[Resenha] Fragmentados | Neal Shusterman


Título: Fragmentados
Título Original: Unwind
Autor: Neal Shusterman
ISBN: 9788581635194
Grupo Editorial: Novo Conceito
Selo: Novo Conceito
Número de páginas: 320
Gênero: Distopia
Sinopse: Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria .
Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.
O vencedor do Boston GLobe-Horn Book Award Neal Shusterman desafia as ideias dos leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o que realmente significa estar vivo.
"As autoridades transformaram a coisa toda em uma arte."
 Há algum tempo um amigo me mostrou um vídeo chamado Unwind - Short Film onde algumas pessoas que leram um livro chamado Unwind decidiram que ele merecia mais atenção e fizeram uma cena do livro modificada (não vou dizer quem ou o que modificaram para não acabar a graça) e conseguiram me deixar sem palavras e muito muito muito ansiosa para ler o livro. Por sorte, o livro já era confirmado como lançamentos de Julho do Grupo Editorial Novo Conceito e, quando chegou para mim, eu só queria uma coisa: começar a ler. Li o livro em dois dias e só porque, em algum momento, eu tive que dormir, só que, mesmo assim, eu não me separei da história, já que sonhei que era parte dela durante a noite. Aviso que essa resenha será grande, mas garanto que valerá a pena ler. E, se você estiver com preguiça, só vá até o final e assista o vídeo. Depois você vai querer ler a resenha para saber mais sobre a história.
"- Se não houvesse fragmentação, haveria menos cirurgiões e mais médicos. Se não houvesse fragmentação, eles voltariam a tentar curar as doenças em vez de só substituir órgãos ruins pelos de outras pessoas."
 Estamos nos Estados Unidos, anos depois da segunda Guerra Civil dos EUA, também conhecida como Guerra Heartland, que dividia o país em dois grupos: pró-vida e pró-escolha. Depois de várias mortes, incluindo a de cirurgiões que eram a favor do aborto, e de mulheres engravidando apenas para vender o tecido fetal, os dois lados resolveram lutar e, só então a Lei da Vida surgiu. O aborto foi aprovado, mas apenas entre os 13 e 18 anos. Como isso é possível? Basicamente a família cria o filho e, se entre os 13 e 18 anos os pais dizem que nunca quiseram ter o filho ou simplesmente decidem que ele é um problema, eles assinam uma ordem que permite que o filho seja fragmentado. Ser fragmentado significa ter seu corpo dividido em partes que serão destinados a outras pessoas que precisam deles para sobreviver, mas, a questão é: se seu cérebro, seu sangue, seus membros, seus tecidos e seus órgãos estarão divididos por aí, porém "vivos" em outras pessoas, isso significa ou não a sua morte?
"Ele se comprometeu a fazer isso e tem que ir até o fim."
 Connor tem suas dúvidas sobre isso. Ele tem dezesseis anos e pode não ser o melhor filho do mundo, mas também não se considera uma completa decepção mesmo com todas os problemas e brigas em que se envolve. Pelo menos era isso que ele achava. Ele descobriu, por acaso, que seus pais assinaram sua ordem de fragmentação e, em pouco tempo, ele será encaminhado para o Campo de Colheita e seus pais nem se deram o trabalho de lhe contar. É quando ele resolve fugir e lutar por sua sobrevivência, mesmo que ele não tenha ideia de onde deve ir ou o que deve fazer.
"- Tudo bem ficar assustada. Toda mudança é assustadora. - Mudança. - grita Risa - Como assim 'mudança'? Morrer é um pouquinho mais do que uma 'mudança'."
 Risa tem certeza que sim. Ela tem quinze anos, é uma tutelada da Casa Estatal e, apesar das notas medianas e do talento como pianista, o Estado não acha que ela fará grande diferença e resolve fragmentá-la. Mas Risa não está disposta a ser fragmentada. Ela não tem muito tempo para pensar no que irá fazer, mas ela sabe que vai conseguir fugir.
"Foi para isso que eu nasci. Foi para isso que vivi. Eu fui escolhido. Sou abençoado. Sou feliz."
 Lev não vê a fragmentação dessa maneira. Na verdade, ele não se considera um fragmentário. Os fragmentários estão indo para a fragmentação pois são tão problemáticos que seus pais assinam a ordem sem pensar duas vezes torcendo para se livrarem logo dele. Pera ele, ele é um dízimo, ele é mais do que um simples fragmentário, ele está oferecendo sua vida a Deus. Ele tem treze anos, é o décimo filho de seus pais que, por serem religiosos, dão 10% de tudo o que tem para a igreja e isso também inclui os filhos. Existem dízimos de todas as religiões e Lev foi criado para ser o orgulho da família. E ele é. Ele vai ser. Pelo menos é o que ele pensa até dois adolescentes cruzarem o seu caminho.

