Palestra com Aleksander Laks, sobrevivente do Holocausto e autor de "O Sobrevivente"

"Eu estava predestinado a viver e estar aqui hoje para que o meu passado não seja o futuro de ninguém." - Aleksander H. Laks
 Em Outubro de 2010 eu assisti a uma palestra emocionante no meu antigo colégio. Um senhor nos contou sobre o chamado Holocausto, que foi o assassinato em massa de cerca de seis milhões de judeus. Mais de um milhão de crianças, dois milhões de mulheres e três milhões de homens judeus morreram durante o Holocausto, que também teve poloneses, eslavos, deficientes, homossexuais, ciganos e negros entre suas vitimas. Aleksander Laks é judeu e polonês que viveu e sobreviveu ao Holocausto e que hoje viaja não só pelo Brasil, mas por outros países também, contando tudo o que viveu e toda a verdade por traz de toda a perseguição.



 Eu fiquei muito emocionada quando ouvi aquele senhor contanto todas as barbaridades que vivenciou sem rancor. Em nenhum momento ele mostrou raiva, mas sim indignação e felicidade; indignação por humanos terem feito o que fizeram com outros e felicidade por estar vivo e compartilhando sua história. Eu queria comprar o seu livro e na hora não pude, mas pedi que ele autografasse em uma folha branca para que eu colasse na contra-capa do livro quando o comprasse. Tiramos uma foto, olhei no fundo dos seus olhos e a única coisa que consegui dizer foi "obrigada". Ele agradeceu, me abraçou forte e eu passei os últimos quatro anos sempre lembrando da data que o conheci.

 Antes de conhecer o Sr. Laks eu já tinha uma amiga judia que, carinhosamente, respondeu todas as minhas incontáveis perguntas sobre sua religião e o Holocausto (obrigada, iris ), além de trocarmos várias ideias sobre as Grandes Guerras e pronto: fiquei fascinada. Desde então sempre leio livros que abordam o assunto e cada vez admiro mais todas as pessoas que viveram durante o periodo. Hoje estou no último do Ensino Médio e quando entramos na matéria da Segunda Guerra Mundial não pensei duas vezes: precisava levar o senhor Laks para uma palestra em meu novo colégio.
 O meu professo de história, Luciano, ouviu minha sugestão com carinho e me ajudou a realizar um desejo que eu tinha há muito tempo: rever esse homem que é um grande exemplo. Em sua palestra ele conta fatos desde o seu nascimento até o dia 02 de setembro de 1945, quando a Alemanha perdeu a Segunda Guerra Mundial e os guardas que "cuidavam" dos campos de concentração fugiram, deixando os prisioneiros mais apreensivos e cheios de dúvidas sobre a liberdade repentina, afinal, eles não tinham nem noção de data, hora ou locais e não poderiam imaginar o que se passava na guerra.

 Aleksander conta mais ou menos o que está escrito em seu livro "O Sobrevivente" (leia a resenha clicando aqui), lançado pela Editora Record. Resumindo, ele é um judeu nascido na Polônia. Sua mãe faleceu após as complicações de seu parto e, aos doze anos, ele viu sua cidade virar ''o gueto'', um lugar onde somente judeus viviam. Aleksander nem era um adolescente quando já tinha que lidar com fome, morte e miséria. A busca por comida começou a ficar mais e mais difícil, até que Aleksander teve que embarcar com sua família para o lugar que até então era uma incógnita, mas agora tinha um nome: Auschwitz, um campo de concentração/extermínio onde tudo iria piorar mais.

 Aleksander viveu 6 anos em meio a fome, viu sua segunda mãe caminhar para a morte, viu seu pai morrer de disenteria e se viu sozinho tendo que recomeçar do zero quando se viu livre de Auchwitz. Seu pai tinha uma irmã no Rio de Janeiro, e ao lembrar-se de que seu pai havia dito à família que caso eles se separassem, o encontro seria no Rio de Janeiro, ele enviou uma carta ao Comitê Judaico do Rio. Essa carta foi publicada em um jornal e chegou por acaso nas mãos da família dele.
 Uma história e tanto, não? E se você ficou pensando como seria ouvir alguém contando sobre como foi vivenciar tudo isso, não imagina o quão emocionante é sua palestra. Fiquei orgulhosa por lotarmos uma sala, por ver gente emocionada durante toda a palestra e, principalmente, por ter a oportunidade de ouvir o Sr. Laks mais uma vez. Quando ele chegou no colégio fui logo falar com ele e com a cuidadora que o acompanhou (obrigada, Rosangela!) e não posso nem descrever como foi abracá-lo de novo. Falei sobre minha amiga, sobre o livro e sobre a emoção de vê-lo novamente. Ele foi muito atencioso, me respondia rindo e fazendo brincadeiras. Enquanto da primeira vez eu fiquei sem palavras, dessa vez eu não queria perder um minuto ao lado dele.
 Depois da palestra expliquei que gostaria de ter um outro autógrafo em meu livro e ele, carinhosamente, me escreveu mais uma dedicatória! Eu havia revelado nossa primeira foto logo depois de tê-lo conhecido e pensei que seria legal mostrá-la para ele, eu só não imaginava que seria da forma que foi: eu disse "Sr. Laks, eu tenho algo para te mostrar" e entreguei a foto. Ele abaixou a cabeça, olhando para ela e a alisou. Continuei: "É a nossa primeira foto, do dia 20 de Outubro de 2010, há quase quatro anos, quando nos conhecemos. Achei que o senhor ia gostar de ver e..." fui interrompida pelo olhar emocionado e carinhoso dele. Ele acariciou meu rosto e disse "Obrigado". Será que vocês conseguem imaginar que fiquei, novamente, sem palavras? Ele colocou a foto do lado contrário, escreveu nela e disse "Leia". Estava escrito "Menina, você está cada vez mais bonita". Na hora de me despedir pedi outra foto, a que está logo aqui acima, (já falei que não queria perder um minuto e, considerando que amo fotos, queria tirar o máximo que pudesse) e ela acabou saindo um pouco parecida com a primeira - o que me fez chorar quando a vi no computador.
 Me despedi com um longo abraço, dizendo "obrigada" pela milésima vez e  ainda não tenho palavras para descrever o que senti ao estar na presença dele novamente e ainda não imagino nem por onde começar a agradecer por ter a oportunidade de abraçar esse homem feliz e espirituoso que sempre tem um sorriso no rosto e emociona e inspira todos a sua volta. O Sr. Laks é um é um exemplo de vida, é um homem que sobreviveu a fome, miséria, maus tratos, doenças contagiosas e câncer e, mesmo assim, não reclama de nada, não fala nada com rancor, não tem raiva. Ele trata todo mundo como igual, com um olhar amigo, com gratidão. Ele sofreu uma grande mudança que o marcou para o resto da vida, mas, hoje, é ele que muda (para melhor) a vida de todos que tem a honra de ouvir sua história. 

 Abaixo vocês podem conferir algumas fotos (todas as fotos eu postei na Fanpage do ML) além do inicio e do final da palestra:




Sr. Laks, obrigada por ter sido forte. Obrigada pelo carinho. Obrigada, obrigada, obrigada!