[Resenha] Abzurdah | Cielo Latini



Título: Abzurdah
Autora: Cielo Latini
Número de Páginas: 290
Gênero: Biografia
Sinopse: Una muchacha camina al borde del abismo. Cielo Latini, niña precoz, sensible y creativa, educada en una familia 'normal', siempre una enfant terrible fascinada por el arte y por 'mecomoami' en el que miles de adolescentes hacían público su derecho a ser anoréxicas, los intentos de suicidio, la autoflagelación. Y finalmente, la resurrección, la cura, a través de la palabra. Hoy es una bellísima joven de 21 años, que ha sobrevivido al infierno para poder contarlo. Abzurdah es un vibrante testimonio, una historia impactante por su crudeza, porque refleja la realidad de miles de adolescentes. Su autora, además de coraje e inteligencia, tiene el claro don de la escritura, que le permite mantener en vilo al lector hasta la última página.
 "Bueno, en primer lugar tendría que presentarme, decirles quién soy. O mejor quién no soy: no soy normal. "
"Bom, em primeiro lugar deveria me apresentar, lhes dizer quem sou. Ou melhor, quem não sou: não sou normal."
 Conheci Abzurdah depois que uma de minhas atrizes argentinas favoritas publicou uma foto com o que parecia ser simplesmente um caderno com o título desse livro escrito. Mas não era um simples caderno. Era o roteiro de um filme que ela dizia estar muito feliz em fazer parte e que seria a protagonista. Logo fui pesquisar e li muitas coisas a respeito de Cielo Latini, a autora do livro. A protagonista do livro. A adolescente que tanto sofreu por amor. Acompanhei as fotos do elenco no período de gravação e, por mais que eu quisesse conhecer a história, li resenhas tão fortes que acabei deixando passar. Só que essa semana o filme estreou na Argentina e há algumas semanas eu criei coragem e comprei o livro. Li em um dia, mas tive que voltar e reler várias partes. Por que? Porque a gente costuma dizer que "está bom demais para ser verdade", mas, nesse caso, era ruim demais até para ser verdade.
 "Ésa soy yo: quien excede los límites de lo normal. Pocas veces para bien."
"Essa sou eu: quem excede os limites do normal. Poucas vezes para o bem."
 Cielo Latini teve problemas de autoestima desde a infância. Nunca teve amigos verdadeiros, sofreu bullying por estar acima do peso, seus pais não lhe davam a devida atenção, sua mãe lhe forçava a fazer coisas que as filhas de suas amigas faziam só para se sentir bem ao lado delas, a menina que ela achou ser uma boa amiga deu em cima do garoto que ela gostava só para mostrar que ela não era boa o suficiente... e isso tudo é só o começo. Nos primeiros capítulos ela nos fala sobre sua infância e parte da adolescência, mencionando fatos importantes que, de certa forma, a influenciaram a fazer coisas no futuro e as pessoas que fizeram parte de sua vida. Conhecemos características de colegas de classe, vizinhos, família e eu me perguntava: "é realmente necessário escrever sobre isso tudo?" Depois descobri que sim.
"Yo no soy la Cenicienta, ni Hansel y Gretel. Soy más bien el lobo. Un lobo confundido, ultrajado y autodestructivo."
"Eu não sou a Cinderela, nem João e Maria. Sou bem mais o lobo. Um lobo confundido, indignado e autodestrutivo."
 Até Alejandro aparecer no livro, realmente fiquei me perguntando o porquê de Cielo falar sobre tudo o que a levou até ele. Ao terminar a leitura me dei conta de que se ela simplesmente contasse a partir do momento em que o conheceu muitas coisas ficariam sem explicação. Não explicação, na verdade, mas sem sentido. Acontece que tudo que Cielo passou antes de Alejandro a influenciaram indiretamente a ser quem ela se tornou. Ela mostra como nós somos o que somos no presente por conta de nosso passado e, mesmo que ainda não nos damos conta, as influências da infância são as mais fortes. 
"Si no es sacrificio no es amor."
"Se não é sacrifício não é amor."
 Cielo se tornou dependente de Alejandro e de seu falso amor, dependente de sua atenção, dependente de seu interesse disfarçado de amor, dependente de sua presença. Mas quem é Alejandro? Alejandro é um cara que ela conheceu em um chat e que só seria seu amigo, se ela não se apaixonasse. E ele , sendo anos mais velho, parecia corresponder. A partir daí, se Cielo considerava sua vida ruim, a frase "sempre pode piorar" se encaixa perfeitamente. Cielo faz tantas loucuras por causa dele, se sente tão mal por ele não lhe dar tanta atenção ou não a elogiar ou não aparecer, que eu fiquei chocada, indignada, triste, com o coração apertado, com raiva, com horror durante a leitura. Cielo se tornou muito dependente de Alejandro e de uma forma incrível ela consegue passar tudo isso em suas palavras. Ela consegue mostrar para o leitor que ela estava fora de si, que seu coração estava com Alejandro, que sentia prazer em se machucar porque ele a machucava. Sim, quando eu digo "se machucar", quero dizer que ela de automutilava, 
"El amor es perro. Pero aún si pudiera elegir vivir sin amor, no lo haría."
"O amor é cão. Mas ainda se pudesse escolher viver sem amor, não o faria."
 Cielo não "só" se autoflagelava como parou de comer, teve que lidar com bulimia, anorexia, fascínio pela morte e ficou cada vez mais amorosa e sexualmente dependente de Alejandro. Ela chegou a criar um blog chamado "mecomoami" ("Me Como a Mi") onde relatou o que ela passava com os distúrbios alimentares e compartilhava parte de sua história com outras milhares de meninas que sofriam de anorexia e bulimia também. Foi através da escrita que Cielo conseguiu começar a se criticar e ver que precisava mudar por ela e por mais ninguém. Acho que por ser uma biografia o que vou dizer agora não é spoiler, pois se você procurar por ela na internet já vai ver o que aconteceu, mas ela fez tratamento psicológico, ficou em uma clínica de reabilitação, se recuperou e assim nasceu Azbzurdah.
"Que quede claro: cuando hablo de relaciones obsesivas no lo hago metafóricamente; estoy siendo más literal que nunca."
"Que fique claro: quando falo de relações obsessivas não o faço metaforicamente; estou sendo mais literal que nunca."
 Já li livros que me envolverem em suas histórias de maneiras impressionantes, mas nenhum deles foi como Abzurdah. Nenhum deles me envolveu de uma maneira, de certa forma, ruim. Eu me senti mal ao ler tudo o que Cielo se permitiu fazer por causa de um amor. Me senti mal por ela não ter alguém que a apoiasse. Me senti mal por parecer que ela não superou Alejandro por completo. Me senti mal pois sua escrita é verdadeira, sensível e te prende. Me senti mal por tudo, a cada capítulo, a cada página, a cada palavra.

