[Das Páginas Para as Telas] A Fera

 Atualmente estamos vendo muitas novas adaptações e também livros baseados em clássicos antigos. A Fera, que foi lançado em 2011, é uma releitura do clássico "A Bela e a Fera" e foi baseado no livro de Alex Flinn. No filme, conhecemos Kyle (Alex Puttyfer), um garoto rico, mimado, que tem tudo o que quer, na hora que quer. Ele não possui amor ao próximo, muito menos se importa com o sofrimento dos outros. Kendra (Mary-Kate Olsen), por sua vez, é uma menina gótica que todos dizem ser bruxa e que Kyle não perderia a oportunidade de humilhar. Em uma festa do colégio, Kyle conhece Lindy (Vanessa Hudgens) uma menina bonita e simples, que não se importa com sua forma rude de ser.

 Kendra não se importa com os apelidos e as humilhações, mas também não deixa barato. Ela mostra que não é atoa que a chamam de bruxa, e fará com que a aparência de Kyle mude por completo. Como se não bastasse ter perdido toda sua beleza, Kyle agora terá que lutar para conseguir, em um ano, que alguém se apaixone de verdade por ele. Mesmo com uma aparência horrível.
"Encontre quem o veja melhor do que você se vê."

 Eu sou ainda mais crítica quando se trata de uma releitura de "A Bela e a Fera". Esse é meu conto favorito,  e sem dúvidas adoro assistir ou ler livros baseados no mesmo. Dessa vez, gostei muito do filme, a história em si é boa, mas quando paro para pensar em atuação, caracterização e roteiro, encontro alguns aspectos negativos. Começando por como as coisas acontecem rápido demais. Qualquer coisa que eu cite aqui será spoiler, mas se vocês assistiram ou irão assistir ao filme, perceberão em como as coisas acontecem de uma maneira surreal e os personagens nem sequer se perguntam em como aconteceu.
"Só porque uma coisa é bonita, não quer dizer que seja boa."
 Gosto da atuação de Alex Puttyfer (desde "Garota Mimada" e passando por "Magic Mike" - mesmo não gostando do filme), mas a aparência de seu personagem não me convence. Tudo bem, vocês podem dizer "Mariana, mas o cara fica horrível", sim ele fica horrível, mas como a própria personagem de Vanessa Hudgens diz em um certo momento: "Já vi piores." Tatuagens, piercings, cicatrizes... qualquer um pode ter. Sei que no filme é de forma totalmente exagerada, e não sou nenhuma expert no assunto, mas eles poderiam ter feito uma fera "melhor".

 Mary-Kate Olsen nunca deixa a desejar com sua atuação. Adoro todos os filmes com ela, e dessa vez ela fez uma "bruxa" moderna que mesmo séria consegue ser divertida. A maquiagem a tornou realmente diferente do que é, mostrando como ela entrou na personagem.

 Considero Vanessa Hudgens uma ótima atriz também, mas confesso que achei Lindy meio chata em alguns momentos. Porém ela é linda, pensa nos outros e, principalmente, não se importa com o que há por fora, mas sim por dentro, de cada um.

 A relação de Kyle com o pai (Peter Krause), mesmo que ele seja citado mais do que aparece, mostra como somos influenciados durante a infância. Mesmo sem ter o pai presente, é por culpa dele que Kyle se torna o garoto arrogante e orgulhoso que é hoje. Outra mensagem presente no final, é justamente a frase do pôster oficial: Love is never ugly (o amor nunca é feio), e quem mais prova isso é Lindy, que não tem vergonha alguma ao beijar "a fera" em meio a vários olhares de horror no colégio.

 Mesmo com alguns pontos negativos o filme é bom, ótimo para um fim de noite e que reforça a ideia de que "não importa a aparência. O que importa é o amor".