[Resenha] Três Dias Para Sempre | Janda Montenegro


Título: Três Dias Para Sempre
Autora: Janda Montenegro
ISBN: 9788581636580
Grupo Editorial: Novo Conceito
Selo: Novas Páginas
Número de Páginas: 272
Assuntos: Romance, Drama
Sinopse: Três dias para sempre - Quanto tempo você precisa para saber que está apaixonado? Uma semana? Um mês? Um ano? Line e Teo só precisaram de três dias. E, em três dias, eles vivem uma paixão que, pela sua vontade, duraria para sempre. 
Line mora sozinha no Rio, ainda juntando os cacos depois que o seu noivo a abandonou no dia do casamento. Sem um emprego decente, sem um amigo sequer e sem coragem de voltar para a sua cidadezinha natal, ela vê os dias passarem enquanto aguarda algum sinal do destino
sobre qual caminho seguir. No ônibus ela conhece o brasiliense Teo, que está na cidade a passeio, curtindo o verão mais escaldante dos últimos mil anos. Olhares trocados, mensagens de
texto e uma vontade incontrolável de se ver mais uma vez... É assim que começam as paixões mais gostosas. Para Line, poderia ser apenas uma distração (maravilhosa) para as noites quentes
de Copacabana, seja nos barzinhos junto com a galera ou na (quase) privacidade do apê onde Teo está hospedado. O problema é que um coração cansado de sofrer se preenche com a maior facilidade e Teo não pode ir embora sem saber que mudou a vida dela para sempre.
"Talvez tudo que Eveline precisasse agora fosse encarar o novo ano com outros olhos, outras atitudes, e permitir que finalmente sua vida melhorasse."
 Conheci Janda Montenegro nas vésperas do lançamento de seu primeiro livro, Por Enquanto, Adeus, e me lembro bem de terminar o livro encantada com a história, os personagens e a narrativa. Quando comecei Três Dias Para Sempre automaticamente buscava aquela Janda do primeiro livro que li que me pegou logo nas primeiras páginas mas, infelizmente, não aconteceu.
"Eu não sei nem o que fazer com meu cabelo, quem dirá com minha vida."
 Eveline é uma personagem que logo de cara nos apresenta o motivo de seu mau humor no primeiro dia do ano: ela tem 27 anos, está no aeroporto, esperando pessoas que nem conhece por causa do seu trabalho. Ela trabalha em um hotel no Rio de Janeiro e só trabalha lá pois precisava de um novo recomeço. Line, como prefere ser chamada, é baiana, se apaixonou por um carioca que passou pela sua cidade e acabou se mudando para a cidade, Rio de Janeiro, para que eles se casassem. Mas Line foi traída e abandonada no altar e no hotel onde a cerimônia seria realizada. É aí que aparece Raffa, gerente do hotel, que decide ajudá-la.

 Line aceita, então, uma proposta de trabalho no hotel em troca de  moradia e é por isso que ela está trabalhando no primeiro dia do ano à espera de hóspede nas primeiras horas do primeiro dia do ano. Mas parecia que as novidades na vida de Line não chegavam nunca, até que algo dá errado naquele dia de trabalho e alguns imprevistos farão com que os próximos dias de sua vida sejam especiais.
"Seria amor, já?"
 A narrativa em terceira é bem fluída, a escrita de Janda é fácil de se acompanhar, tanto que quando você percebe já está na página 100, e Eveline é uma personagem bem real, diga-se de passagem. Ela consegue ser verdadeira justamente por ser contraditória. Existem várias mulheres como Line por aí: foram traídas e passaram a se sentir inseguras ao invés de dar a volta por cima e agradecer pelo traste ter saído de sua vida. Não quero julgar as atitudes de ninguém, mas juro que não conseguia entender certas atitudes da personagem nem quando lembrava de seu passado. Line conseguiu viver meses com aquele sentimento guardado e é quando um turista chega em sua vida que ele estará presente novamente. E ela se deixa enganar.

 Acontece que eu não consegui ver verdade no relacionamento dela com Teo justamente porque não deveria haver. O cara disse desde o primeiro momento o dia em que ele ia embora e deixou claro que só queria curtir (o que se espera de alguém solteiro, no Rio de Janeiro, em pleno ano novo - e nas demais épocas), mas parece que Line esquece isso depois do primeiro dia juntos. Duas provas disso são: uma série de mensagens nos últimos capítulos (é no final, mas contou muito para minha opinião sobre a personagem) e uma quase cena de ciúme ao ver a possibilidade de seu mais novo amor ter alguém esperando por ele em sua cidade e, mesmo que ela tenha dito que fica preocupada pois sabe como é ser traída, a sensação que fica é a de ciúme por ela estar sendo traída, sendo que ela sabe quando o cara vai embora e que aquilo é algo passageiro. 
"Naquele instante, Line percebeu que, junto de Teo, o melhor plano era não planejar"
 Mas, Mariana, e como o cara se comportava em relação a ela? Teo não chegava a se mostrar apaixonado, ele apenas estava ali, aproveitando a companhia e os momentos, como deveria ser. "Como deveria ser" porque o cara é turista, no Rio de Janeiro, quer fazer o que? Curtir com mulheres. Ele encontrou uma para ficar mais de uma vez, só que a moça já achou que era amor. Ele pode até chegar a falar em viagens para se encontrarem, tentar fazer planos e tal, mas juro que, para mim, ele falava por falar e a Line deveria pensar nessa possibilidade. Eu não consegui ver um relacionamento ali e eu acho, até, que é isso que a autora queria mostrar. Eu sei que é ficção, que não é real, mas para mim não importa o gênero, eu preciso ver verdade na história e, por mais verdadeira que a Line seja, não consegui gostar do seu relacionamento justamente porque consigo ver alguém agindo assim na vida real e não acho certo. O final do livro é inesperado, mas eu não consegui aceitar. Existia uma outra solução  (não posso comentar nada mais, vocês terão que ler) e eu fiquei pensando que o final não seria uma prova de que a autora queria mostrar que o destino estava poupando Line de mais sofrimento. 
 A diagramação do livro está tão linda que dá vontade de ficar só admirando. No início de cada capítulo temos um pequeno calendário com a contagem de capítulos que logo lembra o porquê do título, além do Cristo Redentor e o Pão de Açúcar. Nos rodapés temos os famosos calçadões de Copacabana, bairro presente como cenário do livro. Falando nisso, algo que gostei bastante foi o fato de Janda mencionar ruas, bairros e locais, o que fazem o leitor que conhece tais locais se identificar, de certa forma, com os personagens e, os que não conhecem, conseguem imaginar como são graças aos detalhes presentes na medida certa.

 Três Dias Para Sempre traz a história que aborda amor repentino, insegurança e destino. O livro não teve um romance que me conquistou, mas como eu costumo dizer, cada história faz cada pessoa ter uma reação e, dessa vez, o livro não me agradou por inteiro, porém foi uma leitura fluída sim e o ritmo da escrita de Janda Montenegro ajuda no rendimento da leitura. Li o livro em dois dias (teria lido em um se não fosse o Carnaval) e realmente espero que vocês leiam pois verão que existem muitas Lines e Teos por aí. E depois venham me contar a opinião de vocês!