[Resenha] Conto dos 7 — Os Sete Pecados Capitais

Título: Conto dos 7
Autores: Glau Tambra, Lu Franzin, Marcelo Maropo, Moisés Suhet, Maud Epascolato, Lucas Odersvänk e Fábio Abreu
Sinopse: Ao longo da história da Humanidade, o número sete sempre esteve envolto em uma mística muito peculiar. Os Sete Chacras, os Sete Céus, os Sete Selos do Apocalipse, os sete dias da semana... Atraídos por esse número mágico, um grupo de sete escritores – Os 7 – se reuniu para conceber este livro. Nos sete contos da antologia, você irá vivenciar os mistérios dos Sete Pecados Capitais, e as formas como podem afligir uma alma. A visão de cada autor o guiará por histórias de pessoas que têm gravadas em sua alma inclinações para um desses pecados, e que pagará as suas consequências. Histórias de vida que poderiam, sem dúvida, ser a sua. Descubra o seu pecado em Conto dos 7 – Os Sete Pecados Capitais.
"Luz e escuridão, branco e preto, dois lados de uma mesma moeda. Todos nós cultivamos
o bem e o mal dentro de nós." - Eliane Raye

 No início desse mês, em uma conversa com o autor Fábio Abreu, ele me convidou para ser leitora beta de uma antologia que ele estava organizando. Na mesma hora eu me senti honrada e animada, pois finalmente conheceria a escrita principalmente de Glau Tambra e Maud Epascolato. Infelizmente, não li absolutamente nada de nenhum dos autores, tirando Fábio Abreu (que teve a resenha de seu conto "Teu Silêncio, Minha Resposta" publicada no blog) e já havia comentado com ele que queria muito conhecer a escrita de Glau e Maud.

 Quando Fábio me enviou o arquivo por e-mail, eu não pensei duas vezes e comecei a ler sinopse dos contos e o prefácio. A frase com a qual iniciei a resenha, escrita pela autora Eliane Raye, está presente justamente no prefácio de "Conto dos 7", que é escrito por ela. Logo no prefácio ela nos adianta os sentimentos que serão transmitidos nos sete contos do livro e posso afirmar, que ela sabe exatamente como nos deixar ansiosos e curiosos.
"Para Amytis, espelhos eram realmente uma vaidade. Eles mostravam sua aparência jovem e bela. Ela gostava disso e terminou escrava deles."
 O primeiro conto do livro é "Refém", de Glau Tambra. Nele, conhecemos Amytis, Juan e Maysa. A primeira mulher, uma rainha vaidosa, que possuía uma sala de espelhos onde apena um, tinha um certo poder sobre ela. O homem, um professor de História Geral que dava aulas na Colômbia, mas que era "caçador" nas horas vagas, e que acaba de chegar em Bagdá, Iraque. A segunda mulher, uma executiva bem sucedida, de personalidade forte e muito orgulhosa. Três pessoas que viveram vidas totalmente diferentes, mas que possuem uma ligação.

 Gostei demais da forma como Glau abordou o orgulho. Amytis e Maysa são mulheres que foram, através da vaidade, induzidas ao pecado. A forma misteriosa como a autora nos apresenta a sua história, e a ligação que esses três personagens possuem é impressionante. O final é conquistador e mostra

 Gostei muito de narrativa em terceira pessoa, e da escrita fluída da autora que nos faz chegar ao final do conto sem nem perceber. A forma como a autora passa sua mensagem sobre orgulho, com certeza fará todos os leitores repensarem um pouco sobre seus momentos de vaidade, principalmente.
"E as sombras da diferença que encobriam sua visão sempre que Ana estava por perto mais uma vez a rodearam."
 "As Sombras de Alice", escrito por Lu. Franzin, é o segundo conto do livro. A autora nos apresenta a Alice e Ana, duas irmãs que tem vidas completamente diferentes. Enquanto Alice se contenta com a pouca demonstração de carinho dos pais (da mãe, principalmente), absolutamente tudo de Ana era melhor do que da irmã um ano mais velha. Não era algo que Ana quisesse, era apenas inevitável, e como o pai delas falou em um dos últimos acontecimentos em que Alice "perdeu" para a irmã, "era para ser assim".

 O inicio do conto é totalmente empolgante. Não sei o porquê, mas as palavras de Lu ao apresentar suas personagens, pareciam querer dizer algo mais. Parecia que por trás daquilo tudo havia algo. E realmente havia! A forma como a vida de Alice muda drasticamente, e como ela precisa fazer uma escolha que mudará toda a sua vida, é algo que Lu soube abordar muito bem, e que me deixou aflita. 

