[Resenha] O Diário de Anne Frank | Anne Frank

Título: O Diário de Anne Frank
Título Original: Het Achterhuis - Dagboekbrieven 
Autora: Anne Frank
ISBN: 9788501068200
Grupo Editorial: Record
Editora: Record
Número de Páginas: 416
Sinopse: Não ficção
Sinopse: Anne Frank escreveu em seu diário toda a tensão que a família Frank sofreu durante a Segunda Guerra Mundial. Ao fim de longos dias de silêncio e medo aterrorizante, eles foram descobertos pelos nazistas e deportados para campos de concentração. Anne inicialmente foi para Auschwitz, e mais tarde para Bergen-Belsen. Seu diário destaca sentimentos, aflições e pequenas alegrias de uma vida incomum, problemas da transformação da menina em mulher, o despertar do amor, a fé inabalável na religião e, principalmente, revela a rara nobreza de um espírito amadurecido no sofrimento.
"Tenho os meus ideais o meu modo de pensar e os meus planos, embora ainda me falte a capacidade de traduzir tudo isto em palavras." 

 Ao contrário da grande maioria das coisas que marcam a minha vida, eu não me lembro de como conheci Anne Frank. Eu me lembro de não começar a ler o livro por acaso. Me lembro de me perguntarem se eu havia lido e, só de lembrar, já ficar errepiada. Lembro, também, dos vários documentários que assisti que a mencionavam. Mas a verdade é que realmente não me lembro a primeira vez que falei sobre Anne Frank e do momento que Anne passou a fazer parte de minha vida - parece que não houve um momento porque ela sempre esteve presente. E, sim, "fazer parte de minha vida", porque quando eu tinha 13 anos, li o livro de uma menina de 13 anos que ganhou um diário de presente de aniversário e, a partir daí, compartilhou sua emocionante história com ele. Ela só não imaginava que mais de 70 anos depois sua história seria conhecida pelo mundo.
"[...] acho que mais tarde ninguém se interessará, nem mesmo eu, pelos pensamentos de uma garota de 13 anos. Bom, não faz mal.Tenho vontade de escrever e uma necessidade ainda maior de desabafar tudo o que está preso em meu peito."
 Annelies Marie Frank tinha apenas 3 anos quando Adolf Hitler assumiu o poder em Frankfurt, na Alemanha, e seus pais, ao temeram o que poderia acontecer caso continuassem no país, decidiram se mudar para Aquisgrano. Na verdade, apenas Anne, sua mãe Edith e sua irmã três anos mais velha, Margot, que foram para a cidade ficar com a mãe de Edith, enquanto Otto, pai de Anne, permaneceu em Frankfurt até receber uma oferta de emprego em Amsterdã e toda a família se mudar para lá.
"A gente não faz ideia de como mudou até que a mudança já tenha acontecido."
 Quando Anne tinha 11 anos a Alemanha invadiu os Países Baixos e as crianças judias passaram a estudar apenas em escolas judaicas. A partir daí as coisas só pioraram. As irmãs Frank tiveram que deixar os amigos para trás, seu pai teve que renunciar um grande cargo na empresa que era diretor e, aos 13 anos, Margot recebeu uma carta que ordenava que ela fosse para um dos campos de concentração nazista. Otto, então,  decidiu que apressariam uma ideia que ele já havia alimentando há tempos: eles se mudariam para um anexo secreto atrás de sua empresa.
"O Anexo é um lugar ideal para se esconder. Pode ser úmido e torto, mas provavelmente não há esconderijo mais confortável em Amsterdã. Nem em toda a Holanda."
 Somos apresentados, então, à Victor Kugler, Johannes Kleiman, Miep Gies, Jan Gies, Bep Voskuijl e Johannes Hendrik Voskuijl, que trabalhavam no escritório e eram as pessoas que ajudavam a família Frank a permanecerem vivos e escondidos. Depois de um tempo, Hermann, Auguste e Peter van Pels se juntaram à família no esconderijo e, posteriormente, Fritz Pfeffer também passou a fazer parte do moradores do "abrigo". Anne teve um pequeno envolvimento com Peter, que tinha 16 anos, e nos conta sobre a personalidade de cada pessoa, compartilha seus sentimentos por cada um e as diferenças que, obviamente, estavam presentes e dificultavam o relacionamento muitas vezes.
"É mais fácil murmurar os sentimentos do que dizê los em voz alta."
  Até hoje não consigo dizer o que mais me impressiona e envolve no diário de Anne. Não sei se é a sinceridade de suas palavras, o sofrimento em sua vida, a alegria que ela ainda passa mesmo diante de tanta maldade ou, simplesmente, ela. É impressionante como ela consegue nos envolver. Quando ela começa a falar sobre coisas relacionadas à Guerra, queremos saber mais sobre as pessoas do Anexo e seus sentimentos; quando ela menciona coisas que envolvem o Anexo e seus moradores, queremos saber sobre a Guerra. A todos momento queremos mais de Anne.