 Fragmentados não é o tipo de distopia que traz adolescentes contra o governo, é MUITO mais do que isso. Eu estou, até agora, sem saber exatamente o que falar desse livro. É tudo tão diferente de todas as distopias que li e tudo tão incrivelmente insano e possível que chega a assustar.  O autor conseguiu misturar elementos que são discutidos atualmente pela sociedade com fatos e possibilidades e voilá, criou um futuro que é totalmente possível se você parar para pensar e analisar tudo o que é explicado e citado durante a leitura. 
"- As pessoas não deveriam abandonar bebês que são deixados à porta delas. - é o que Lev finalmente diz. - As pessoas não deveriam entregar bebês pela cegonha. - responde Risa. - Tem um monte de coisas que as pessoas não deveriam fazer. - afirma Connor." 
 A questão da cegonha que é citado no quote, por exemplo: quem nunca escutou aquela velha história de "a cegonha trouxe o bebê para a mamãe e o papai". Isso, literalmente, acontece. Assim como a questão de doações de órgãos: a gente sabe que as doações tem crescido nos últimos anos, mas, se as pessoas não doassem, o que aconteceria? A questão do aborto: quantos pais tem os filhos e decidem depois de meses ou, por mais louco que possa parecer, decidem depois de anos que na verdade não era isso que queriam? A questão de crianças abandonadas: quantas crianças crescem revoltadas por irem para adoção ou nem isso? É tudo possível, é tudo verdadeiro, é tudo de arrepiar.

“Você aprende uma coisa depois de ter vivido tanto que eu vivi: as pessoas não são completamente boas ou completamente ruins. A gente passa a vida toda entrando e saindo das sombras e da luz.”
 Como a doação de órgãos é algo bem presente, acho que devo falar mais sobre. A doação ainda não é algo comum e, por mais que eles querem fazer a fragmentação parecer uma incrível solução, aqui nós temos a venda de órgãos e de todas as partes do corpo da pessoa fragmentada. Nem médicos existem mais, apenas cirurgiões, afinal, porque você quer tratar algo se pode substituir? Eles também avaliam as partes do corpo da pessoa segundo suas habilidades e gostos para, quando forem vende-las, o comprador possa escolher. Por exemplo: você precisa de uma mão nova. Você prefere uma mão de uma pessoa comum, qualquer, ou uma mão de um lutador, um músico, um engenheiro, um escritor...? Daí você escolhe qualquer uma dessas, mas você não tem esse dinheiro, então vai ficar com a comum mesmo. É repugnante? Sim, eu sei.
"[...] as pessoas não são completamente boas nem completamente ruins. A gente passa a vida toda entrando e saindo das sombras e da luz."
 A escrita de Neal Shusterman é rápida e o ritmo é mantido do início ao fim. Achei ótimo o fato de a narrativa em terceira pessoa não focar apenas nos três personagens principais, mas também em personagens e acontecimentos fundamentais para o desenvolvimento da história, pois dessa forma nós temos uma visão ampla de tudo que está acontecendo e conseguimos entender ainda melhor toda a situação. O livro não possui altos e baixos e a história nos faz, propositalmente, ter dúvidas que logo serão respondidas, o que mantém o suspense na medida certa.
"- Vocês, fragmentários, são todos iguais. Sempre acham que só porque ninguém ama vocês, então vocês não podem amar ninguém."
 Connor, Risa e Lev são personagens incrivelmente bem construídos. Mesmo sem saber como foi a infância de cada um, nós conseguimos ver as influências que essa fase da vida trouxe para cada um na adolescência e nós conseguimos ver o objetivo do autor em relação a cada um.  Reconhecemos eles em suas atitudes só que isso não é algo clichê, nós simplesmente sabemos o que esperar deles assim como eles sabem o que esperar uns dos outros. É como você e um amigo. Você já sabe o que seu amigo pensa antes de ele falar e sabe como ele vai agir diante de certas coisas. O autor nos faz conhecer seus personagens e criar uma relação com os mesmos de forma que seus sentimentos e sensações são passados para nós. E, aqui, não estou falando apenas dos três principais.
"-Esse será o lar de vocês até que façam dezoito anos ou nós encontraremos um patrocinador permanente disposto a falsificar sua identidade. Não se enganem quanto a isso: o que fazemos aqui é completamente ilegal, mas isso não significa que não obedeçamos a uma lei. A minha lei."
 Gostaria de falar sobre cada personagem que me impressionou, que me envolveu e que me deixou com raiva, mas imagino que vocês prefiram conhecê-los e tirar suas conclusões, como eu, ao invés de já esperar algo deles por conta de minha resenha. Vou me contentar em dizer que quando você pensa que tudo vai permanecer como está, alguém vem e muda sua opinião. Quando você pensa que não pode surgir algo novo, surge algo muito maior do que o esperado. Quando você pensa que um local é o certo, bom... vou parar por aqui.


