[Das Páginas Para as Telas] Cinderela (Cinderella)


Título: Cinderela
Título Original: Cinderella
Baseado em: "Cendrillon", de Charles Perrault
Elenco: Lily James, Richard Madden, Cate Blanchett, Helena Bonham Carter, Holliday Grainger, Sophie McShera, Stellan Skarsgård, Nonso Anozie, Derek Jacobi, Hayley Atwell e Ben Chaplin.
Distribuidor: Disney / Buena Vista
Sinopse: Após a trágica e inesperada morte do seu pai, Ella (Lily James) fica à mercê da sua terrível madrasta, Lady Tremaine (Cate Blanchett), e suas filhas Anastasia e Drisella. A jovem ganha o apelido de Cinderela e é obrigada a trabalhar como empregada na sua própria casa, mas continua otimista com a vida. Passeando na floresta, ela se encanta por um corajoso estranho (Richard Madden), sem desconfiar que ele é o príncipe do castelo. Cinderela recebe um convite para o grande baile e acredita que pode voltar a encontrar sua alma gêmea, mas seus planos vão por água abaixo quando a madrasta má rasga seu vestido. Agora, será preciso uma fada madrinha (Helena Bonham Carter) para mudar o seu destino...
"Just because it's what's done, doesn't mean it's what should be done."
"Só porque é feito, isso não significa que deve ser feito."
 Quem não conhece Cinderela? Ou, pelo menos, a (mais famosa) versão Disney? A maioria não sabe, mas a primeira versão de Cinderela é de Stabo e é chines,a publicada em 860 a.C. (nunca encontrei o título) e depois dela a história foi contada e, consequentemente, modificada milhares de vezes. Conhecidas mesmo, tivemos uma versão italiana intitulada La Gatta Cenerentola (A Gata Borralheira,) que ficou famosa depois de Charles Perrault (dono da mais conhecida versão) afirmar ter se inspirado nela, e a versão dos Irmãos Grimm que, ao contrário do que muitos pensam, não foi a versão que inspirou a Disney. Os motivos vocês saberão durante o post.
Have courage and be kind.
Tenha coragem e seja gentil.
 Ella era uma criança quando sua mãe faleceu a deixando apenas com boas lembranças e uma promessa que nunca foi esquecida. Anos depois seu pai resolve dar uma nova chance a si mesmo e se casa novamente, mesmo que não ame a mulher escolhida. A mesma, Lady Tremaine, tem duas filhas, Anastasia e Griselda, que são mimadas e logo de cara passam a tratar a meia-irmã mal. O pai de Ella acaba morrendo de repente, os anos se passam, Ella cresce tendo o coração bom mesmo diante do tratamento da madrasta e suas filhas e ela será recompensada.
 Lily James não é má atriz, longe disso (e já começo o parágrafo o dizendo antes que alguém ache que estou afirmando isso). Antes de Cinderela eu só havia ouvido falar dela graças ao seriado Downton Abbey (que tenho muita, muita vontade de assistir) e gostei quando a escolherem para a personagem-título do filme pois, à primeira vista, achei que ela trazia a beleza delicada que era necessária. Até aí tudo bem: Lily nos lembra, de fato, a Cinderela que emocionou e segue emocionante ao público; mas não me envolveu. Os comentários na internet me fizeram esperar um filme emociante, que ia me envolver do início ao fim e que me faria, quem sabe, até chorar no final. Mal estávamos em 40 min de filme e eu já me perguntava quando a história ia ficar boa e me envolver. E, para vocês terem noção, o filme é praticamente idêntico à animação.

 Eu nunca fui uma grande fã de Cinderela (algo engraçado: eu era muito criança quando assisti pela primeira vez mas perguntei para minha mãe o porquê de ninguém calçar o mesmo número da personagem na cidade dela haha) e apesar de gostar do filme da Disney, os anos se passaram, mais perguntas apareceram (principalmente: por que as pessoas só achavam que a mensagem do filme não ia além de "seja boazinha e receba um príncipe de recompensa"?) e, com a novidade do filme live-action eu pensei: é agora que eu e todo mundo vamos nos encantar com a verdade. Mas não.

