[Resenha] Querida Sue | Jessica Brockmole

Titulo: Querida Sue
Titulo Original: Letters From Skye
Autora: Jessica Brockmole
Editora: Editora Arqueiro
ISBN: 8580412633
Páginas: 256
Gênero: Romance Histórico
Sinopse: Março de 1912: Elspeth Dunn, uma poetisa de 24 anos, nunca viu o mundo além de sua casa na remota Ilha de Skye, na Escócia. Por isso fica empolgada ao receber a primeira carta de um fã, David Graham, um estudante universitário da distante América.
Os dois começam a trocar correspondências compartilhando os segredos mais íntimos, os maiores desejos e os livros favoritos e fazem florescer uma amizade que, com o passar do tempo, se torna amor. Porém a Primeira Guerra Mundial toma a Europa e David se oferece como voluntário, deixando Elspeth em Skye com nada além de esperanças de que ele sobreviva.
Junho de 1940: É o início da Segunda Guerra Mundial e Margaret, filha de Elspeth, está apaixonada por um piloto da Força Aérea Real. A mãe a adverte sobre os perigos de se entregar ao amor em tempos de guerra, mas a jovem não entende por quê. Então, durante um bombardeio, uma parede de sua casa é destruída e, de dentro dela, surgem cartas amareladas pelo tempo. No dia seguinte, Elspeth parte, deixando para trás apenas uma carta datada de 1915. Com essa única pista em mãos, a jovem decide ir em busca da mãe e, nessa trajetória, também precisará descobrir o que aconteceu à família muitos anos antes.
Querida Sue é uma história envolvente contada em cartas. Com uma escrita sensível e cheia de detalhes de épocas que já se foram, Jessica Brockmole se revela uma nova e impressionante voz no mundo literário.
"Não se pode acreditar em nada do que é dito em tempos de guerra. As emoções são tão fugazes quanto as noites serenas."
 Eu me interessei por "Querida Sue" a partir do momento em que me falaram que era uma história contada através de cartas e se passa na Primeira e Segunda Guerra Mundial. Eu sou totalmente fascinada pelo assunto e, quando se trata de romances, melhor ainda. Eu esperava um bom romance, só não esperava que ele fosse tão emocionante assim.
"Eu devia ter lhe contato. Devia tê-la ensinado a proteger seu coração. Ensinado que uma carta nem sempre é apenar uma carta. As palavras nas folhas são capazes de inundar. Ah, se você soubesse...""
 Uma filha em busca do passado da mãe, para poder encontrar a si mesma. Uma mulher que vive as mágoas de um amor do passado. Um homem que sofreu durante anos acreditando que viveu uma mentira. Elspeth é uma escritora que mora na pequena ilha de Skye. Sempre sem muitas novidades, sua vida acaba ganhando mais emoção quando ela recebe a primeira carta de um leitor, que é um grande fã. Esse jovem, chamado David, mora nos Estados Unidos e nem  imagina como aquela carta, que será seguida de muitas outras pelos próximos cinco anos, mudará completamente a vida dos dois.

 Eu poderia ficar horas falando sobre e contando toda a história, mas aqui na resenha, acho melhor não falar tanto para que vocês descubram mais sobre esse amor que atravessa não só os mares, mas também décadas. Elspeth é uma mulher um tanto dura consigo mesma e, com David, conhecerá sentimentos que até então eram desconhecidos em sua vida com o marido. David é um cara que encanta desde a primeira carta e, mesmo me deixando meio que com uma raivinha dele em alguns momentos de suas cartas, me fez adorá-lo desde o primeiro instante. Elspeth também é cabeça dura e, ao mesmo tempo que entendo o porquê de ela guardar um segredo durante anos (sem ele, o livro não teria um final tão emocionante), fico me perguntando como teria sido a vida dos dois caso esse segredo não tivesse sido omitido, ou melhor, modificado.
"- Eu nunca o esqueci - disse, finalmente. - Mas vou lembrar por nós duas."
  Este é o primeiro romance de Jessica Brockmole e a única coisa que posso dizer é que mal posso esperar para um próximo livro dela. Ela consegue, facilmente, separar as narrativas, uma vez que quando as cartas são de Elspeth, David, Margareth, Paul e outros, nós reconhecemos a "escrita" de cada um. Quando cartas estão presentes em um livro, normalmente já sabemos que será no minimo tocante, mas quando um livro é contado apenas através de carta... eu ainda não tenho palavras para descrever.
"Você é a razão de  eu franzir o cenho ao nascer do sol e sorrir na hora do poente. Franzir o cenho porque tenho de enfrentar o dia sozinho, sem você ao meu lado. Sorrir porque é menos um dia que teremos de passar afastados."
 Gostei muito de acompanhar a história de Elspeth e David durante todos esses anos. Pode parecer que estou ficando repetitiva, mas vale a pena ressaltar. Eu realmente achei incrível saber apenas do que um conta ao outro (além de outras personagens que surgem depois, para tentar desvendar o mistério através do passado de uma dessas personagens) e nada mais. É angustiante ter aquela sensação de estar perto e longe ao mesmo tempo. Perto porque sabemos o que cada personagem sente, ou o que acontece com as mesmas, porém longe, já que não sabemos de tudo. Sem dúvidas, não consigo imaginar esta história narrada de outra maneira se não em cartas.
"Aqui estou. Não importa onde eu esteja no mundo, "aqui estou".
 Jessica Brockmole mostra em seu primeiro romance como ela é uma escritora maravilhosa. Amor, confiança e distância são três assuntos que farão o leitor terminar a leitura com aquela sensação de felicidade pelas personagens e aquele pesar pela história ter terminado. "Querida Sue" é mais do que um romance escrito através de cartas ou um romance que se passa nos tempos de guerra. Muito mais...
"Agora, para sempre, e depois. Amo você.
David"