Papo Literário: Marcelo Amaral











  Na entrevista de hoje conheceremos um pouco mais sobre Marcelo Amaral um escritor e designer gráfico apaixonado por ilustração, quadrinhos e literatura. Marcelo nos fala um pouco sobre seus gostos e inspirações, e conta com um pouco sobre o processo de escrita de seu primeiro livro, Palladinum. Confiram:

Nos conte um pouco quem é Marcelo Amaral.
Olá, a todos que acompanham o Magia Literária! Fico muito feliz em poder falar para vocês um pouquinho sobre mim e sobre Palladinum.
Nasci em 1976, sou um designer gráfico apaixonado por ilustração, livros e quadrinhos. O meu sonho de me tornar um escritor nasceu de minhas tentativas de fazer histórias em quadrinhos quando garoto e também pela minha paixão por tudo ligado ao universo fantástico: HQs, livros, desenhos, jogos, filmes, séries… Minha infância nos anos 80 me permitiu viver talvez a produção cinematográfica, televisiva e literária mais fantástica de todas as gerações. Sou suspeito para julgar, é claro, mas sei que muitos da mesma idade que eu irão concordar. Quando eu escrevo tento colocar um pouco dessa nostalgia no texto.

De onde surgiu a ideia de escrever um livro? Demorou muito tempo desde o rascunho de Palladinum até seu momento de publicação? Foi difícil encontrar uma editora?
Palladinum nasceu de sonhos que tive, e até de alguns pesadelos. Não sonhei a trama em si, mas sempre ficava imaginando como seria se existisse esse outro mundo onde tudo fosse possível; um universo no qual entidades poderosas disputassem as mentes humanas para nos fazer o bem ou o mal através de nossos sonhos e pesadelos.
Levei 5 anos escrevendo e revisando o livro. Não demorei muito a encontrar uma editora interessada em publicá-lo, a Vermelho Marinho, que é focada em lançar autores nacionais. Fechado o contrato, foi mais 1 ano de trabalho entre revisão, capa e diagramação. Aproveitei esse tempo para produzir algumas ilustrações para o livro também.

Quando começou o processo de escrita de Palladinum você já tinha todos os personagens e a história montada, ou tudo foi surgindo com o tempo?
Apenas dois personagens existiam antes da história “surgir”: Piolho, o garoto engraçado que não gosta de tomar banho, e Pastilha, a menina determinada que vive doente. Eu os havia criado para um livro bem infantil, mas depois percebi que tinham potencial para algo maior, uma grande aventura.
Quando defini melhor a sinopse senti a necessidade de criar um grupo de personagens nos moldes daquelas turmas de jovens aventureiros criadas para livros, desenhos e filmes das décadas de 80 e 90 que eu adorava ler / assistir quando moleque. Foi assim que nasceram os demais integrantes da turma da Página Pirata: Pastilha, Piolho, Paçoca, Pimenta, Pinguim, Princesa e Peteca.
Os demais personagens surgiram já na sinopse: o diretor da escola, o professor legal, a professora chata, os pais dos jovens, os muitos personagens do mundo fantástico (aliados e inimigos). Porém a personalidade de cada um foi melhor definida durante a escrita.


Ao ler Palladinum pude perceber que esta é o tipo de história que possui jovens como público alvo, mas vai entreter leitores de todas as idades, tenho certeza. Você tinha como objetivo?
Sim, era exatamente esse o meu objetivo até porque eu adoro ler livros infanto-juvenis. Quando comecei a escrever o livro eu tinha 3 coisas em mente:
1 – Queria escrever um livro com o qual as pessoas fossem se identificar, tanto com os personagens quanto com situações. Os leitores jovens estão vivendo a mesma fase; os leitores adultos lembrarão da juventude com carinho;
2 – Queria escrever um livro que eu mesmo fosse gostar de ler;
3 – Queria escrever uma história que fosse como o roteiro de um filme da Pixar: algo que agrada e diverte as crianças mas que não esquece o público adulto em momento algum.

