[Das Páginas Para as Telas] Homens, Mulheres e Filhos (Men, Women & Children)



Título: Homens, Mulheres e Filhos
Título Original: Men, Women & Children
Baseado no livro: Homens, Mulheres e Filhos (Men, Women & Children), de Chad Kultgen
Distribuidora: Paramount Pictures
Direção: Jason Reitman
Produção: Jason Reitman
Roteiro: Jason Reitman e Erin Cressida Wilson
Elenco: Emma Thompsom, Ansel Elgort, Kaitlyn Dever, Adam Sandler, Rosemarie DeWit, Jennifer Garner ,Judy Greer, Dean Norris, Olivia Crocicchia, Elena Kampouri, Travis Tope, J.K. Simmons, David Denman, Katherine Herzer, Haysbert, Timothée Chalamet.
Sinopse: Adultos, adolescentes e crianças amam, sofrem, se relacionam e compartilham tudo, sempre conectados. A internet é onipresente e, nesta grande rede em que o mundo se transformou, as ideias de sociedade e interação social ganham um novo significado. Algumas situações como um casal que não tem intimidade; uma garota que quer ser uma anoréxica melhor; um adolescente que vive em num mundo de pornografia virtual, fazem o expectador repensar a relações humanas.
"How frequently is the misunderstandings, how effort to quenching... [...]"
"Quão frequente são os mal-entendidos, quanto esforço em se extinguir... [...]"
 Homens, Mulheres e Filhos não foi um livro que chamou minha atenção logo de cara. Recebi um exemplar, juntamente com um ingresso para assistir ao filme, do Grupo Editorial Record e pensei: "é, vamos dar uma chance". Só que para a minha surpresa, eu gostei muito mais do livro do que poderia imaginar (confiram a resenha aqui) e menos do filme do que gostaria.
 Don Truby tem 37 anos e um relacionamento ruim com Patrícia, sua esposa. Ela evita o máximo que puder ter relações sexuais com ele e se mostra cada vez mais distante. Os personagens interpretados por Adam Sandler e Rosemarie DeWitt respectivamente são os primeiros que conhecemos no filme e os que mais conhecemos na vida real: casais que vivem de aparência. Eu adoro o Adam e ele conseguiu fazer o Don que eu imaginei de maneira ainda mais perfeita. Rosemarie traz uma Patrícia menos indiferente do que no livro, mas também não deixa a desejar. Os dois são aquele típico casal que a partir de certa idade já não se comunica e chega até a se questionar o porquê de estarem juntos, até encontrarem "uma saída". Acho que eles conseguiram cumprir com o os personagens precisavam (não tem como falar exatamente para não dar spoiler) e bateu aquele orgulho por conseguirem deixar a mensagem bem clara (vocês vão entender o orgulho daqui a pouco).
 Cris, interpretado por Travis Tope, é filho de Don e Patrícia. Don descobrirá que tem muito mais em comum com o filho do que podia imaginar: assim como ele, Cris é viciado em pornografia - só que gosta de vídeos de mulheres humilhando homens. Uma coisa que senti falta no filme foi justamente um aprofundamento da personalidade de Cris, que não é tímido como aparenta, e último detalhe que mencionei sobre seus "gostos" não é mencionado e você quase se esquece que ele fez parte do filme até ele aparecer novamente. Cris vai despertar o interesse de Hannah e também não gostei da maneira como deixaram alguns detalhes sobre eles passar. A primeira vez deles no filme é a última deles no livro e deveriam mostrar mais os motivos para Hannah se afastar. Ela de repente menciona (os "gostos"  lembram?) e acabou. Não mostram realmente e imagino que as pessoas vão entender e deixar para lá, mas realmente me incomodou.
 Hannah é a típica patricinha que todos os garotos do colégio desejam. Só que ela tem uma mãe que a torna ainda pior, já que mantém um site com fotos da filha com a desculpa de divulgá-la como modelo e chegar a torná-la uma grande atriz de Hollywood, mas a verdade é que, além desses sonhos, o site meio que as sustenta já que homens se inscrevem para acompanhar as fotos sensuais de Hannah e pagam por isso. Olivia Crocicchia e Judy Greer conseguem desempenhar seus papeis incrivelmente bem. A Hannah do livro é ainda mais ridícula (pelo que envolve o relacionamento com Cris, principalmente), mas tirando essa mudança, não tem como Olivia não ser ela. Judy é uma atriz maravilhosa e dessa vez também não fica para traz. Em uma de suas últimas cenas ela consegue deixar toda a emoção que sua personagem pede e passa tudo para o telespectador, além de deixar uma ótima mensagem sobre como pais podem ser obcecados pelos filhos.
 Apesar de no livro elas se odiarem, Hannah até que é amiga de Alisson e Brooke no filme. Tudo bem que elas aparecem apenas uma vez conversando e nas outras em ensaios e jogos, mas é isso que dá entender. Alisson é uma menina que sofre de anorexia e é apaixonada por Brandon, um babaca do seu colégio. Mesmo ele a tratando com indiferença, ela ainda gosta dele e sonha em ter sua primeira vez com ele, além de dar seu primeiro beijo. Eu não conhecia a atriz que interpreta Alisson, mas ela chega bem perto do que eu imaginava para a personagem. Os acontecimentos dela foram modificados também, mas a ideia central não foi alterada e eu agradeço por isso (não tinha como mudar!).
