[Resenha] A Culpa é das Estrelas | John Green

“_Vai chegar um dia – eu disse – em que todos vamos estar mortos. Todos nós. Vai chegar um dia em que não vai sobrar nenhum ser humano sequer para lembrar que alguém já existiu ou que nossa espécie fez qualquer coisa nesse mundo. Não vai sobrar ninguém para se lembrar de Aristóteles ou de Cleópatra, quanto mais de você. Tudo o que fizemos, construímos, escrevemos, pensamos e descobrimos vai ser esquecido e tudo isso aqui – fiz um gesto abrangente – vai ter sido inútil. Pode ser que esse dia chegue logo e pode ser que demore milhões de anos, mas, mesmo que o mundo sobreviva a uma explosão do Sol, não vamos viver para sempre. (…) Se a inevitabilidade do esquecimento humano preocupa você, sugiro que deixe esse assunto para lá.”

Quando A Culpa é das Estrelas foi publicado, logo começaram a sair inúmeras resenhas e críticas à respeito e além de ter achado a capa linda, fiquei super curiosa para ler aquele livro com o qual todos estavam se emocionando e chorando junto. Agora adivinhem? Não é que eu chorei? E a verdade é que não sei como vou escrever essa resenha e tentar passar um terço da emoção que senti ao conhecer a estória de Hazel e Agustus, que me fez repensar várias coisas na minha vida e me fez sentir um pouco ''órfã'' de Hazel ao terminar a leitura.

  Gostei da forma com que John nos mostra o outro lado do câncer. Estamos acostumados a ver a luta das pessoas para sobreviver, para ter uma vida melhor e John nos apresenta a Hazel Grace, que é uma  garota que tem câncer desde os 13 anos de idade e que frequenta um grupo de apoio ao câncer. Hazel apenas vive sua vida sem nem reclamar do câncer e é no grupo de apoio que ela conhece os amigos Isaac, que está prestes a ficar cego; e Augustus Waters, um garoto que tem uma prótese de perna devido ao seu osteosarcoma e o garoto que vai mudar a vida dela para sempre.

''- E como está se sentindo? - O Patrick perguntou.
  - Ah, maravilha - Augustus Waters deu um sorrisinho - Estou numa montanha-russa que só vai pra cima, amigão"

  Isaac acaba de perder a namorada, o que, na mina opinião, foi um modo de o autor nos mostrar como é a realidade: a namorada só larga ele quando ele fica cego, e isso mostra como as pessoas podem nos surpreender ao nos deixar de lado no momento no qual mais precisamos e também que podemos superar as perdas, já que mesmo depois de toda a dificuldade  Isaac continua sendo o mesmo brincalhão se sempre. Hazel começa a conhecer melhor o garoto charmoso e filosófico chamado Augustus. Adorei o jeito encantador dele e como ele usa as metáforas mais imprevisíveis, além de ser super divertido e de falar a verdade independente de hora ou local. 

''Eu estou apaixonado por você e não quero me negar ao simples prazer de compartilhar algo verdadeiro."

  Gus (como Augustus é chamado pela família e futuramente por Hazel), lhe apresenta o livro '' Uma Aflição Imperial'' que conta a estória de Anna, uma menina que também tem câncer, e a relação entre sua mãe e o Vendedor de Tulipas Holandês, e do hamster Sísifo. Ao terminar de ler o livro, Hazel fica indignada com o fato de seu livro preferido não ter um final, afinal, como era narrado em primeira pessoa, a menina morre e o livro fica sem uma continuação. Hazel não sabe o que acontece com os outros personagens e passa a querer conhecer o autor Peter Van Houten para tentar esclarecer todas as dúvidas que permaneciam. Foi exatamente assim que eu fiquei ao terminar A Culpa é das Estrelas: cheia de questionamentos, e com um desejo enorme de poder conversar com o autor para saber o que acontece com Hazel após a última página do livro. Não só com ela, como os demais  personagens. Acho que ao acrescentar essa ''relação'' de Hazel com o livro ele já estava nos preparando para o final.

  Gus e Hazel viajam com a mãe dela para encontrar Peter Van Hounten, e para a surpresa deles, ele (o autor) não é tão simpático como se mostrou nas cartas que trocaram. Na verdade, ele não era nem simpático. Mas não é isso que vai estragar a viagem dos dois. Eles visitam a casa de Anne Frank, dão o primeiro beijo, começam a namorar e nos apaixonam até a última página
''-Esse é o problema da dor - o Agustus disse, e aí olhou para mim - Ela precisa ser sentida."

  O desenrolar da trama é tão incrível e tão prazeroso de se ler que você se vê apaixonada pela obra, pelos personagens e pelo autor. Você acaba se apaixonando por Gus junto a Hazel e sente como se fosse ela. Você fica sem ar, você sente frio na barriga, sente a alegria, a tristeza, a aflição e principalmente, o amor que ela sente. Tentei não colocar tantos quotes, mas foi praticamente impossível já que 50% do meu livro está com scrapkbooks. Porém, coloquei aqui algumas que farão vocês sentirem um pouquinho da emoção que o livro transmite.

  A Culpa é das Estrelas realmente é um livro sobre a alegria e a tragédia de viver. Quando terminei de ler - ainda emocionada - o fechei, tirei o marcador de página, olhei para o livro fechado e me desmanchei em lágrimas. Quando minha mãe me viu chorando com o livro na mão me perguntou: Mariana, porque você tá chorando? E eu respondi, em meio ao riso e as lágrimas: A culpa é do John Green. Posso dizer que John escreveu um livro que vai fazer muita gente repensar na forma como age e como vive sua própria vida. Este livro entrou, sem dúvidas, para minha lista de favoritos pelo simples fato de me deixar tão feliz e agradecida por ter a oportunidade de conhecer Hazel e Augutus,  e me fazer querer compartilhar a estórias deles com todas as pessoas ao meu redor. Ele me fez crer que devemos aproveitar cada milésimo de segundo de nossa vida, pois a qualquer instante, ela pode mudar. E para sempre.

  ''Nada que é duradouro fica"