 Cielo Latini tem uma história incrível, porém trágica. Saber que ela superou tudo o que passou não  foi o suficiente para me fazer me sentir melhor no final da leitura e a culpa que ela sentia por tudo o que fazia, passou para mim. Era como se eu me sentisse mal por não poder abraçá-la e dizer "ei, você conseguiu!" e só assim que me convenceria de que toda a angústia que eu senti com o livro e que Cielo sentiu durante anos foi superada. Cielo foi absurda, sua história é absurda e seu livro é uma vitória.
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 Li o livro em espanhol e e-book (comprei na Amazon, com a capa antiga) e quero muito comprar o livro físico com a capa atual, que é o poster do filme. Assim como na Argentina, o livro foi lançado aqui pela Editora Planeta, mas a edição em português esgotou em 2013. Abaixo vocês podem conferir o trailer e a versão da Eugenia "China" Suarez, que interpreta Cielo, da música Tratame Suavemente, do incrível Gustavo Cerati (que é o cantor favorito de Alejandro).
"Cómo puede amar y odiar a una misma persona?"'"Como pode amar e odiar uma mesma pessoa?"

Comentários

  1. Hello Mari!
    Nossa eu to impressionada com a vida dessa moça! Sério, chocada!
    Fiquei com vontade de ler o livro, mas nao sei se dou conta... Sou mto sensível e as coisas ficam na minha cabeça por dias...
    O trailer eu ja fiquei sem palavras... Ela precisava de ajuda com certeza!
    Excelente dica de livro e de filme!
    Bjus

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  2. Ai! Sei exatamente a sensação de quando você descobre que seu artista preferido vai estrear um filme que é adaptação de um livro.
    Não falo espanhol, mais achei o livro uma perfeição divina, e esses quotes encaradoramente encantadores!

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  3. Não gostei muito do livro, não é meu estilo. A capa é linda, mas para mim não tem nada haver com o título e a resenha. Acho que faltou algo.

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  4. essa capa em sí, já é muito sugestiva, de cara vi que a personagem sofria de bulemia, e quando li a resenha realmente estava certo, a historia parece ser um pouco macabra... mas é interessante.

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  5. Não sou muito fã de biografias, mas o livro parece ótimo.
    A temática também é forte, não é o tipo de livro que eu gosto de ler. Mas que bom que o livro te agradou tanto assim.

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  6. Olá. Você descreveu com perfeição o que eu senti ao ler Abzurdah. Gostaria de saber quais outros livros argentinos você já leu e recomenda. Tem algum? Ou algum livro de qualquer idioma com esse envolvimento que Abzurdah tem. Essa vontade de encontrar o personagem e se tornar o melhor amigo dele. Você me recomenda algum livro?

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