[Resenha] Paperboy | Pete Dexter

Autor: Pete Dexter
Titulo: Paperboy 
Título original: The Paperboy
ISBN: 9788581632308
Editora: Novo Conceito 
Área Principal: Ficção
Assuntos: Drama
Sinopse: Hillary Van Wetter foi preso pelo homicídio de um xerife sem escrúpulos e está, agora, aguardando no corredor da morte. Enquanto espera pelasentença final, Van Wetter recebe cartas da atraente Charlotte Bless, que está determinada a libertá-lo para que eles possam se casar.
Bless tentará provar a inocência de Wetter conquistando o apoio de dois repórteres investigativos de um jornal de Miami: o ambicioso Yardley
Acheman e o ingênuo e obsessivo Ward James.
As provas contra Wetter são inconsistentes e os escritores estão confiantes de que, se conseguirem expor Wetter como vítima de uma justiça caipira e racista, sua história será aclamada no mundo jornalístico. No entanto, histórias mal contadas e fatos falsificados levarão Jack James, o irmão mais novo de Ward, a fazer uma investigação por conta própria. Uma investigação que dará conta de um mundo que se sustenta sobre mentiras e segredos torpes.
Paperboy é um romance gótico sobre a vida aparentemente sossegada das cidades do interior. Um thriller tenso até a última linha, que fala de corrupção e violência, mas que, ao mesmo tempo, promove uma lição de ética.

 Quando vi que Paperboy seria publicado pela Novo Conceito logo fiquei animada. O filme, estrelado por Zac Efron e Nicole Kidman, foi lançado no ano passado nos Estados Unidos e estava com previsão de lançamento aqui no Brasil para o final desse ano. Eu não havia lido a sinopse do filme, mas depois que o livro teve sua previsão de lançamento, procurei ler críticas do filme, que infelizmente, me deixaram com um pé atrás. O livro chegou, comecei a leitura e, infelizmente, não me impressionou de forma positiva.

 Comecei a leitura esperando muita investigação, mas infelizmente, esse não é o foco do livro. Nele, Pete Dexter nos apresenta Jack, um cara que foi expulso da faculdade por atos de vandalismo e volta para sua casa e passa a trabalhar como motorista de caminhão, entregando jornais. Seu irmão, Ward, é jornalista e está de volta para a cidade com seu parceiro no Miami Times, Yardley Acheman. No meio disso tudo temos Charlotte Bless, uma mulher - que ao meu ver - é louca, pois se corresponde com presidiários e resolve amá-los sem nem ter os visto pessoalmente. Sim, eu não estou brincando. Acontece que Charlotte agora está noiva - sem nem ter o visto pessoalmente - de Hillary Van Wetter, um cara que está no corredor da morte, condenado, mesmo sem muitas provas, por matar o xerife da cidade. Charlotte vai contar com a ajuda dos dois jornalistas e de Jack, para desvendar esse mistério que é mais complexo do que eles imaginam.
"Para perceber certas coisas, é preciso estar deitado de costas, com lágrimas nos olhos e uma batata escaldante na boca.
É bem capaz, eu acho, que você tenha que estar ferido para perceber qualquer coisa." - Pág. 177
 Quem narra o livro é Jack, e ele é um narrador que, digamos, não expressa opinião e guarda qualquer pensamento sobre determinada coisa e não se abre com o leitor. Ao mesmo tempo que eu sentia falta de um pensamento, achei que isso acaba despertando curiosidade.

 Achei que o autor falou as qualidades e - principalmente - os defeitos de cada personagem, e tudo bem que se trata de uma ficção, mas não consegui "engolir" a Charlotte. Na verdade, ela é até uma incógnita. No inicio, a mocinha apaixonada; no meio, a desequilibrada; no final, uma vítima. Algo que também fica como mistério, mas isso é até um ponto positivo, é a relação de Yardley e Ward. Ward é um homossexual assumido, mas a relação dele com Yardley fica nas entrelinhas.

 Algo que senti falta foram os capítulos. O livro simplesmente não é dividido em partes, nem possui capítulos. Isso meu deu uma aflição. Nunca havia reparado, mas tive a certeza que livros com capítulos - principalmente curtos - ajudam muito mais na evolução do livro. Eu costumo a dar uma pausa na leitura somente quando termino algum capítulo, mas dessa vez parecia que a história não teria fim.

 Pela sinopse, esperava muito mais do livro, e mesmo com os comentários negativos sobre o filme ainda quero assistir. E também não deixo de recomendar o livro. A proposta do livro é boa sim, e da mesma forma que eu não gostei dele por completo, você pode amá-lo.