[Das Páginas Paras as Telas] Para Sempre



"Eu prometo que todas as vezes que nos separarmos, encontrarei uma forma de reatar novamente."




 Quem nunca duvidou do amor, que atire a primeira pedra. Para Sempre (The Vow - O Voto - originalmente) veio para mostrar que o amor, quando verdadeiro, prevalece acima de tudo. Quando li o livro, escrito por Kim (e Krickitt) Carpenter, fiquei um pouco decepcionada com a narrativa, mas até disse na resenha que entendo, já que Kim não é escritor, e relatou tudo da sua maneira. Eis que vou ver o trailer do filme e além de ver que os nomes foram modificados, outras coisas foram acrescentadas a história.

 Confesso que o que realmente me interessou em ler o livro, foi ver que haveria um filme e que Channing Tatum estaria nele (quem acompanha o blog saber como sou fã dele). Ele interpreta o apaixonado e apaixonante Leo, que vê sua vida virada de cabeça para baixo quando sofre um acidente de carro com sua esposa Paige (Rachel McAdams) e após ficar durante semanas em coma, ela acorda e não se lembra de sua vida após ter conhecido ele. Rachel não se lembra de detalhes como seu endereço, seus gostos e seus amigos, mas lembra da caixa de correio de seus antigos vizinhos (da época na qual morava com seus pais e ainda não conhecida Leo), da faculdade que havia largado e que pensava que ainda estava cursando, e do ex-noivo, que para ela é o atual. Ela praticamente volta a ser a Paige de cinco anos antes do acidente e faz com que seu marido tenha que reconquistá-la uma vez mais.

 Não há dúvidas de que o filme pode ser facilmente confundido com uma história de Nicholas Sparks, ainda mais com os protagonistas. Rachel interpretou Allie em Diário de Uma Paixão, e Channing interpretou John em Querido John. Até eu, enquanto via o filme com minha amiga fiz uma "piadinha": "A Rachel só serve para fazer personagens de Nicholas que perdem a memória e Channing para fazer caras apaixonados que não existem mesmo na vida real?" (mesmo que em Diário de Uma Paixão ela só perca a memória quando velha, ainda continua sendo ela gente - risos). Depois que rimos um pouquinho, fizemos alguns comentários sobre Savannah e Noah (a namorada de John e o marido de Allie, respectivamente), paramos e eu falei: "Ei, esse filme não é baseado em livro do Nicholas!". Obvio, tivemos um pequeno ataque de riso com nossa falta de atenção.

Nunca pensei que diria isso, mas esse foi um filme melhor do que o livro. Tudo bem, muita, MUITA coisa foi acrescentada. Poderia até dizer que os responsáveis pela adaptação só pegaram a ideia do acidente, de um homem apaixonado que tenta manter seus votos de casamento e de uma mulher que não se lembra de sua vida antes de conhecer seu marido. Até a forma como os dois se conheceram foi alterada. Por um lado acho errado, pois sou a favor das adaptações que sejam fiéis aos livros, mas por outro lado gostei. Isso tornou a história mais emocionante e fez com que eu tivesse uma resposta para "Existe algum filme que tenha sido melhor do que o livro?".

A atuação de Rachel e Channing são, em minha visão, impecáveis, ao contrário do elenco coadjuvante. Falando sobre os personagens, o vilão, que não tem nada de vilão, não passa de um simples personagem que aparece no meio do caminho, a irmã de Paige é quase insignificante (seu noivo mais ainda), os amigos de Leo dão uma diversão às cenas na qual estão presentes, e os pais de Allie só querem mudar a personalidade da filha, e não reatar a convivência. Querendo ou não eles são essenciais cada um a sua maneira, mas parando para pensar eles deixam um pouco a desejar.

 Indico muito o filme para os que gostam de um romance que mostre que o amor está em primeiro lugar, que não tenha um roteiro meloso e tenha uma pitada de comédia em algumas cenas. E leiam o livro para me responder: vocês também tiveram uma resposta para a pergunta que citei no penúltimo parágrafo?

Channing Tatum (Leo) e Rachel McAdams (Paige), com o casal que inspirou a história Krickitt e Kim Carpenter