Tudo o Que Ela Sempre Quis | Barbara Freethy


 “Percebi que o que é importante é relativo ao lugar onde você está, o que quer e do que precisa.”

  Sinceramente? Não sei nem por onde começar essa resenha. Não havia lido nenhum outro livro de Barbara Freethy e mesmo sendo autora de 30 best-sellers do The New York Times não esperava algo tão... maravilhoso. Em seu primeiro romance publicado no Brasil, Barbara Freethy nos apresenta primeiramente a Natalie, uma bela mulher ruiva de 29 anos que está apenas começando sua carreira de médica. Em um dia normal como outros no hospital onde trabalha Natalie vê uma reportagem na TV anunciando uma sessão de autógrafos com o autor do livro Fallen Angels, que retratava a história de 4 amigas quase inseparáveis que tem suas vidas mudadas quando uma delas cai da cobertura de um apartamento. Natalie começa a estranhar tal enredo já que essa seria a historia de sua própria vida. Faziam 10 anos que Emily Parish havia morrido e 10 anos que não via suas antigas amigas Maddison e Laura. Rever as amigas seria bom, mas será que era nessas circunstâncias que elas gostariam de se reencontrar?

"Ele podia escrever histórias articuladas sobre os eventos mundiais, mas quando se tratava de dizer-lhe como se sentia ele ficava totalmente sem fala."
  Natalie acaba reencontrando Cole, seu antigo namorado e irmão da falecida Emily, que ainda não sabe sobre o livro que supostamente fala sobre a morte de sua irmã e que acusava alguém de tê-la empurrado. Para melhorar ou piorar, ela também reencontra suas velhas amigas Maddie e Laura que já sabem do livro e, claro, mudaram com os anos, porém ainda possuem sua confiança. Dylan, amigo dos irmãos Parish, e Drew, amigo de Emily e agora marido de Laura, acabam se envolvendo também com o livro e o autor misterioso que não deixa pistas ou rastros para que ele seja encontrado. 
“Todo mundo tem a sua própria versão da verdade.”
  Muito suspense e muitos questionamentos acontecerão até que a verdadeira identidade do autor do livro seja revelada. Muita confusão e muitas revelações surgirão até que o verdadeiro culpado pela morte de Emily seja encontrado. Muito mistério e muito romance acontecerá até que todo o mistério seja desvendado. 

  Admito que normalmente vejo a capa de um livro, leio o título e imagino todo um enredo para ele. É raro ler sinopses e principalmente resenhas (muitas contém spoilers) do livro antes mesmo de começar a leitura. Com este livro foi um pouco diferente. Me interessei, vi as avaliações no skoob e quis lê-lo. Quando ele chegou em minha casa resolvi ler a sinopse e decidi parar minha leitura do momento e começar a ler Tudo o Que Ela Sempre Quis naquele exato momento. Deixem-me explicar: sou totalmente fã da série Pretty Little Liars e quem já assistiu pelo menos um episódio vai concordar que o a história deste livro lembra muito o da série. Lendo o livro de Barbara Freethy fui apresentada a um enredo mais maduro que PLL - já que este livro se passa depois da faculdade, e em PLL as quatro amigas estão no colegial - mas que me envolveu e me prendeu do inicio ao fim com a mesma intensidade. E olha que dois dias antes eu estava comentando com uma amiga que nenhum filme ou série seria capaz de chegar aos pés de Pretty Little Liars. Tudo bem que Tudo o Que Ela Sempre Quis  não é uma série de livros e não virará uma série de TV, claro, mas  vejam só minha situação, torcendo para que um dia o livro se torne um filme. Palmas para a autora! 

All She Ever Wanted
Capa Original
  A capa do livro todavia é uma incógnita para mim. Ela fez com que o livro se tornasse algo que "não parece ser". Ao longo da leitura esperava que houvesse alguma lembrança de qualquer um dos personagens, na qual Emily corria em direção ao mar em uma praia, mas isso não acontece e ainda não sei porque ela foi escolhida (é a mesma da versão original) mesmo que ela sejam muito, muito bonita. 

  Uma coisa que me incomodou foram alguns erros de digitação e outros de tradução. Quem sabe inglês entende que muitos tempos verbais podem ser confundidos e percebi isso muitas vezes, além de um erro de digitação do sobrenome Parish – que foi escrito Paris - e uma troca de nomes em um diálogo. São erros? Sim, mas nada que me fizesse largar a leitura ou dar menos de 5 estrelas para o livro 

  Acho que o maior ponto positivo do livro é a narração em terceira pessoa. Mesmo que Natalie, de alguma forma, seja a protagonista do livro, podemos ver o ponto de vista de todos os personagens e isso fez com que o mistério e o suspense fossem ainda maior. Acredito que se fosse em primeira pessoa não teríamos tanto envolvimento com a história.

  O final foi realmente digno. Quando eu achava que a autora não poderia me surpreender com mais nada, ela envolve personagens que nem ao menos foram cogitados. Não vou falar muito pois quero que vocês se envolvam na leitura e fiquem juntando cada pedacinho da leitura para tentar descobrir quem é o autor e quem é o responsável pela morte de Emily, mas posso dizer que em um momento do livro - um momento mesmo, mas que no segundo depois eu já achava que era outra pessoa - imaginei que o autor de Fallen Angels pudesse ser quem é, mesmo não sabendo quem ele era na realidade. Parece sem noção, né? "Saber quem era, mesmo não sabendo quem ele realmente era". Mas vocês vão precisar ler o livro para entender -rs.

  Com uma história bem construída, repleta de ação e mistério, Barbara Freethy realmente me surpreendeu com sua narrativa, seu enredo e sua capacidade de me prender do inicio ao fim do livro. Sabe aquele livro que você não quer logo chegar ao final para saber o que vai acontecer, mas ao mesmo tempo fica com pena de terminar a leitura? Foi exatamente assim qe me senti. Realmente espero que mais alguns dos seus 30 livros sejam publicados no Brasil, e quem sabe esse ou outro de seus livros virem um filme.
“Ela só queria que suas amigas a conhecessem de verdade. Queria parar de fingir ser outra pessoa.”