[Resenhe] Meus Melhores Rascunhos | Christine M.

  "Eu sempre li. Não consigo ter memória do tempo em que as letras nada mais eram do que símbolos obscuros. Em minha cabeça ou, mais provavelmente, na minha alma mora a ilusão verdadeira de que nasci lendo."   - Falemos de Amor, pág. 48
  Conheci a talentosa  Christine M. ao ler Sob a Luz dos Seus Olhos no inicio de 2012. Me apaixone pelo livro, pela história e pela  escrita simples e encantadora da autora. Começamos a conversar, Chris escreveu um texto para o blog intitulado "Só Pra Mari" com eu-lírico masculino. Nem preciso dizer que fiquei super feliz ao ver que não era um texto como os outros, era um texto sobre mim e para mim. Mais feliz ainda, fiquei ao saber que o lançamento do livro Meus Melhores Rascunhos, que contém uma coletânea de textos dos 10 últimos anos da autora, seria aqui no Rio e que o texto que foi escrito só para mim, agora faria parte do livro e seria de todos.

   Em Meus Melhores Rascunhos podemos conhecer mais sobre Christine M. Conhecemos seus pensamentos, suas teorias e um pouco de sua história. Em cada texto ela nos faz refletir sobre determinado assunto e nos transmite todos seus pensamentos com clareza  É como se ela escrevesse esse livro para que cada leitor pudesse se identificar com algum de seus textos e pensasse: Ela me entende.
 "[...] leio o que me der na telha. Não defino um livro pela quantidade de exemplares que vendeu, pelo nome que assina a capa ou pela opinião alheia. Mesmo porque, se eu levasse, a última em consideração me sobrariam pouquíssimas opções"  - Falemos de Amor, pág. 49
  Não quero colocar muitas quotes aqui, mas não posso deixar de comentar sobre um dos meus textos preferidos, que é "Falemos de Amor", que fala um pouco sobre o que alguns pensam sobre histórias românticas. No texto, Chris escreve: "Acho engraçado quando me vêem lendo uma história de amor. Sempre tem uma sobrancelha se arqueia, um lado da boca que se estica em ironia e questionamento que pula para fora de tão indignado; porque raios alguém perderia tempo em ler algo tão meloso". Me identifiquei com essa parte porque nunca fui romântica, mas sempre gostei de uma história de amor (há quem me entenda..) e sempre que leio algum livro que tenha um título romântico, algum amigo sempre pergunta: "Você lendo isso?". Acho que eles ainda não se acostumaram com o fato de que a literatura nos envolve tanto, a ponto de nos fazer ler tudo o que der na telha e é justamente sobre isso que Chris fala nesse texto. Sobre o "preconceito" que existe com o romance, e foi a frase final que me fez refletir ainda mais: "A literatura é livre de preconceito, que nós aprendamos também a ser."

  E quando eu penso que a Christine já escreveu tudo que ela podia escrever para me emocionar, ela me surpreende ainda mais. Os três últimos textos são emocionantes, cada um com seu significado. O primeiro por ser um agradecimento e mostrar o valor da amizade; o segundo por mostrar o lado leitora de Chris; e o terceiro por ser o que mais demonstra o que falei no inicio dessa resenha: a autora falando diretamente só com você. Confesso que ao ler o último capítulo uma lágrima rolou de meus olhos. Quando me despedi de Chris aqui no Rio me emocionei, e na manhã do dia seguinte, ao terminar de ler o livro, deixei uma lágrima solta por causa da saudade.

  Chris se tornou muito especial, e quero que ela saiba que sendo escritora, ou não (prefiro que continue sendo e me emocionando com suas palavras) estarei apoiando-a e afirmando: VOCÊ VAI LONGE!
  "[...] acredito que não podemos esquecer que é tempo de morangos, que é preciso dizer sim para que as coisas aconteçam e que só se aproximando com humildade da coisa é que ela não escapa totalmente."    - Como conheci a moça que escolheu se chamar Clarice, pág. 117