 Repetir várias vezes "seja corajosa e gentil" só fez parecer a mensagem da história pior. Ao invés de "seja boa e ganhe um príncipe", ficou "seja idiota, aceite qualquer tratamento ruim e ganhe o amor verdadeiro". Idiota, sim, porque a Cinderela de 1950 era boa e ingênua mas sabia que a madrasta e as irmãs eram más e, por mais que não as trate igual, o fato de ela saber lidar com elas é o que diferencia. A Cinderela de 2015 age como se o tratamento delas fosse normal, uma justificativa para qualquer coisa. Tá, okay, dessa vez ficou claro que era o amor o que Cinderela e o príncipe sentiam um pelo outro pois temos mais diálogos dele falando sobre seus sentimentos, mas isso não melhora em nada.

 A única resposta que tivemos foi do sapatinho e, ouso dizer, foi a parte mais emocionante do filme e que me fez, em pleno cinema, quase gritar "isso!" pois o que eu sempre disse era verdade. Quando eu falava sobre isso com alguém a pessoa dizia "ah, é mágico, faz parte da história só caber na protagonista" e ninguém nunca me respondeu da forma como eu queria e como o filme afirma: (spoiler) o sapatinho não cabe em outra pessoa porque, sim, é mágico, mas é porque ele mesmo se recusava a caber em outra pessoa que não fosse Cinderela. É como se, magicamente, ele mudasse de tamanho a cada mulher para que só por ser de Ella. E aí você vai dizer: "grande descoberta, Mariana!"; mas, repito, ninguém nunca me respondeu e entendeu essa simples coisa.
"- Cinder-wench!
 - Dirty-Ella!
 - Cinder-Ella! That's what we'll call you.
 - Oh girls, you're so clever!"

"- Moça-cinzenta!
 - Ella-suja!
 - Cinza-Ella!) É assim que vamos te chamar.
 - Oh, meninas, vocês são tão inteligentes! "
 Por outro lado, Cate Blanchett, a madrasta, tem grande destaque no filme. Não que sua personagem tenha muito mais cenas ou falas, acontece que ela simplesmente se destaca quando aparece. Holliday Grainger e Sophie McShera também nos lembram as insuportáveis Anastasia e Griselda e até o gato Lúcifer nos faz soltar um "own" disfarçado de "oh" quando aparece (acho que em 20 minutos de filme já estávamos entediados). Tem uma cena adicional da madrasta que não me lembro, de verdade, se é do conto de Perrault, mas eu gostei dela e da forma como parte do final ficou melhor por conta dessa cena, de certa forma.
"Where there is kindness, there is goodness. And where there is goodness, there is magic."
"Onde há gentileza, há bondade. E onde há bondade, há magia."
 Helena Bonham Carter sempre me deixa admirada no mais simples dos papéis. Apesar desse loiro ter ficado meio estranho (costume de ver ela morena) e de eu achar que, para a fada madrinha de um live-action de Cinderela, Kathy Bates era A atriz (já imaginaram que perfeito?), Helena consegue desempenhar seu papel maravilhosamente bem e me fez ficar com um sorriso no rosto desde seu surgimento como velhinha até sua última fala. Foram os melhores 5 minutos seguidos do filme. E ela também é a narradora do mesmo e arrasa ao usar tom e entonação perfeitos para fazer o telespectador se dar conta ou refletir sobre algo.
"A Prince is not free to follow his heart. He must marry for the good of the kingdom.""Um príncipe não é livre para seguir seu coração. Ele deve se casar para o bem do reino."
O príncipe. Ah, o príncipe! E não é que eu até que gostei dele? Richard Madden dá vida ao personagem que, na animação da Disney, não mostra tanto os seus sentimentos e tem uma nova oportunidade nessa versão. Como já mencionei, gostei de um diálogo dele e de seu pai e de o personagem tentar, pelo menos, mostrar que é mais do que o príncipe perfeitinho (mesmo que as pessoas continuem o vendo assim). Eu só queria que as pessoas pensassem mais na mensagem sobre o amor porque ela vai muito além do amor à primeira vista.

