Papo Literário: Edson Gomes



O Papo Literário de hoje é com o nosso autor parceiro Edson Gomes. Ele vai falar um pouco sobre seus dois primeiros livro e o seu mais novo lançamento, publicado pela Dracaena: Psíquico.

ML- De onde surgiu a vontade de ser escritor?
EG- Tudo começou quando li pela primeira vez um livro, que iria mudar completamente a minha vida. Ele se chamava A Ilha Perdida de Maria José Dupré. O livro pertencia a uma série de livros nacionais chamada Vaga Lume. A história me envolveu de tal maneira, que o li quatro vezes. Foi uma paixão arrebatadora. O enredo, os diálogos, os personagens, tudo era muito bem feito. Então, eu disse a mim mesmo que iria escrever um livro tão bom, ou melhor do que aquele. E aos 11 anos comecei a escrever minhas próprias histórias em blocos de papel pardo, que sobravam dos moldes de costura de minha mãe. Naquela época, caderno só se usava na escola.

ML- No evento do grupo Fantastiverso você falou sobre Psíquico e fiquei muito curiosa para ler. O que nós podemos esperar dele?
EG- É uma história como outra qualquer. Não é um livro doutrinário. Não é um livro psicografado. É a história de um homem, que depois de muito tempo, descobriu que era um poderoso médium. O espírito desencarnado chamado Guilherme pede a ajuda do personagem principal, que é o Rafael Duarte, a solucionar um assassinato disfarçado em acidente. Por trás desta investigação, Rafael descobre que está envolvido em uma conspiração macabra até o pescoço. Se ele não tomar cuidado, pode ser a próxima vítima mortal.
É uma leitura leve, as vezes até engraçada, que conduz o leitor numa naturalidade de acontecimentos junto com o Rafael. Eu digo que o leitor não irá ler Psíquico, ele irá assistir Psíquico. Os personagens se movimentam na história, que até parece que você pode "vê-los".

ML- Como foi o processo de escrita de Psíquico? Demorou muito tempo para escrever e ter ideias ou quando começou já tinha a história totalmente construída? 
EG- A primeira versão foi escrita em 2009 e levei 8 meses para escrevê-lo. Tinha outro título: Testemunha Psíquica. Não tinha prólogo, que foi escrito em 2011. Andei lendo alguns livros de agentes literários americanos referentes a montagens de best sellers e resolvi mudar quase tudo na estrutura da obra. A começar pelo nome, ele era restrito ao personagem principal, já Psíquico abrange os outros personagens também nesta situação mediúnica. Como disse antes, escrevi o prólogo, porque achei a abertura do primeiro capítulo muito fraca para "agarrar" o leitor e praticamente rescrevi cenas e diálogos, linha por linha e parágrafos por parágrafos. Joguei fora mais de 50 laudas. Lapidei e enxuguei o texto ao máximo. O li cinco vezes. Tudo isso em 11 meses.
Sobre, o ter a ideia já formada na cabeça, a resposta é sim. Como eu fiz três cursos de roteiro para tevê e cinema, aprendi a ter um resumo na cabeça, juntamente com o clímax da mesma. Só tive o trabalho de preencher as lacunas que faltavam, para que a história ficasse "de pé" e andasse.   

ML- O livro fala sobre mediunidade. Você fez um workshop, ou teve experiências relacionadas a isso para escrever o livro?
EG- Eu, como católico, não sabia muita coisa sobre a paranormalidade e mediunidade. Porém, eu conheci umas senhoras espíritas muito distintas há uns 15 anos. Elas foram de grande ajuda no meu processo de criação do livro. Eu sou tão chegado a elas, que as considero como minhas tias. Houve momentos de conversarmos sobre este assunto por 4 ou 5 horas seguidas em um fim de semana. A filha de uma delas, me disse quais livros deveria ler, para que eu pudesse ter uma base na construção do personagem. Mas, informo a todos de antemão, que nem tudo que acontontece com Rafael é totalmente real. Eu também dei uma exagerada em certas partes da história, para ficar um pouco mais fantasioso e chamativo. Detalhe: eu as coloquei como personagens no início do livro e novamente no final do livro com o seus verdadeiros nomes, como forma de homenagem pelo carinho que tiveram comigo.  


