[Resenha] Quem Sou Eu, Afinal? | Ricardo Valverde



Autor: Ricardo Valverde
Título: Quem Sou Eu, Afinal?
Editora: Novo Século
ISBN: 978-85-428-0043-2
Páginas: 248
Sinopse: Um romance comovente, sensível e provocante. Uma verdadeira prova de amor! Após doar seu sêmen pela última vez, Daniel Lebzinski, um senhor envolto em tristeza e amargura, tenta retornar a sua casa, mas é surpreendido pelo esquecimento. O que parecia ser apenas um fato isolado transforma-se em uma série de eventos repetitivos. Com o auxílio de Judith Stelar, enfermeira e amiga de longa data, o doador é diagnosticado com o Mal de Alzheimer e passa a lutar contra essa terrível doença. Benjamim, um jovem doce e sonhador, está prestes a descobrir o amor pela primeira vez com Laila, sua namorada, quando se depara com um antigo exame, que irá mudar a trajetória de toda a sua vida. Ao descobrir que seu pai é estéril, o jovem parte em busca de sua verdadeira origem. Elad Raviv, um marido distante e ausente, se vê frente a frente com os mais profundos abismos de seu coração e parte em uma árdua jornada à procura de uma razão para viver. O que essas três histórias podem ter em comum? Quem são eles, afinal? Por qual razão a vida os colocou no mesmo caminho?
“Um dia entenderemos essa doença por completo e o mal de alzheimer deixará de ser tão assustador . Hoje o que temos , além de algumas migalhas que tentamos juntar a todo custo, é o susto." - Pág. 165
Quem sou eu, afinal? Você já se fez essa pergunta? Ela pode até parecer boba quando alguém te perguntar, mas pergunte a si mesmo. Quem é você, afinal? Será que nós sabemos realmente quem somos?

 Neste livro, Ricardo Valverde nos apresenta Daniel Lebzinski, um homem de 50 anos que mora em Tel Aviv, Israel. Ele é doador de sêmen, mas agora, depois de tantos anos, está insatisfeito com essa vida. Ele não quer mais ser um doador, porém ganha muito bem para fazê-lo. Daniel tem uma amiga de longa data chamada Judith Stelar. Eles já tiveram uma relação amorosa antes que Daniel fosse para Veneza. Judith agora é enfermeira no mesmo hospital em que Daniel é doador, então eles acabam se vendo sempre, mas ela ainda guarda seu amor no coração.

 Ao longo da história vamos conhecendo outros personagens importantes, como Allen, que não sabe quem é seu pai; Menorah e Elad, que sonham em ter um filho e resolvem fazer inseminação artificial; e Benjamin, um jovem que passa a correr atrás de seu passado depois que descobre que não é filho do homem que imaginava ser. Todos eles possuem histórias diferentes, mas todos, de certa forma, estão ligados por causa de uma pessoa, um segredo e uma doença; e verão que em algumas histórias, o que chamamos de um final feliz, podem ser considerado o começo de uma vida melhor.

 O livro é divido em duas partes: passado e presente. Durante a leitura cada personagem é apresentado com suas inseguranças, angústias e problemas. Depois vamos entendendo o verdadeiro motivo para as atitudes de cada um e finalmente vemos o que o destino reserva para fazer com que cada um deles se aproxime. A história de Daniel que é diagnosticado com o Mal de Alzheimer nos surpreende trazendo a emoção pra quem já viveu algo parecido com a dificuldade de aceitar que quem amamos ou, quem sempre nos amou, encontra-se dependente. O Alzheimer é um sofrimento para o paciente e para a família que vê seu ente querido “desaparecer” aos poucos até virar uma lembrança do que já foi.

 Algo que também me agradou muito no livro foi o local onde se passa toda a história: Tel Aviv. Vocês não tem noção de como eu sonho em visitar esse lugar um dia. Ricardo cita judeus, romanos, palestinos, Jerusalém, o Muro das Lamentações, ruas de Tel Aviv... durante a leitura, estamos em uma verdadeira aula! Lembro-me que em um evento no inicio do ano, estive conversando com Ricardo sobre umas fotos que vi dele em Tel Aviv. Ele me disse que estava escrevendo um livro que se passava no local e eu logo fiquei animada. Eu só não imaginava que o autor pudesse me encantar tanto com os detalhes sobre o local. Para mim, que nunca fui, a leitura já foi prazerosa, e para quem já foi, com certeza será ainda mais.

 "Quem sou eu, afinal?" Quantas vezes nos deparamos com as surpresas que o destino nos traz, mudando toda a nossa vida e mostrando uma nova realidade?  Quem ler essa obra entenderá a intensidade dessa pergunta e mostrará como lágrimas podem ser transformadas em força.  Ricardo fala com certeza não só do Alzheimer, como sobre amorverdadesmentiras e confiança e mostra que além de ótima pessoa, é um ótimo escritor, e este livro, sem dúvidas, merece ser lido por vocês.