[Resenha] Yin & Yang | Edson Gomes

"O silêncio é a arma do homem que pensa, pois é dele que ele arranja tempo para agir."
  Marcos Paulo Gois é um delegado que trabalha na zona sul do Rio de Janeiro e vive em um ambiente desordenado. Seu filho, Delaney, fruto de seu primeiro casamento, tem 17 anos e fazia curso profissionalizante de Eletrônica, depois quis fazer Química e isso não lhe caiu bem no Educandário São Bernadino, onde o menino sempre foi rebelde e está sempre aprontando e aborrecendo seu pai, que não sabe mais o que pode fazer para mudar seu filho. Delaney sempre quis ter contato com sua mãe, porém seu pai sempre justifica a ausência dizendo que sua mãe não tem condições de receber visitas, já que é alcoólatra.

  Gois  transferiu o filho várias vezes de colégio pois os problemas só aumentam, até que ele recebe a ligação da professora Deborah pedindo que ele compareça ao colégio imediatamente. Chegando ao colégio ele se depara com a notícia de que seu filho havia colocado uma bomba no banheiro. Transtornado e já sem paciência, o delegado Gois promete tomar providências. A professora Deborah  é psicóloga e conhece casos de rebeldia de adolescentes, por isso, procura o pai para ajudar o garoto. Receosa, mas ao mesmo tempo decidida, ela conversa com ele e pergunta se ele quer conhecer um mestre japonês de artes marciais. Delaney aceita e acompanha sua professora até a casa do mestre Fukuji Hisamoto. O mestre recebe Deborah e Delaney, que faze muitas perguntas, e o mestre responde dizendo que o menino aprenderá a conter sua energia explosiva.
"Nem tudo que parece diante dos olhos é o que aparenta ser."
 Deborah vai embora insegura, com medo de que Delaney fizesse algo ruim com o homem de 72 anos, porém o mestre saberia se defender muito bem caso ele tentasse. Antes da primeira lição de concentração o rapaz teria que assimilar algumas coisas, só que Delaney já estava pensando no que fazer, porém é surpreendido. Ele faz uma explosão acontecer, ri da situação e só se dá conta da gravidade do acontecido quando percebe que o mestre Fukuji não tem nenhuma reação, fazendo o garoto ficar desesperado, mas o que ele não esperava que aquele homem, muito mais velho que ele, poderia dar-lhe um golpe fazendo o cair no chão e mostrando quem manda ali.
"Quem tem Yang na alma, Yang receberá como recompensa."
 Delaney precisa aprender algumas lições antes de "se livrar" do mestre Fukuji. A primeira lição é aprendida quando ele precisa aprender a respirar, inspirar e se concentrar. Delaney aprende a primeira lição e é surpreendido mais uma vez, quando um portal surge no meio do jardim de Fukuji, e de lá surge um homem que acaba caindo no gramado. O mestre, ainda assustado, pega um livro de mutações e o que ele temia é verdade: aquele homem, que possui uma tatuagem em um dos braços é Yang, a força positiva. Mesmo isso sendo algo positivo, a pergunta que fica é: Onde estava Yin, a força negativa?
"- Por que o mal sempre tem mais força?

 - É porque o bem tem mais inteligência."
  Yin & Yang são duas energias opostas - até então era a única coisa que eu sabia - e que fazem parte da filosofia chinesa. Mostram como é importante praticar esses princípios no dia a dia para que possamos atingir o equilíbrio e a harmonia nos relacionamentos e no mundo. Yin & Yang - A Batalha dos Oposto é, com certeza, o tipo de livro que te faz pesquisar  várias e várias coisas durante a leitura. Edson te dá informações na medida certa e mesmo assim você quer mais e mais e acaba parando a leitura somente para pesquisar mais informações sobre determinado assunto.

  Este livro foi publicado em 1999, e só agora, depois de conhecer a escrita de Edson Gomes através do seu segundo livro publicado (Psíquico - Muito Além da Justiça dos Homens) vim a lê-lo. Podemos perceber como Edson cresceu desde 1999 até 2012, mas podemos perceber, também, características suas que o tornam único: sua escrita impecável e a forma como ele descreve cada local. Existem batalhas em lugares conhecidos pelos cariocas, como eu, e os que não conhecem, passarão a conhecer com certeza.

  Gostei muito dos diálogos do mestre Fukuji;sempre sábio e transpirando paz e sabedoria aonde passa e aos que querem lhe ouvir. As cenas tão expressivas e detalhadas que me fizeram visualizar cada momento do livro e sentir o drama de cada situação. E o melhor está no final. Uma vez vi um filme (infelizmente não me lembro o nome) onde um personagem falava "Os melhores filmes e os melhores livros são os que te deixam uma mensagem do bem quando chegam ao final" e é exatamente isso que Edson faz, tanto neste, quanto no seu segundo livro: ele nos deixa uma belíssima mensagem, provando que vale muito a pena ler seus livros. Grandes livros se encerram com grandes lições, simples assim.