 Gostei da narrativa da autora, que é muito fluída, e como a partir de um certo momento as coisas precisam acontecer de forma mais rápida e sem muitos detalhes, terminamos o conto sem nem perceber.Teve um momento durante a leitura que eu preciso compartilhar com vocês e caso não me entendam, é porque não quero dar spoiler, em que tive vontade de fazer parte da história e devolver um tapa para Alice (vocês vão entender o porquê quando lerem), que é quando ela se pergunta se algo relacionado à Ana é culpa dela, e quando dizem que sim, ela responde apenas com um "Certo" e volta para o quarto. Eu fiquei falando sozinha na sala, até minha avó chegar e falar "menina, o que que o personagem te fez?" Era melhor ter voltado calada para não despertar essa minha ira, gente! Lu, você me fez pecar! (risos
"Ele não queria ir para o reino do pecado, mas sua alma jazia nos braços do rei das trevas."
 O terceiro conto, escrito por Marcelo Maropo é "A Gula do Pecado". Nele conhecemos Jácomo, um garoto de 7 anos que se divide entra a casa da mãe, que mesmo o amando incondicionalmente, tem seus momentos de agressividade, e a avó, que é costureira e sempre o mima de uma maneira que não seja tão ruim. Em um dia qualquer, Jácomo acaba conhecendo uma menina de sua cidade chamada Alícia, que o influencia a comer cada vez mais, para que ele possa ter peso suficiente para conhecer o seu reino. Porém, Alícia pode não ser uma simples menina...

 No início fiquei um pouco temerosa com o que aconteceria com o garoto. Por ser um menino de apenas 7 anos, eu lia o conto com medo do que poderia ser a lição dele e o que realmente o faria se arrepender. Apesar de pensar apenas "ah, ele ficará acima do peso e irá se arrepender", eu pensava "mas o que teremos por trás disso? Qual será o verdadeiro prejuízo do menino?". 

 A narrativa do autor tem a presença de detalhes como lembranças do menino e seus vários questionamentos. A minha vontade era de ser parte da história para impedir que ele confiasse em Alícia e parasse de se deixar influenciar por ela. Sem dúvidas o autor consegue dar sua mensagem de que, mais importante do que seu físico, é necessário salvar sua alma para que você viva uma vida plena e feliz. 
"— Sabe que às vezes... não sei se o que vejo em você é coragem ou completa estupidez [...]"
Em "Destino", escrito por Moisés Suhet, somos apresentador inicialmente à Yuken, um anjo que acaba de ser traído pelo anjo Gabriel e está prestes a perder suas asas. Depois de ter que viver o seu pior castigo, que era estar no nundo dos que ele mais odeia (os humanos), Yuken terá que fazer diversas escolhas para que finalmente possa cumprir sua missão e ter a oportunidade de ser anjo novamente. Porém os sentimentos humanos tomam conta de seu ser, e ele já não sabe se ser um anjo é o que ele realmente quer para sua vida.

 Eu gostei demais desse conto também. Gostei da forma como o autor criou os anjos, toda a dinâmica do conto e como, no final, a escolha de Yuken é esperada, mas ainda assim se torna surpreendente. Tenho que admitir que ao terminar a leitura e pensar sobre o pecado que ele deveria abordar (preguiça) fiquei meio na dúvida. Reli algumas páginas para ter certeza e, sim, a preguiça estava presente, porém o pecado que deveria ser o principal, me passou desapercebido. É como se outros pecados (ira e avareza, por exemplo) estivessem muito presentes, porém o pecado que deveria ser mais abordado, na verdade não emplacou.

 De qualquer forma, esse detalhe é realmente esquecido quando pensamos no conto como um todo. Tenho certeza de que quando todos possam ler o livro, terminarão o conto admirados pelas ações e a forma doce de Diana, e orgulhosos do final e da última decisão de Yuken.
"– Deus? – ela parecia surpresa. – Acreditas Nele? Pensei que o dinheiro fosse tua vida."
 "Encontro com a Morte", escrito por Maud Epascolato, é o primeiro conto do livro em que a narrativa é em primeira pessoa. Nele, Diego Amâncio de Lira desperta assustado ao perceber que ninguém, sem sua família, consegue vê-lo ou escutá-lo. Diego, ao perceber que está morto, logo tem um choque de realidade e se vê diante de uma figura frágil e inofensiva, exceto pela arma que carregava. Diego agora tem que pensar sobre seu atos e tentar se redimir o mais rápido possível, pois seu tempo está acabando.

