[Papo Literário] Jessica Brockmole fala sobre "Querida Sue", romances históricos e leitores brasileiros

 Jessica Brockmole é autora de "Querida Sue", lançamento de Abril da Editora Arqueiro. Ela  atualmente mora na região Centro-Oeste, dos Estados Unidos, depois de viver por quatro anos na Escócia, onde escreveu seu primeiro livro. Começamos a entrevista com ela me contando animadamente que, além de escrever, ela cozinha, planta e colhe seus próprios vegetais, viaja e lê qualquer coisa que possa chegar em suas mãos. Quando li "Querida Sue" fiquei encantada com a escrita de Jessica e hoje posso dizer que a admiro ainda mais depois de entrevistá-la

:: Entrevista feita por: Mariana Mortani

:: Traduzido por: Mariana Mortani


Magia Literária: Jessica, "Querida Sue" foi o seu romance de estreia. Por que você escolheu escrever uma história narrada através de cartas, e quando Elspeth e David surgira em sua mente pela primeira vez?
Jessica Brockmole: Eu tinha acabado de me mudar para a Escócia quando comecei a escrevê-lo. A forma como eu me comunicava com meus amigos e minha família mudou quando me mudei para o exterior. Nós começamos a escrever uns para os outros. Eu vi como um relacionamento poderia começar, terminar, ou ser mantido com nada mais que o mundo da escrita. Eu quis explorar isso em um romance.

ML: Eu sou fascinada por romances históricos e fiquei interessada por "Querida Sue" desde o momento em que sua Editora aqui no Brasil anunciou o lançamento e eu soube que se passava nos anos das Guerras Mundiais. Eu estava esperando um bom livro, mas não esperava me emocionar tanto. Qual foi a razão que te fez escrever um livro que acontece nesses tempos e qual a mensagem que você gostaria de passar para seus leitores?
JB: Naquela época, as pessoas não tinham escolha a não ser confiar pedaços de seus corações aos carteiros. E eu sou fascinada por essa era também, então pareceu ideal para um romance narrado por cartas.  É uma uma era moderna, o mais próximo do nosso tempo, onde o idioma usado parece modernos, mesmo distante o bastante para ser histórico. 

ML: Você mostrou ser uma escritora maravilhosa logo no seu primeiro livro, mas qual foi o maior desafio ao escrevê-lo? Você teve algum problema em busca de uma Editora ou chegou a pensar que o livro não seria tão aceito como é hoje?
JB: Demorou um bom tempo até que eu encontrasse uma Editora para "Querida Sue". Esse estilo é incomum então eu precisava achar a casa perfeita! Nesse meio tempo, eu escrevi outros romances e li mais sobre escrita. Isso me ajudou até que eu encontrei uma casa para "Querida Sue" e precisei fazer aquelas revisões finais para preparar para a publicação!

ML: Com apenas um livro você foi publicada na Alemanha, Itália, China, França, Espanha e Brasil. Você recebe muitas mensagens de leitores desses países? Já fez alguma sessão de autógrafos em algum desses lugares?
JB: Eu amo escutar os meus leitores de todas as partes do mundo! Eu recebo mensagens - às vezes por e-mail, às vezes por cartas - e eu tento responder todo mundo. Eu fui muito sortuda ao viajar para o Reino Unido e para a Itália para promover essas edições do meu livro. Como a Elspeth, eu não tinha ideia de até onde eu poderia chegar quando comecei essa jornada!

ML: Só espero que também não tenha medo do céu, como a Elspeth tinha medo da água!
JB: Por sorte não tenho medo nem do céu nem da água! (risos)

ML: O que você acha sobre os blogs e sites literários que falam sobre você e resenham seus livros?
JB: Como uma leitora, eu admiro os blogs e sites literários que resenham livros, até porque eles me ajudam a descobrir novos livros. Como uma autora, eu admiro as diferentes opiniões que os leitores podem ter. Eu sei que as resenhas podem vir de várias formas e tamanhos, e respeito a opinião de todos! 

ML: Na sua biografia você se diz "uma apaixonada por ficção histórica". Quais são seus livros favoritos desse gênero?
JB: Eu leio muitos romances históricos e é realmente muito dificil escolher um favorito. Eu me apaixono fácil por qualquer novo livro que estou lendo! Recentemente li "Orphan Train" ("Trem Orfão", em tradução livre - ainda não publicado no Brasil), de Cristina Baker Kline, que eu descobri ser comovente e rico e história, e "The Other Typist" ("O Outro Datilógrafo", também não publicado no Brasil), de Suzanne Rindell, que foi maravilhosamente intrigante.

ML: Já que você gosta de livros sobre as Guerras Mundiais, você já leu "A Garota Que Você Deixou Para Trás"? É da Jojo Moyes* e é sobre um quadro que foi perdido durante a Primeira Guerra. Depois de anos tentando descobrir o verdadeiro dono do quadro e quem é a mulher nele, a dona atual recebe uma mensagem da família do pintor e da mulher no quadro, mas ela resolve tentar descobrir toda a história por trás da pintura.
JB: Eu ainda não li "A Garota Que Você Deixou Para Trás"! Mas eu tenho uma cópia aqui esperando para ser lida!