ML- No skoob vi que você tem outros dois livros. Pode nos falar um pouco deles?
EG- O primeiro é Yin & Yang - A Batalha do Opostos. Este livro eu o escrevi em 45 dias as 211 páginas. Tinha a história toda em minha cabeça e precisava colocá-la para fora o mais rapidamente possível, senão iria pirar. Quando tirei férias da empresa a qual trabalhava, tratei logo de escrever usando todas as horas que tinha disponível. Me trancafiei no quarto e trabalhei até a exaustão. É uma história sobre as duas forças que regem o universo e um deles, o de indole mau, fugiu querendo dominar o nosso mundo. Eles vem para cá e começa a confusão. Para escrever este livro, eu li algo dos livros das mutações: I Ching. Yin e & Yang foi lançado na Bienal Internacional do Rio de Janeiro em 1999.
O segundo é O Ultimo Lampejo do Crepúsculo - Uma Viagem ao Subconsciente. Este livro foi criado, por causa de minha tia, que chegou em casa contando para minha mãe, que havia feito regressão, para curar um trauma do passado. Então, como sempre, eu utilizo a minha fatídica pergunta de criação: E se ela tivesse ficada presa no subconsciente? Quem iria buscá-la? Foi daí que o enredo foi criado. A filha do ministro da justiça fica presa no subconsciente depois de um choque emocional no casamento, e faz regressão por conta própria. O pai dela roda o mundo a procura de uma cura, mas somente um homem podia fazer isso, o Doutor Felipe Abraão Couto, com o seu método de fazer duas pessoas se encontrar em um mesmo subconsciente usando o Regressão Programada a Dois. Pela numerologia, o doutor sabe se uma pessoa viveu com outra em um passado distante. O doutor encontra a pessoa que pode salvar a moça, mas tinha um detalhe, o salvador dela era um assassino que compria pena na prisão estadual.

ML- Tem algum livro que ficou "guardado na gaveta"?
 EG- Tenho um que está esperando a hora de sair, se chama O Discipulo do Criador(título provisório). Ele era para sair antes de Psíquico, mas depois da escolha de uma amiga, o outro vai ficar um pouco mais no estaleiro.


ML- Você possui novos projetos em mente?
EG- Estou escrevendo uma nova obra atualmente e se chama: Um homem de Palavra (título provisório). Eu posso dizer, que já passei da metade do livro e estou na reta final.


ML- A busca por uma editora para a publicação foi muito difícil?
EG- Como qualquer escritor iniciante, eu recebi uma caixa cheia de "nãos". Então, resolvi me especializar na criação de histórias. Procurei cursos do gênero, mas só encontrei para roteiros de tevê e cinema. Fiz mesmo assim. 
A primeira editora que aceitou meus textos, foram por antologias. Quer dizer, os meus primeiros textos aceitos foram contos e crônicas. Na Bienal do Rio de 1995, uma editora queria novos autores para lançamento de um livro por cooperativa. Quem fosse publicado, contribuia com um valor X para a confecção do livro. Eu mandei meu texto, sem muita esperança. Depois eu tive a confirmação e em 1995 eu tive três páginas minhas em um livro. O mesmo aconteceu em 1996,1997,1998 e em 1999 eu lancei meu primeiro livro solo. As coisas eram muito ruins nesta época, porque a internet engatinhava e nem sonhávamos em ter rede sociais. Parei, esperei, me formei em jornalismo e em 2009, dez anos depois do primeiro lançamento, lancei o segundo livro, mas também não me agradou muito. Em 2011 mandei para Dracaena o original de Psíquico e em 17 dias tinha sido aceito. Fiquei muitos anos nesta luta e ainda estou.


ML- Se pudesse escolher a opinião de alguém sobre seus livros, quem seria e por que?
EG- Minha mãe. Quando não gosta de alguma coisa, pode ser de mim, ou de meus outros dois irmãos, ela diz sem rodeios. Eu tenho o hábito de contar a sinopse de um livro que estou escrevendo e espero a reação dela. Gosto muito da sensibilidade dela. 

ML- Deixe um recado para os leitores do blog e para os que irão ler seu livro:
EG- Primeiro quero agradecer a você Mariana a oportunidade de contar os bastidores de minhas obras. Agradecer também aos leitores do blog, por terem chegado até aqui pacientemente na leitura deste post, depois de um "calhamaço", que foram minhas respostas. E ao leitores, que pretendem ler Psíquico, eu garanto que vocês terão momentos agradáveis com os meus personagens. Escrevi pensando em vocês, podem ter certeza disto. 

RAPIDINHAS:
Um nome: Deus
Um autor: Frederick Forsyth
Um livro: O Dia do Chacal
Um lugar: O meu lar
Um medo: De morrer sem realizar todos os meus sonhos.
Eu adoro: Viver cercado de amigos.
Eu odeio: Deixei de odiar há muito tempo.
Uma frase: "Não tente consertar o mundo, pois você não foi criado para isso!" (meu pai)


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Edson, muito obrigada por nos conceder a entrevista e se tornar nosso parceiro!
Espero que todos tenham gostado, e fiquem de olho no blog que em breve tem resenha de Psíquico.