[Resenha] Divergente | Veronica Roth


Título: Divergente
Título Original: Divergent
Autora: Veronica Roth
ISBN: 9788579801310
Número de Páginas: 504
Editora: Rocco
Gênero: Distopia, Ficção
Sinopse: Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto.
A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é.
E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive.
“A razão humana é capaz de justificar qualquer mal; é por isso que não devemos depender dela.”
AI. MEU. DEUS. QUE. LIVRO. INCRÍVEL! 
 Desde que "Crepúsculo" foi lançado eu sempre erro a respeito de séries: quando eu fico muito ansiosa me decepciono, quando não quero ler e assisto ao filme baseado no livro sempre amo o mesmo. E isso acontece principalmente com séries! Desde que "Divergente" foi lançado eu não via nada de mais no livro. A capa não chamava muito minha atenção e eu nem me dei ao trabalho de ler a sinopse depois que todo mundo começou a amar a série e a mesma parecia aquela "modinha" toda. O tempo passou, minhas amigas falando da série sem parar e eu sempre sem entender o que a autora tinha na cabeça para colocar o nome dos personagens de Quatro e Tris (ninguém nunca me falou que eram apelidos, não me matem!), até que foi anunciada a adaptação e eu pensei: Ahá, vou ver o filme primeiro. Assisti ao filme antes de ontem e a única coisa que eu consigo pensar/falar sobre é a história. O que eu fiz? Corri na Amazon e comprei meu livro. Conclusão: comecei a ler o livro antes de ontem à noite - só parei 3h da manhã porque estava caindo de sono -, passei o dia todo de ontem lendo e... li as 504 páginas dessa história incrível em um dia, praticamente. Se pudesse (e aguentasse!) eu não teria nem parado para comer.

  Estamos em uma Chicago futurista, onde a mesma é dividida por facções cujo objetivo é separar as pessoas de acordo com seus gostos e objetivos, de forma com que não haja divergências, literalmente. Existem cinco facções, e cada uma foi dividida pelo que seus líderes acreditavam faltar para existir uma ordem mundial: Audácia, onde culpam a covardia; Erudição, onde culpam a ignorância; Franqueza, onde culpam a duplicidade; Amizade, onde culpam a agressividade; e Abnegação, onde culpam o egoísmo. Aos dezesseis anos cada adolescente precisa passar por um exame de aptidão que os ajudará a escolher sua verdadeira facção. Eles podem escolher ficar na facção onde nasceram, ou mudar para uma onde se encaixem melhor, só que não poderão conviver mais com sua família. E é essa decisão que Beatrice, uma abnegada de dezesseis anos que está vivendo o nervosismo que antecede o teste e o dia da grande decisão. 

 Beatrice é uma personagem decidida e frágil ao mesmo tempo e o seu teste só comprova o que o leitor pode ter certeza logo nas primeiras páginas. O problema é que Tori, uma audaciosa que aplica o seu exame, afirma que o mesmo foi inconclusivo, o que deixa Beatrice ainda mais nervosa. Tori explica que o melhor para ela é permanecer em sua facção, pois além de correr um grande perigo, ela não pode se encaixar perfeitamente em nenhuma delas. O motivo? Ela é uma divergente.
"Sinto como se alguém tivesse enchido o meu pulmão com novos ares. Não sou da Abnegação. Não sou da Audácia.
Sou Divergente.
Não posso ser controlada."
 Assistir ao filme primeiro foi bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque se eu amei o filme, obviamente amaria ainda mais o livro; e ruim pelo mesmo motivo, já que uma vez que o livro é sempre melhor, eu mal podia esperar para lê-lo. Foi justamente esse o motivo que me fez comprar o e-book logo e passar todo um dia lendo. Eu acordei cedo, em pleno feriado, e passei o dia inteiro grudada no e-book, devorando cada página e me surpreendi ao começar a resenha e constatar no site da Editora que o livro tem 504 páginas. O kindle só mostra a porcentagem de leitura então eu achei que, no máximo, o livro tinha umas 300 páginas, por eu ter lido tão rápido, mas agora posso dizer que o livro é realmente muito bom.

 Acompanhar o crescimento de Beatrice, ou melhor, Tris durante a leitura é algo incrível. A autora consegue nos mostrar a todos os momentos como a personagem cresce ao mudar de facção (acho que isso não é mais um spoiler, não?) e, obviamente, ao conhecer novos ares e novos sentimentos. Tris não é aquela heroína frágil que sempre se coloca para baixo ou fica se questionando o porquê de o cara que ela gostar estar com ela enquanto existem outras garotas melhores por aí. Ela pode até se questionar, mas tem reais motivos para isso. 

  A escrita da autora é totalmente envolvente, rápida, direta e fluída e, somente quando termina a leitura, percebe como passou o tempo. Achei o enredo tão original e estou escrevendo essa resenha tão empolgada que provavelmente esquecerei d e- ou repetirei - algo. É difícil escrever uma resenha quando livro de empolga de uma maneira incrível, e é exatamente assim que me sinto agora. Tenho certeza que todos, ou pelo menos a grande maioria, dos leitores de "Divergente" se imaginaram na Audácia, pulando nos telhados, treinando com facas e se apaixonando por um de seus instrutores. Ou imaginou como seria deixar sua família para trás para poder, enfim, viver o que você realmente quer. Ou imaginou como seria se você fosse uma grande ameaça para um governo. Sem dúvidas, este é um livro emocionante e empolgante.
"Os seres humanos, de uma maneira geral, não conseguem ser bons por muito tempo antes que o mal penetre novamente entre nós e nos envenene."
 Veronica Roth escreveu uma distopia original, cujo enredo envolvente nos faz pensar sobre nossa própria vida e em como é normal - e preciso - ter várias qualidades, ao invés de uma só. Com "Divergente", a autora nos faz perceber como é preciso ser altruísta para ser corajoso. E ser corajoso para ser altruísta; assim como nos mostra a forma como cada qualidade de cada facção de seu livro pode estar presente em uma só pessoa, o problema é que quando focamos em uma só, esquecemos da outra até voltarmos a precisar dela. 
"Vocês nos escolheram. Agora nós escolheremos vocês.”