 Fragmentados, que foi publicado originalmente em 2007, é seguido de UnWholly (Incompleto, em tradução livre), UnSouled (Desalmado), e UnDivided (Indivisível), publicados em 2012, 2013 e 2014 respectivamente. Este primeiro livro possui um final, mas o autor nos deixa algumas pistas do que vem por aí e eu terminei o livro já louca para ler o próximo. Basta torcer para a Novo Conceito publicar as sequências em breve e não termos que esperar 5 anos como foi nos EUA.
"Ele só fará a coisa errada quando esta for a coisa certa a fazer."
Fragmentados é o tipo de livro que não te permite apenas lê-lo; você tem que entender os personagens, sentir o que eles estão sentindo e, principalmente, ter uma opinião sobre tudo. Neal Shusterman criou uma história fascinante que consegue mostrar desde a bondade até a crueldade humana de maneira real e, quando ele diz nos Agradecimentos do livro que "o que separa a ficção da realidade é mera racionalização", ele está completamente certo e fiquei feliz de ter entendido o objetivo do autor durante a leitura. Só posso terminar a resenha recomendando que leiam o livro o quanto antes e não deixem essa história passar. Connor, Risa Lev e todos os fragmentários merecem sua atenção.


ATUALIZAÇÃO 21 de Julho
Como vocês bem me conhecem, quando eu amo um livro, como aconteceu com Fragmentados, eu logo entro em contato com o autor e eu estou MUITO feliz em atualizar a resenha dizendo que o Neal Shusterman me contou que os direitos foram vendidos para a Constantin Films e o livro terá uma adaptação! O script está sendo preparado e depois começarão com a produção, testes de elenco e etc, então já estou de dedos cruzados para termos novidades em breve.


 Abaixo vocês DEVEM conferir o vídeo que mencionei e que acabou se tornando teaser do livro. Não saiam daqui sem ver. Sério. 


E eu gostei tanto do livro que resolvi gravar um vídeo sobre ele. Não deixem de conferir, tem sorteio!

Comentários

  1. Não conhecia o livro e fiquei querendo muito ler. Amo distopias e esse me chama a atenção pelo autor ter escrito algo que num futuro pode realmente acontecer, e também fiquei curiosa para conhecer os personagens.