ML: Para mim, "A Garota Que Você Deixou Para Trás" e "Querida Sue" são dois dos melhores romances que eu li sobre o amor e as Guerras.
JB: Muito obrigada! Então espero que neste verão eu tenha a oportunidade de lê-lo sob a luz do Sol. Este realmente parece o tipo de livro que eu vou amar. 

ML: E você tem algum novo livro em mente? Pode nos contar algo?
JB: Eu estou trabalhando em um novo romance, que também se passar na Primeira Guerra Mundial. É sobre uma artista e um soldado que se conhecem em Paris no final da Guerra e tentam reviver um verão que eles compartilharam alguns anos atrás.

ML: Qual o privilégio de ser uma escritora?
JB: Como uma escritora, eu me sinto privilegiada de poder explorar a condição humada através de minhas palavras. Eu coloco meus pensamentos e minhas emoções nas páginas, e compartilho reflexões em meus livros.

ML: Jessica, você chegou a ver alguma pessoa lendo seu livro em algum lugar?
JB: Ainda não, mas continuo procurando! Acho que seria divertido estar na praia ou no aeroporto e ver alguém lendo meu livro!

ML: O que é pior: começar ou terminar um livro?
JB: Os dois! O primeiro capítulo é sempre difícil de acertar. É ele que atrai o leitor e introduz os personagens e a história. Mas o último capítulo também é importante! Ele precisa dar uma solução honesta para a jornada dos personagens. Eu acho que os começos são para os leitores, mas os finais são para os personagens.

ML: Jessica, muito obrigada pela entrevista! Espero que venha para o Brasil algum dia! Você pode deixar uma mensagem para os leitores do Magia Literária e para os que querem ser escritores um dia?
JB: Não tenha medo de se arriscar. Coloque o seu coração nas suas palavras, seja em uma história ou em uma carta para um estranho. Você nunca sabe para quais aventuras suas palavras podem te conduzir!
 E obrigada pela entrevista, Mariana! Eu adoraria escutar mais dos meus leitores do Brasil! Se vocês estão no Facebook ou Twitter, vocês podem me encontrar em www.facebook.com/,jessicabrockmoleauthor e www.twitter.com/jabrockmole. Eu gosto de compartilhar as coisas que aprendo sobre história ou escrita, e adoro me conectar com os leitores!

RAPIDINHAS:
Se eu fosse outra autora, seria: uma autora maquiavélica que escreve mistérios surpreendentes tão bem quanto escreve romances sobre personagens fortes!
Se eu fosse um livro, seria: um daqueles banais que você deseja que todos os seus amigos leiam!
Se eu fosse um lugar, seria: os planaltos da Escócia.
Se eu fosse um sentimento, seria: diversão.
Se eu fosse uma palavra, seria: efêmero.
Se eu fosse uma frase, eu seria: "Pise na balsa."



* Jojo Moyes concedeu uma entrevista para o ML este ano!
 Você pode conferir o Papo Literário clicando aqui, e a resenha de "A Garota Que Você Deixou Para Trás" clicando aqui.


:: Entrevista feita por: Mariana Mortani
:: Traduzido por: Mariana Mortani



O que acharam, pessoal?

 Eu fiquei imensamente feliz em poder entrevistar a Jessica e conhecer mais da escritora e da pessoa que ela é. Espero que a Editora Arqueiro possa trazê-la para um evento aqui no Rio e em outras cidades algum dia! Me digam o que acharam da entrevista e compartilhem comigo suas opiniões sobre "Querida Sue" e as outras coisas sobre as quais conversei com Jessica!



Comentários

  1. Eu sou uma das que está mega ansiosa para ler Querida Sue, porque ainda tenho esse hábito de trocar cartas, eu também não li ainda A Garota que Você Deixou Pra Trás, mas voltando à autora de Querida Sue, nessa entrevista podemos entender mais o cerne da escrita dela e muitos detalhes que diferenciam o modo como vamos lê-lo!

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  2. Gostei muito da entrevista, cada uma delas mostra como o blog está crescendo. Sobre Querida Sue, até um tempo atrás não queria ler, por achar que seria cansativo, como escrevi na resenha, mas escuto tanta gente falando bem dele que estou mudando de opinião. E se você gosta desse estilo, lei Entre o amor e a paixão, da Lesley Pearse, é continuação de Belle (então leia os dois, se ainda não leu, rs), ela também tem roubada, que é ótimo. Bom, gostei da entrevista, sempre é bom conhecer um pouco mais sobre os autores.

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  3. Infelizmente ainda não li o livro, mas quero muito ler, adorei a entrevista! !

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  4. Adorei a entrevista. Eu também estou muito ansiosa para ler Querida Sue, cada resenha que leio aumenta meu encanto e desejo por esse livro. Não sabia que era o primeiro livro da autora, parece que ela começou com o pé direito!! Será a minha compra do mês!

    Beijos!!

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  5. Amei a entrevista Mari! Muito bem feita.
    A autora parece ser um amor de pessoa.
    Não havia visto o livro ainda, mas andei pesquisando e me pareceu bem legal!

    Beijos

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