 Contos x Filme + Curiosidades
(contém spoiler)
  • Cinderela (1950) e, consequentemente, Cinderela (2015) não foram baseados em Aschenputtel, dos Irmãos Grimm, como muitos pensam e, sim, em Cendrillon, de Charles Perrault (isso está creditado nos dois filmes), que foi baseada em La Gatta Cerenentola, uma versão italiana que foi baseada na versão original chinesa que é de 860 a.C.;
  • A versão original chinesa tem um gigante peixe dourado (!) como fada madrinha;
  • Nas versões mais antigas Cinderela  tenta assassinar a madrasta para que ele se case com uma empregada e por isso ela se torna má;
  • No conto original, os ratinhos não ajudam Cinderela a sair do sótão. Um ajudante do príncipe a vê na janela (e isso está presente nessa versão de 2015);
  •  A versão de Perrault inclui a fada madrinha e a abóbora, que não estão presentes na versão dos Grimm;
  • Na versão dos Irmãos Grimm não temos uma árvore que cresce no túmulo da mãe de Cinderela e que representa a figura dela. No caso, Cinderela sabe algumas palavras mágicas que a ajudam na realização de desejos (como no filme A Floresta Mágica - Into The Woods)
  • Na mesma versão, as irmãs ficam cegas ao serem atacadas por pombos que perfuram-lhe os olhos, além de elas cortarem calcanhares e dedos para o sapatinho caber em seus pés;
  • Nesta versão, podemos perceber que as cores dos vestidos das mulheres no baile se repetem. Isso pode até não significar nada mas, ao começar a contar a quantidade de vestidos da mesma cor (sim, eu fiz isso!) perceber que não era por acaso: os vestidos tem cores e detalhes de vestidos de outras princesas Disney. Eu consegui reconhecer vestidos que homenageiam Bela, Autora, Branca de Neve e Tiana;
  • Em uma entrevista, Lily James disse que, ao calçar o sapatinho pela primeira vez, ele não serviu nela (ironia? haha).
Cinderela 2015 cumpre com a promessa de ser uma homenagem ao filme de 1950, mas só isso não basta. O filme só trouxe me expectativas e, ouso dizer: prefiro a animação ao live-action (e isso não
deferia acontecer). De qualquer forma, as atuações não deixam de ser boas e o filme em si é bom, o que me decepcionou mesmo foi o fato de não trazer nada novo, não aproveitar a oportunidade esclarecer as mensagens ser menos encantador do que a animação.

Comentários

  1. Amo Cinderela. Sempre foi - e sempre será - a minha princesa favorita. Desde pequena sou encantada pela história. Amo todas as versões de Cinderela e meus preferidos, sempre será a versão de 1950 juntamente com a versão de 2007 (por causa das musiquinhas *-*)
    Também sempre tive dúvidas do sapato, então muito obrigada pelo spoiler <3

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    1. Eu adoro as releituras de Cinderela, acredita, Thayane? haha
      Algumas bem leves e divertidas são: Um Conto da Nova Cinderela (meu favorito!), Outro Conto da Nova Cinderela e Era Uma Vez Uma Canção, que são filmes protagonizados por Hilary Duff, Selena Gomez e Lucy Hale respectivamente.
      O filme valeu pelo sapatinho! hahaha
      Obrigada pela visita! Volte sempre ;)

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  2. quero muito ver o filme, acho que é a primeira vez se eu nao me engano que eu vejo esse contos da disney serem feito por pessoas reais e nao em desenho, adorei as curiosidades, algumas elas eu ja sabia porque ja tinha lido a versao verdadeira do conto

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    1. Eu acho que vale a pena ver as novas versões, com certeza. Não perca mais tempo, Emanoelle! Haha

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  3. Eu adorei o filme, o papel da madrinha combinou muito com Bonham Carter kkk
    Fui assisti o filme mais para ver o curta de Frozen (me julguem)
    Mas acabei amando os dois <3

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    1. Eu esperaria mais para ir ao cinema ver Cinderela se não fosse o curta de Frozen, então, bate aqui, Lissandro! \o hahahaha

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  4. Ainda não vi o filme, mas pelas resenhas parece ser um filme ok, com figurino e cenários bem bonitos, achei que fosse algo mais estilo Malévola.

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    1. É um filme muito bom, Rosana, mas eu não gostei justamente por não trazer nada novo. Sei que a proposta era uma homenagem, mas não consegui ver nada de espetacular.

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