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    1. Leia, leia, leia! Estou indicando o livro para todo mundo porque é realmente o tipo de livro que todo mundo deveria conhecer e ler, Maisanara! Não deixe de me me contar o que achou depois ;)

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  2. Nossa Mari, meu Deus agora eu preciso ler este livro. Curiosa para conhecer todos os personagens e toda a trama.
    Esse vídeo me deu arrepios. Para falar verdade a primeira vez que vi este lançamento não me interessei muito, e não prestei atenção no assunto, mas agora quero muitooooo ler.

    livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

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  3. OMG eu tenho que ler esse livro, e logo, ele deve ser muito bom, estou super curiosa para ler, ainda não li nada do gênero, mas creio que sera do meu agrado.
    Beijos *-*

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    1. Eu amo distopias, Camila, mas tenho que dizer que esse está entre meus favoritos do gênero agora. Não deixe de ler!

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  4. Muita gente comentando sobre o llivro na minha time line! E eu só fui ler a sinopse e sobre livro agora no seu blog! E devo dizer q me deixou bemmmm curiosa! Confesso que pela capa achei q era de et.. Hehe. E to chocada com esse aborto! Absurdoooo!
    Os pais dão a vida, mas não tem direito de tira-la!
    Gostei ja de casa dos 3 protagonistas! Principalmente esse último q tem a família religiosa! Achei diferente e me deixou mto intrigada com tudo!
    Gosto de distopias e esse realmente me deixou curiosa com tudo... Qdo vc falou q eles tinham q esperar ate aos 18 anos pra ficarem livres, não imaginava que eles ainda fossem tão novos e q demoraria anos!
    Com certeza quero ler! Ameiii a dica!

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    1. Fico feliz que tenha lido sobre o livro aqui no ML, Suzzy \o/
      E sim, acho que o Lev é o personagem que mais surpreende principalmente por causa da religião. As mudanças, as descobertas... ah, você precisa ler! hahaha
      Pois é! A questão da idade está me deixando ainda mais ansiosa para próximo livro porque, bom, é uma série! E não é que eles vão conseguir resolver tudo no próximo livro, então estou louca para saber o que acontece. Li comentários ótimos sobre todos os livros da série, acho que o autor não irá decepcionar mesmo.

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  5. Olá. Então Fragmentados é minha leitura atual, faltam só umas cinquenta páginas para eu terminar e estou uma adrenalina haha. Me arrepiei com esse Teaser, é de apertar o coração. Está sendo uma das melhores distopias que já li, e com certeza terá uma ótima adaptação!
    Bjs

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    1. Preciso comentar com alguém que tenha lido, então você bem que podia me mandar um e-mail! hahaha
      Entrou para minha lista de distopias favoritas também e eu não sei se estou mais ansiosa para ter notícias sobre a adaptação ou sobre o lançamento do próximo volume aqui no Brasil hahaha
      Beijos!

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    2. Eu li o livro, e amei ele!!! Voltei aqui haha porque eu tinha que dizer.
      Fiquei arrepiada com o final, e achei bem justo. Com certeza tem que virar filme logo, não vejo a hora da escolha de elenco, pois já estou imaginando o Conner na minha imaginação, haha
      Bjs

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  6. Ai carambaaaaa!! Nao podem fazer isso comigo! eu sou uma viciada em distopia, fa de todas as distopias que lançam (ok, todas nao :/ infelizmente tem uma distopia que eu nao consigo terminar: Silo)! Mas eu nao tenho dinheiro pra tanto lançamento distopico assim naaaao o.o Amei a resenha, amei o teaser!! preciso ler

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    1. PRECISA mesmo ler, Jacqueline! Se já ama distopias, como eu, vai se encantar ainda mais com Fragmentados!

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  7. Já tinha visto sobre o livro, mas essa é a primeira resenha que leio, e se antes eu queria ler, agora eu sei que não poderei deixar de ler. Esse video confesso que dá medo

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  8. O que é isso,minha gente?! Fragmentar as pessoas?! Louco demais! kkkk Parece muito interessante e instigador.Tem muita gente falando super bem desse livro.Soube que apesar de uma série, o final é bem fechadinho e quem nem viram a necessidade de continuação. Mas enfim, quero pra já!

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