Qual o personagem que você mais gostou de escrever e por que?
Nossa, que pergunta difícil!
Eu acho que tenho muito apreço pela Pastilha e pelo Piolho, pois foram os primeiros que criei e por serem os mais parecidos comigo. Mas eu adoro o Pimenta! Ele foi um personagem que cresceu muito na história à medida que eu ia escrevendo. É um rapaz de origem humilde, batalhador e disposto a fazer de tudo pelos amigos. Acho que ele é o personagem que mais evolui durante a jornada narrada em Palladinum.

Mesmo com muitos personagens conseguimos "conhecer" cada um pela forma como falam e agem sem nem o menos ler de quem é a fala. Como foi o processo de desenvolvimento e criação de cada personagem? Cada um tem sua personalidade, tem algum que é mais especial para você?
Eu acho que já respondi parte da pergunta. =) Os mais especiais para mim são Pastilha, Piolho e Pimenta. Mas gosto de todos!
Fico muito feliz com esse retorno e tenho percebido que esse é um ponto que chama a atenção de todo mundo que lê o livro: essa intimidade com os personagens e a facilidade em identificar os diálogos de cada um. Isso foi bem difícil, pois são sete jovens protagonistas e eles falam muito entre si, o tempo todo! Aliás isso é um dos motivos do livro ter 460 páginas: a quantidade de diálogos. E é por causa deles também que a leitura flui muito rápido.
Eu tive que me policiar muito na hora de escrever cada diálogo, procurar me colocar no corpo de cada personagem, em cada situação. O jeito de falar, se fala certo ou se fala errado, se é sério ou irônico, se fala difícil ou se é mais informal. Foi um desafio muito gostoso.

Quando está escrevendo você gosta de estar sozinho, ouvir músicas...?
Sim! Puxa, como ajuda estar sozinho. Ouvir música só se for instrumental e tenha a ver com a cena. Até ajuda, viu? Apelo para trilhas sonoras de filmes, tenho várias!

O que você faz nos momentos no qual as ideias simplesmente desaparecem?
Eu gosto de desenhar cenas do livro. Isso acaba me ajudando a retomar o fio da meada. Se isso não resolver, vou tocar a vida: trabalhar, ler, fazer qualquer outra coisa. Quando sobra um tempo fico imaginando a cena na qual empaquei como se fosse um filme e daí surge a ideia para resolvê-la. Gosto muito de exercitar isso no ônibus ou no metrô.

Se pudesse escolher a opinião de algum escritor sobre seu livro, quem seria?
Olha, eu adoraria saber a opinião da J. K. Rowling. Ela é uma das culpadas por eu ter decidido escrever fantasia para jovens.

Além da sequência de Palladinum você possui novos projetos?
Sim, estou com um livro da turma da Página Pirata já pronto para ser publicado no ano que vem. Ele se passa inteiramente no colégio deles, porém um ano antes. A ideia é fazer uma coleção de livros mais curtos voltados a um público ainda mais jovem, mas que possa ser atraente também para o leitor adulto. E, claro, com muito bom humor.

Deixe um recado para os leitores do blog Magia Literária e para os que desejam ser escritores um dia.
Em primeiro lugar quero parabenizar a Mariana por seu blog e por sua presença constante e sempre muito animada em eventos literários. Acho que você e o blog estão fazendo um trabalho fantástico de divulgação dos autores nacionais. E é esse o recado que quero dar aos seus leitores: façam como a Mariana e descubram a literatura que está sendo produzida aqui no Brasil e ajudem a divulgá-la. Gostou de um livro? Recomende-o aos amigos e faça a sua parte para que a obra se torne mais conhecida.
Aos aspirantes a escritores digo o seguinte: tem que ter dedicação, disciplina e foco. Só assim para atingir seus sonhos! =)

RAPIDINHAS:
Um nome: Steven Spielberg
Uma qualidade: Bom humor
Um defeito: Perfeccionismo
Eu adoro: Desenhar
Eu odeio: Pessoas que se atrasam
Um sonho: Palladinum virar filme ou animação
Um autor: Michael Crichton
Um livro: A História Sem Fim
Uma frase: “Nunca se afaste de seus sonhos, pois se eles se forem, você continuará vivendo, mas terá deixado de existir" - Charles Chaplin.


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Marcelo, muito obrigada pela entrevista e por suas palavras!
Aos leitores, fiquem de olho, pois amanhã tem resenha de Palladinum mais sorteios aqui no blog!