela qual ninguém nunca passou. Ela sente medo e tem desejos como todos nós, mas com um obstáculo a mais para enfrentar.
Draco: Qual você acha que é o maior apelo de um assunto tão controverso quanto a morte?
LS: Já falamos da natureza humana e eu acho que um outro elemento importante em atrair as pessoas é a curiosidade. Não só de saber o que vai acontecer no próximo capítulo ou no próximo volume de uma série, mas de querer ler mais sobre um assunto que nos instiga, um assunto sobre o qual nós não conhecemos nada. Eu gosto de inventar coisas e eu acho que as pessoas gostam de ler coisas inventadas. Eu sei que eu adoro!
Também tenho um segredinho: acho que o mundo dos mortos (ao menos das muitas maneiras em que eu o vejo) é um banquete visual. Podemos fazer dele o que quisermos, de um belo jardim colorido a um descampado árido e acinzentado. Não se pode comprar esse tipo de liberdade criativa.