Eu recebi do Grupo Editorial Record a 47ª edição de O Diário de Anne Frank com esta capa, mas ganhei da Paty, do Delírios e Livros, a 43ª edição, com a capa dura, estampa xadrez vermelha e verde e uma representação de cadeado pois era assim que Anne descreve seu diário. Eu quase chorei quando abri o embrulho e, ao abri-lo, me encantei com a diagramação maravilhosa que a Record preparou. Temos fotos de Anne, fotos da família, fotos dos que os ajudaram a sobreviver e, o mais legal: a letra de Anne. Eu estou apaixonada por essa edição de capa dura e sou toda elogios. Poderia ficar um tempão só olhando, admirando, a capa (não que eu não tenha feito isso).

 O Diário de Anne Frank é leitura obrigatória para os que, assim como eu, se emocionam com histórias das Grandes Guerras. É impossível conseguir colocar em uma resenha tudo o que o livro representaAnne Frank nos faz sorrir, chorar, se preocupar e torcer para um final feliz, mesmo que já saibamos a realidade. Não importa quantas vezes eu releia o livro ou apenas aquela última anotação de Anne, sempre irei me lembrar do que ela me fez sentir ao ler suas palavras e o que ela me ensinou. Anne queria ser escritora, queria ser jornalista e queria que o mundo conhecesse sua história. Ela pode não ter realizado o sonho de fazer a faculdade mas, hoje, seu livro, seu querido diário, está sempre na lista dos mais vendidos e sua história continuará a ser exemplo para as pessoas daqui a 20, 30, 40 anos.
"Para ser franca, não consigo imaginar como alguém poderia dizer "Eu sou fraco" e continuar assim. Se você sabe isso ao seu respeito, por que não luta contra, por que não desenvolve o caráter?"
Dica: Quem acompanha o blog sabe como eu amo livros que trazem as Grandes Guerras como tema porque, sendo de ficção ou não, eles sempre me trazem uma mensagem, um aprendizado que está presente nas entrelinhas do livro e que me marcam de alguma forma. Por isso, quero mencionar aqui O Sobrevivente, de Aleksander Henryk Laks. Eu nunca vou cansar de falar sobre esse livro porque o Sr. Laks é um sobrevivente do Holocausto, escreveu o livro falando sobre seus momentos em Auschwitz (mesma rede de campos de concentração para qual Anne e sua irmã foram levadas) e eu tive o grande prazer e a honra de conhecê-lo. Só de lembrar já me emociono e convido vocês a se emocionarem comigo lendo este post, onde conto como foi que o conheci e como foi o momento em que o reencontrei. Tenho certeza que, se você leu O Diário de Anne Frank e se emocionou, vai se sentir tão emocionado quanto (ou até mais) ao ler O Sobrevivente e os relatos de um homem que passou a adolescência em um campo de concentração, perdeu os pais, se viu sozinho no mundo e, mesmo assim, conseguiu ser forte o ser forte o suficiente para não ter raiva dos nazistas e contar sua história para todos espalhando amor e carinho por aí.

Curiosidades: 
  • Anne começou a editar o próprio diário quando ouviu um membro do governo holandês anunciar em uma rádio que, quando a guerra terminasse, seria criado um registro público de holandeses sob opressão dos nazistas;
  • O pai de Anne foi o único sobrevivente entre os que moravam no Anexo;
  • Miep guardou o diário de Anne e entregou ao pai dela quando se encontraram;
  • O livro foi publicado pela primeira vez em 1947;
  • A Casa de Anne Frank, um museu fundando em memória de Anne, foi inaugurado depois de seu pai e o Instituto Anne Frank lutarem contra a demolição do local onde ela e sua família haviam se escondido. Hoje o local recebe milhares de visitantes de diversos países e religiões que admiram Anne;
  • Um filme em stop-motion está sendo criado para que tenhamos um material atualizado de Anne Frank e para que sua memória continue viva.

Comentários

  1. Lindoooooooooooooo livro!
    Lindaaaaaaaa Resenha...

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  2. Anne Frank foi um dos primeiros livros que li e até hoje sou apaixonada pela história dela. Essa nova edição só me deixou com mais vontade de rele o livro. ♥
    Tudo que Motiva

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    Respostas
    1. Essa edição é incrível, Rosana! Acho que vai ser difícil superarem essa!

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  3. Eu estou com esse livro aqui a uns dois anos, porém nunca o peguei para o ler, toda a vez que acho que ainda não estou maduro o suficiente, mas acredito que desse ano não passa.

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