 Brooke é a melhor amiga de Alisson e namora Danny. Você, que assistiu o filme, deve estar se perguntando: quem é Brooke? E esse Danny? Eles estão muito presentes no livro, são os protagonistas da última cena e nem aparecem direito no filme. Brooke é líder de torcida e você só a vê se procurar, Danny quer ser quarterback titular do time do colégio e aparece mais algumas vezes, mas não consigo nem me lembrar se seu nome é mencionado. Na hora do filme eu nem que toquei, mas ele é o tipo de personagem que está ali só para mostrar que não existem apenas os personagens principais, ao mesmo tempo que não chega a ser um figurante. No livro não é assim e isso me incomodou profundamente quando comecei a fazer essa resenha e parei para pensar nos dois. Para vocês terem noção, se eu esquecia do Cris até ele aparecer, Brooke e Dany não estavam em meus pensamentos nem quando apareciam, já que era de relance. Por mais que tirá-los quase que completamente da história não altere na vida dos outros personagens, quem leu o livro vai sentir falta sim.
 E chegamos aos que se tornaram principais sem serem realmente. Tim Mooney, personagem de Ansel Elgort, está sendo odiado por todos os jogadores do time da escola, inclusive Danny que era seu amigo, e quem dirá até pela escolha inteira. Ele era o principal e melhor jogador do time e nas férias ele conheceu o mundo dos vídeo games após ser abandonado pela mãe que já está noiva de outro homem e não quer saber de outra coisa. Ele tem uma certa paixonite por Brandy Beltmeyer, interpretada por Kaitlyn Dever, uma garota simples que procura não chamar atenção e nem se importa com as besteiras que as outras garotas se importam.  Ansel e Kaitlyn nos envolvem totalmente quando estão em cena. Quando terminei de ler o livro percebi que eles são meio que o centro de tudo e no filme, tornaram os dois meio que os personagens principais. No livro, não é que todas as outras relações e acontecimentos sejam por causa deles, mas quando paramos para pensar eles estão no centro de todas as relações  e acredito que quiseram chamar mais atenção esse fato. Claro que colocar Ansel Elgort, o galã do momento graças à seu personagem em A Culpa é das Estrelas, nos pôsteres não seria a atoa - sem falar que o filme é mais voltado para os adolescentes do que o livro (já já falaremos sobre isso). Ansel e Kaitlyn me fizeram esquecer do Tim e da Brandy do livro e me fizeram analisá-los como se fosse a primeira vez que eu os conhecesse. A personalidade deles é a mesma e as cenas poderiam ser ainda melhores se acrescentassem algumas do livro, mas as que estiverem presentes foram o suficiente para me fazer adorar e torcer por eles ainda mais pela simplicidade de sua relação. 
 E Jennifer Garner também está presente no filme, só que para nos fazer odiá-la. Ela interpreta Patrícia, a mãe superprotetora de Brandy. Ela está de olho em cada passo da filha a rastreando, fazendo uma limpeza no computador dela semanalmente e tendo todas as senhas de todas as redes sociais que Brandy acessa. Patrícia ainda tem uma espécie de clube com os pais de outros personagens para alertá-los dos perigos da internet, de maneira até meio insana. Já repararam como nunca há um meio termo para os pais nesses filmes atuais? Ou os pais são totalmente indiferentes e não sabem nada sobre seus filhos, ou eles o protegem demais. Jennifer interpreta uma mulher que é o exemplo mais extremo do segundo tipo de pais que citei. Ela consegue nos passar a frieza e ironia que há na personagem e me envolveu até mais do que no livro. Eu adoro a atriz e fiquei imaginando como seria vê-la em um papel como esse e devo dizer que superou todas as expectativas.
"Our planet is a lonely specimen, in the grand and inveloping cosmic dark. In our obscurity, in all this wilderness, there's no hint there help can came for elsewhere to save us from ourselves. Liking it or not, the Earth, is were we made established.""Nosso planete é um espécime solitário, nessa grande e envolvente escuridão cósmica. Em nossa obescuridade, em toda essa vastidão, não há garantia de que a ajuda pode vir de outro lugar se não de nós mesmos. Gostando ou não, a Terra é onde nós nos estabelecemos."
 Se eu parar para analisar Homens, Mulheres e Filhos independente do livro, digo que é uma ótima história sobre a adolescência e a maduridade. Se for analisar comparando ao livro, digo que a história deixou a desejar, e muito.  Eles conseguem explorar a vida de vários personagens e eu diria, até, que é graças à narração de Emma Thompson (<3). No livro, a narrativa em terceira pessoa é natural, no final é quase uma necessidade. Se Emma não estivesse ali, narrando e interpretando alguns fatos, muitos não conseguiram entender o ponto principal do filme. Nele os personagens são mais velhos e acredito que acharam que adolescentes de 13 anos não poderiam ter atitudes como as que estão no livro (e estão bem enganados!) e resolveram não tratar dos temas da maneira polêmica como são no livro. Os temas estão presentes, mas de maneira mais leve e alguns até imperceptíveis (alô, Chris).

 Homens, Mulheres e Filhos traz uma história que nos lembra como podemos estar tão longe um dos outros graças à internet, meio de de comunicação que deveria nos aproximar. Temos pais, filhos, amigos e familiares que não se conhecem mais, apenas sabem que estão ali. No geral, é um filme muito, muito bom e deixa a desejar se você já leu o livro - o que é o meu caso - porém, mesmo assim, não posso dar menos de 4 estrelas, já que é uma adaptação, o que já nos anuncia mudanças, e até que consigo entender que duas horas não é um bom tempo para explorar tudo o que o livro nos permite. Não deixei de gostar da história, ainda mais por ter a oportunidade de acompanhar nas telas, e por me relembrar um pouco do que senti ao ler o livro, que se tornou uma das minhas melhores leituras de 2015. Indico que leiam primeiro e depois me contem o que acharam do filme também.

 Aproveito para agradecer o Grupo Editorial Record e a Paramount Pictures pelo ingresso e convite!

 Leia a resenha do livro que originou o filme  clicando aqui