  Uma das primeiras coisas que eu já gostei no conto, foi a forma como Maud aborda a atitude das pessoas que se lembram da existência de Deus apenas nos momentos ruins da vida. Como se pode pedir ajuda para alguém em quem nunca se acreditou? O personagem principal do conto, ao perceber que sua situação não tem volta, só pensa em pedir para Ele, o único que poderia ajudá-lo. É como se ele pensasse "nunca acreditei em Deus, mas se dizem que ele é poderoso, vamos ver se me ajuda agora".

 Posso afirmar que a maestria de Maud ao falar sobre o pecado da avareza me surpreendeu. Ainda estou sem palavras para o conto dela. O seu personagem é um homem egoísta, que não abre a guarda nem quando se trata de seu filho pequeno que apesar de tudo, o ama muito (e talvez seja a única pessoa que o ame mesmo, pois todos a sua volta passaram a amar seu dinheiro). Gostei muito da narrativa da autora e seu conto consegue nos mostrar como não damos valor à coisas simples e, talvez, nem percebamos como isso faz mal aos outros a nossa volta e a nós mesmos.
"Aparentemente, o pecado estava em todo o lado, até ali."
 "Perfume de Amália", sexto conto do livro, escrito por Lucas Odersvänk, é um conto onde temos um escritor como protagonista. Ele nos fala sobre sua infância conturbada, a adolescência amarga e a vida adulta dividida entre o sucesso e prazeres, até chegar a um verdadeiro abismo. O amor, um sentimento que até então não era valorizado por ele, acaba sendo o único que podia salvá-lo

  A narrativa em primeira pessoa nos transmite todos os fortes sentimentos de Daniel. No inicio, ficamos chocados com o pensamento dele, que nos conta primeiramente sobre sua infância, e nos mostra como, deste pequeno, o pecado já estava presente em sua vida, e como as atitudes de seus pais acabaram lhe influenciando. Cada um de seus pais também foi pecador, e ao ver os que deveriam ser seus melhores exemplos terminarem na escuridão, ele não via motivos para ser alguém melhor.

 Lucas soube como impressionar ao falar sobre um pecado que até estamos acostumados a ver em novelas ou em livros. Ele inovou, falou sobre o amor, e consegue fazer com que o leitor queira salvar Amália e, claro, Daniel.
"[...] é hora de se libertar da sétima mácula de sua alma, Alliel..."
 No último conto, "A Sétima Mácula", escrito por Fábio Abreu, somos pegos de surpresa. O autor começa o conto de maneira calma, sem pretensão. De repente, somos surpreendidos pela verdade através do passado de Alliel, ou melhor, Iran, alguém que possui um grande poder. Um poder de um Ser supremo. Todos os pecados já estiveram presentes em Alliel, agora, é a vez da Ira.

 Este foi o conto que me fez perceber como cada um dos pecados está ligado à outro (ou outros). É impressionante a forma como Fábio conseguiu nos mostrar que sempre estaremos tentando ser melhores, e sempre acabaremos nos arrependo de algo. A narrativa fluída, misturada à ansiedade que temos para chegar ao final e descobrir tudo por trás da história de Alliel, acaba nos deixando surpresos ao final do conto,  e ficamos ansiando por mais. 

  Ao final do livro, os autores organizaram um teste, para que os leitores possam descobrir o seu pecado. Achei super divertido participar, e descobri que meu pecado é o Orgulho. Tenho que admitir, eu realmente sou muito orgulhosa e tenho muito amor próprio (Olha a #soberba, Fábio! haha #piadainterna), mas juro que não uso isso contra os outros ou sou egoísta. Li todas as descrições dos outros pecados e esse realmente é o que tem mais de mim, mas lendo a definição parece que eu sou totalmente arrogante, preconceituosa e me sinto superior aos outros, mas não sou não, gente! Tentem achar o lado positivo de cada coisa (risos).

  Glau Tambra, Lu. Franzin, Marcelo Maropo, Moisés Suhet, Maud Epascolato, Lucas Odersvänk e Fábio Abreu nos mostram como o pecado está presente na vida de cada um de nós. É impressionante ler o livro e perceber como pecamos sem perceber, e muitas vezes deixamos de nos redimir pois achamos que, talvez, a coisa certa não iria nos trazer mudanças. Tenho que parabenizar os autores por organizarem e escreverem um livro cujos Sete Pecados Capitais são tratados com tanta veemência, e dizer que mal posso esperar para que o mesmo seja publicado e eu possa tê-lo em mãos.

Atualização 22.08.2014