Palavra de Autor - Mare Soares


:: Por Mare Soares

  Recentemente me peguei pensando sobre um assunto em que toda virada de ano a gente se esforça para focar: transformações. A página vira no calendário e, num piscar de olhos, todo mundo quer que a vida mude para melhor. E eu acredito na força de vontade dessas pessoas, assim como acreditei na minha durante tanto tempo. Entretanto, acontece que entre marés altas e baixas, acabei por me dar conta de que não é bem assim que as coisas funcionam. O Universo tem que conspirar a seu favor. 

  Não estou dizendo que devemos sentar e esperar milagres divinos. Pelo contrário, acho mais que a gente precisa se esforçar mesmo. Mas de nada vale esse esforço se não for a hora certa. Apenas não sabemos determinar quando essa hora chegará. 

  Tirei essas conclusões por questões próprias. Passei os últimos dois anos lutando arduamente para que alguma coisa boa acontecesse. Qualquer coisa. Andei épocas difíceis, com caminhos pegajosos e armadilhas por todos os lados. Em alguns momentos me enchi com esperança sabe-se lá de onde, simplesmente porque me recusava a desistir. Em outros, esperança foi uma palavra que se tornou tão distante que nem sequer sei dizer como continuei vivendo, não sobrevivendo. Porque, infelizmente, não deu para clicar pause na vida. 

  Acabei chegando onde cheguei. Conquistando o que conquistei. Perdendo o que perdi. Encontrei formas de manter o sorriso no rosto apesar das ondas negativas. E depois de tanto tempo consigo afirmar que estou feliz de novo, com uma felicidade tão genuína que talvez nunca tenha vivenciado. 

  De repente a minha vida se transformou. Na hora em que eu menos esperei. Na hora em que eu estava tão conformada que acho que nem mais desejava essa mudança. Agora estou um passo mais perto de ser quem eu queria ser, de ter a vida que eu queria ter e desejo que isso nunca acabe. 

  Eu desconheço os mecanismos que regem o Universo e nos faz tão pequenos diante da imensidão dele. Não sei a funcionalidade da vida e quem sou eu para ter certeza de que existe um plano nessa loucura toda? Minha única certeza é de que eventualmente a roleta da vida gira e fica de cabeça para baixo. Mas roleta que desce também sobe e a organização é retomada, independente do tempo que isso venha a demorar. 

  Por fim, hoje me pergunto: "Como se achar sem nunca se perder?"