O Pássaro | Samanta Holtz

  Estamos nos últimos dias do ano e eu não imaginaria que me emocionaria tanto com uma obra na altura do campeonato. O Pássaro me encantou já nas suas primeiras quarenta páginas e já fiquei impressionada com a maneira que seus personagens me encantaram.
"Ninguém se importa em saber a verdade, quando algumas pessoas já inventaram uma explicação conveniente o bastante"
  Em seu romance de estréia, Samanta Holtz nos apresenta a Caroline Montevieu, uma jovem que sonha com a liberdade. Em pleno século XIII, a menina se sentia escrava de seu pai, o barão Enézio Montevieu, um homem que como os outros de sua época, eram arrogantes e viviam de aparência. Caroline, ao contrário de sua mãe, Antonella; sua irmã, Elizabeth e das demais mulheres da época é teimosa, perseverante e corajosa. Ela enfrenta o pai de cabeça erguida e mesmo diante das barbaridades que ele faz, ela não desiste de ter sua sonhada liberdade.

  Caroline, quando criança, descobriu da forma mais bruta a realidade : nem todos tinham a mesma mordomia que ela e, ao contrário de seu pai, trabalhavam muito para sobreviver. Depois desse dia ela passou a olhar tudo com outros olhos, menos seu amigo de infância, Filip, que é um jovem tão rico quanto ela que é educado, gentil e seu melhor amigo. Filip acaba despertando um outro tipo de sentimentos em relação a menina. Sentimentos esses que não são recíprocos, mas que não os impedirá de seguir amigos.

  Já com dezessete anos, Caroline vem a conhecer Bernardo, um domador de cavalos das terras de seu pai e que com o tempo descobrirá que foi ele o menino que a alertou sobre a realidade de sua vida hà muitos anos atrás. Bernardo se tornou um homem de temperamento forte, porém muito charmoso. Os dois compartilham seus desejos: Caroline quer se ver livre das ordens de seu pai e  poder fazer o que quiser, já Bernardo, quer ser livre para virar um grande corredor de cavalos, como seu avô foi, e assim eles se vêem unidos pelo mesmo desejo: liberdade.
"Teve vontade de rugir de volta para o trovão que ameaçava os humanos, subir até ele e, lá de cima, roubar sua voz para gritar ao mundo que era livre."
  Não sei nem como começar a explicar como o livro me encantou. De primeira, o que mais me chamou a atenção do livro foi a capa. Comprei meu exemplar depois de conhecer a autora pessoalmente em outubro e só vim a lê-lo agora, em dezembro (o que me fez ficar um pouco arrependida por ter demorado tanto a conhecer essa belíssima obra). Foi o primeiro romance histórico que li e esse, com certeza, despertou meu interesse em ler outros.
  Fazia bastante tempo que um livro não me encantava nas suas primeiras 40 páginas e Samanta, com sua escrita impecável, me faz passar dois dias seguidos só lendo, comendo, lendo, tomando banho, lendo, lendo e lendo. Não encontrei nenhum erro gramatical no livro e a narrativa é totalmente envolvente. Samanta merece meus calorosos aplausos por ter me impressionado tanto.

  Os personagens me encantaram, e não pense que o livro gira em torno de Bernardo e Caroline. Conhecemos a cultura dos Ciganos, conhecidos até certo ponto como "Malditos", conhecemos mais sobre a vida naquela época, sobre as regras e mentiras da igreja e principalmente, sobre o verdadeiro amor.

  O desenrolar da estória é tão envolvente quanto impressionante. Atualmente é raro ler um livro que você não imagine o que acontecerá no final e essa mesma coisa acontece, e acho que esse é mais um motivo que fez O Pássaro se tornar um dos meus favoritos de 2012. Chega um momento que segredos são revelados - quem já leu vai entender - e quando O SEGREDO é descoberto tive que sair do sofá, ir até a cozinha pedir atenção de minha mãe e minha avó que estavam preparando a ceia de Natal, para poder mostrar minha indignação com tal acontecimento. Eu não acreditava que o livro poderia terminar assim, mas ainda mais de 50 páginas para o término e eu me perguntava o que Samanta poderia fazer para mudar aquilo. E pela milésima vez, em um só livro, ela me surpreendeu. Admito ter relido as duas últimas páginas três vezes e chorando.

  O Pássaro foi o livro mais imprevisível que li em 2012. E isso é bom. É totalmente bom. Não é ótima a sensação de se surpreender ao ler algo? Agora imaginem um livro que você imagina tomar um rumo e ele toma outro totalmente diferente. Depois você imagina outra coisa. E essa coisa torna a não acontecer. E por aí vai, até o último capítulo, até a última página.

  Não falarei mais sobre outros personagens - mesmo estando me coçando para escrever mais e mais sobre este maravilhoso livro - pois quero que vocês se surpreendam tanto quanto eu. Li o livro sem ler nenhuma resenha, só com a sinopse na cabeça, esperando que fosse mais um romance clichê onde a mocinha se apaixona pelo homem de classe inferior, os dois fogem juntos e vivem felizes. O Pássaro merece ter a atenção de cada um de vocês, e aplaudo Samanta calorosamente de pé, parabenizando-a pelo livro incrível e pelo maravilhoso romance escrito. Me pergunto se esse dom da escrita que Samanta possui se dá ao fato dela ter nascido no Dia Mundial do Livro ou se é algo que veio simplesmente com o tempo, para não só  levá-la ao sucesso, mas para nos presentear com suas palavras.

Confira a entrevista com a autora:


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