Palavra de Autor - Mônica e Monique Sperandio: Sobre idealizar


  Oi. Oi. Você veio. Mas você não. Então com quem está falando? Com o seu fantasma. Com a imagem que criei de você em minha mente. Ou, talvez, essas paredes que guardam tantas histórias tenham finalmente aprendido a falar. Você está diferente. E você não mudou nada. Dois anos, né? É, mas ainda não te conheço. Nem sabe se quer. Tem razão. Porque saber, de certa forma, é não ter mais dúvidas. É não poder mais criar algo com a sua mente. É limitação. Talvez, decepção. Te conhecer é não poder mais inventar desculpas para o seu comportamento. Te conhecer é saber que nós dois nunca vamos funcionar juntos. Triste, não é? É, mas eu sei que você gosta. O que? É, você gosta. Gosta de não ter que enfrentar a claridade, de não ter que se preocupar em arranjar assunto num banco de um parque qualquer. De não ter que se perguntar se eu vou segurar a sua mão na rua. Você quer se convencer de que fica triste porque só ficamos pela noite quando nos esbarramos por descuido do destino, mas na verdade é isso que torna as nossas esbarradas tão intrigantes. Emocionantes, até. A magia e a imprevisibilidade da noite. As pessoas querem tanto mais do que “só por uma noite”, mas na verdade elas não percebem que a noite em si é que é a grande sacada. Se contentar em ter uma noite boa e depois seguir para a sua vida sabendo que tais noites existem. Você se acha esperto, não é? Acha que entendeu. Mas eu entendi. Não, você é só uma parede. Toda parede é uma janela. Bem, aparentemente as paredes fazem mais do que esconder as grandes histórias e verdades. As paredes também as revelam. 


Comentários

  1. Não conhecia as autoras e nem o livro Sete Vidas. Vou pesquisar mais sobre ele. Ah, tô seguindo o blog.

    Um beijo, Karine Braschi.
    Geek de Batom.

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