[Resenha] A Garota no Trem | Paula Hawkins

Título: A Garota no Trem
Título Original: The Girl On Train
Autora: Paula Hawkins
ISBN: 9780857522320
Grupo Editorial: Record
Editora: Record
Número de Páginas: 372
Gênero: Thriller
Sinopse: Um dos maiores fenômenos editoriais dos últimos tempos, o thriller psicológico The Girl on the train, de Paula Hawkins, surpreendeu até mesmo seus editores e a própria autora, nascida e criada no Zimbábue, que vive em Londres desde os 17 anos: em menos de um mês, o livro – que vem sendo comparado pela crítica a uma mistura de Garota exemplar e Janela indiscreta – ultrapassou a impressionante marca de 500 mil exemplares vendidos e alcançou o primeiro lugar nas listas de mais vendidos em todos os países em que foi publicado (Reino Unido, Irlanda, EUA e Canadá) desde seu lançamento em janeiro. A trama, que gira em torno do desaparecimento de uma jovem mulher, com três narradoras femininas duvidosas, conquistou fãs como o mestre do mistério Stephen King, que publicou em sua conta do Twitter que o “excelente suspense” o manteve acordado a noite inteira: “a narradora alcoólatra é mortalmente perfeita”.
"Perdi o controle sobre tudo, até sobre os lugares dentro da minha cabeça."
 Quando o livro de Paula Hawkins foi anunciado como lançamento da Editora Record eu passei a desejá-lo no momento em que vi a capa. Eu só não me lembrava que  já queria A Garota no Trem antes disso. Só me lembrei disso quando escrevi um post para o blog da autora Isabela Freitas sobre 5 atrizes que amam ler e compartilham esse amor nas redes sociais e Reese Whiterspoon, que é uma dessas atrizes que citei, havia postado uma foto do livro no Instagram. Seu comentário e os comentários de seus seguidores me fizeram imaginar várias coisas sobre a história mas, assim como aconteceu durante a leitura, eu não acertei tantas coisas como gostaria.
"De manhã, embarco no trem nas 8h04, e, na volta, pego o das 17h46. É o meu trem. É nele que viajo. É assim que as coisas são."
 Rachel é uma mulher solitária. Uma mulher solitária, divorciada e alcoólatra. Ela foi demitida do seu emprego por justa causa depois de chegar bêbada para uma reunião e arruiná-la, mas sua amiga, Cathy, não sabe disso. Cathy é a dona da casa em que Rachel tem um quarto e, para não admitir o que é e manter a mentira, ela sai de casa todos os dias omo se fosse trabalhar. Ela sai de casa cedo, passa o dia em Londres, anda pela cidade, visita a biblioteca e volta para casa como se estivesse cansada de um dia de trabalho. Ela não ama a cidade nem nada disso, mas ela gosta mesmo é de estar no trem. Principalmente quando o trem para, diariamente, em um sinal que lhe permite ver a casa vitoriana número 15 daquela rua. 
"Ela não é uma charada. Ela é de verdade."
 Jess e Jason são os moradores da casa. Eles são casados e tão apaixonados um pelo outro que Rachel gostaria de ter vivido esse amor com Tom, seu ex-marido. Rachel sabe tudo sobre Jess e Jason. Sabe sobre seus trabalhos, seus pensamentos, suas formas de falar e seus momentos íntimos. Mas ela sabe tudo sobre Jess e Jason, o casal que ela vê todos os dias e que tem vidas que ela criou em sua mente. Ela não sabe de verdade quem é aquele casal. Ela não sabe nada sobre Megan e Scott. Ela não sabe, mas eles não são tão felizes assim. E, talvez, ela nunca soubesse. Não se no dia 13 de Julho de 2013 algo ruim acontecesse.
"Ela desapareceu. Jess está desaparecida. Megan está desaparecida."
 Eu estava com grandes expectativas para A Garota no Trem. Depois de lembrar dos comentários que li sobre o livro na época em que ele apareceu no meu feed a ansiedade para começar a leitura aumentou e eu mal podia esperar para conhecer Rachel. A história é, de fato, eletrizante, e Paula Hawkins consegue manter o ritmo da leitura do início ao fim. Sua escrita instiga o leitor a continuar e a narrativa em primeira pessoa, que se alterna entre Rachel, Megan e Anna, deixa o coração apertador e nos envolve, arrepia e prende.
"Eu estava pensando nisso a caminho de casa, que é disso que mais gosto na situação, de exercer poder sobre a outra pessoa. É isso que me deixa inebriada."
 A história desse livro é totalmente perturbadora e cheia de surpresas. Mais ou menos na metade dele eu já tinha mudado de opinião umas três vezes. Fui avançando na leitura e, quanto mais respostas apareciam, mais dúvidas surgiam com elas e, assim, mais palpites. Você não consegue saber o que realmente acontece/aconteceu até o último capítulo e em uma das últimas cenas que é, diga-se de passagem, de acelerar o coração, fiquei achando que, pelas poucas páginas que faltavam, a autora ia nos deixar com dúvidas, mas depois que nós conhecemos de verdade uma das personagens com uma simples fala ("Se cuida, fulano(a)") e descobrimos parte da vida de um dos personagens, Paula Hawkins nos permite respirar com uma sensação de dever cumprido.
"Não gosto de perder. Ele já devia saber disso. Eu não saio perdendo em jogos como esse."
 Rachel, Megan e Anna são três personagens muito diferentes e, ao mesmo tempo, muito iguais. Gostaria de comentar sobre suas personalidades e como suas histórias se ligam, mas não irei porque o leitor não sabe isso em um certo ponto e eu não quero acabar com as surpresas. Posso adiantar que nem tudo é o que parece e que sempre há mais a ser revelado. O leitor aprende, assim como Rachel, que praticamente nada do que é confirmado é mesmo verdade. É absolutamente incrível como a autora testa seus personagens e seus leitores ao mesmo tempo, principalmente quando se trata de lembranças.
"Eu estive perto dele o bastante para tocá-lo, sei o que ele é, e não é um assassino."
 Como sempre acontece nos livros e, eu acredito, na vida real também, o parceiro de uma pessoa que sumiu é sempre o primeiro suspeito. Scott, obviamente, é, mas, seria ele o único? Não digo só a única pessoa suspeita, mas, o único homem da vida de Megan? Eu gostei demais da forma como a autora coloca incertezas na história de uma maneira que desafia o leitor a descobrir o que aconteceu, a descobrir quem é aquela pessoa, a descobrir se o que foi dito é verdade. É tudo tão envolvente que você se sente como os personagens a cada momento e tudo se torna uma loucura por conta do misto de sentimentos.

 A Garota no Trem é um thriller repleto de emoções, incertezas e mentiras. Paula Hawkins nos faz saber que cada detalhe é importante e nos faz prestar atenção em cada palavra escrita para, assim, poder desvendar os mistérios de seu livros e nos surpreender com detalhes que acabamos deixando passar. Arrebatador, aterrorizante viciante, este livro é leitura obrigatória para os que apreciam um enredo que provoca o leitor e que não o deixa largar a leitura em nenhum momento. Espero que fiquem atentos aos lapsos de memória de Rachel, a datas e características. Vocês não vão se arrepender.

 O livro será adaptado para o cinema. Clique aqui para saber mais informações.