[Resenha] Todos os Nossos Ontens | Cristin Terrill

Título: Todos os Nossos Ontens
Título Original: All Our Yesterdays
Autora: Cristin Terril
ISBN: 9788581637983
Grupo Editorial: Novo Conceito
Selo: Novo Conceito
Número de Páginas: 352
Gênero: Distopia
Sinopse: O que um governo poderia fazer se pudesse viajar no tempo?Quem ele poderia destruir antes mesmo que houvesse alguém que se rebelasse?
Quais alianças poderiam ser quebradas antes mesmo de acontecerem?
Em um futuro não tão distante, a vida como a conhecemos se foi, juntamente com nossa liberdade. Bombas estão sendo lançadas por agências administradas pelo governo para que a nação perceba quão fraca é. As pessoas não podem viajar, não podem nem mesmo atravessar a rua sem serem questionadas. O que causou isso? Algo que nunca deveria ter sido tratado com irresponsabilidade: o tempo. O tempo não é linear, nem algo que continua a funcionar. Ele tem leis, e se você quebrá-las, ele apagará você; o tempo em que estava continuará a seguir em frente, como se você nunca tivesse existido e tudo vai acontecer de novo, a menos que você interfira e tente mudá-lo...
"[...] sempre disse que  tempo é complicado, que tem uma mente própria. Talvez esse seja seu jeito de nos punir por brincar com ele."
 Cinco horas e quarenta e quatro minutos. Esse foi o tempo que eu levei para ler Todos os Nossos Ontens. Todo mundo sabe que distopia é um dos meus gêneros favoritos, tanto que se você quiser me indicar algum livro e simplesmente disser "é uma distopia" eu  já quero ler. Na verdade, acho que isso o torna "o" meu gênero favorito, já que isso não acontece com nenhum outro. Quando a Novo Conceito enviou, há alguns meses, um livreto deste livro, fiquei tentada a ler porém não o fiz, já que sabia que iria querer ler o resto assim que terminasse o primeiro capítulo, mas eu não imaginava que o livro iria me arrebatar da maneira como o fez. Comecei a leitura ontem, 23 de novembro, meia hora antes de ir para a faculdade. As páginas que li nesse pouco tempo foram o suficiente para me fazer comentar sobre essa pouca parte da história com cada um dos meus amigos. Retomei a leitura às 23h, e eu mal saí da posição em que comecei a ler até finalizá-lo.
"Ah, se ele soubesse com o que eu estava acostumada antes de o mundo desmoronar ao nosso redor como uma casa comida de dentro para fora pela podridão."
 No futuro existe uma máquina que permite viagens no tempo e no espaço, fazendo com que assim seja possível impedir que coisas ruins acontecem, mas logo seu objetivo é distanciado da realidade. Nesse futuro vive Em, uma pessoa incrivelmente forte. Isso nós podemos perceber em suas primeiras palavras no livro. Ela está presa em uma cela há meses e as únicas pessoas que ela vê durante esse tempo são o doutor, o diretor e os guardas. Os dois primeiros lhe fazem visitas constantes para torturá-la em busca de uma resposta: onde estão certos documentos. Por mais que ela tenha o que eles querem, ela não os entrega porque não pode desistir dela. Ela não pode desistir do que ela se tornou hoje, do que ela foi um dia e do que ela pode se tornar se conseguir mudar o ontem.
"Não posso me deixar esquecer isso, nem por um instante, porque relembrar dói demais."
 Marina é uma adolescente fútil que só se importa com uma coisa: seu melhor amigo. Ou melhor, aquele que ela quer que seja mais do que um amigo. Cercada por pessoas falsas, ele é o centro de seu mundo e ela não importa com o quê precisa fazer para fazê-lo se sentir bem e especial. Um dia ele lhe convida para um evento importante do trabalho de seu irmão, mas a noite acaba sendo um fracasso por diversos motivos. É a partir daí que Marina se vê ainda mais responsável pelo amigo, porém ela ainda não sabe a grande responsabilidade que tem em mãos.
"Deve parecer tranquilo do lado de fora, mas meu interior está uma algazarra."
 Eu não sei nem como começar a falar sobre o que achei dessa história. Acho que, na verdade, se alguém sentasse de frente para mim e olhasse no fundo dos meus olhos, eu poderia passar tudo o que senti durante a leitura para essa pessoa sem estragar nenhuma surpresa e sem deixar nenhum sentimento passar. O livro é incrível, incrível, incrível! A escrita de Cristin Terrill é tão clara, profunda e detalhada na medida certa, que ela conseguiu, a todo momento, me fazer sentir como cada personagem - e não estou falando apenas das protagonistas. Todas as nossas dúvidas são respondidas, a autora nos permite ligar alguns pontos durante a leitura - o que chegou a me deixar super empolgada por me sentir parte da história - mas logo vemos que não para por aí e ela nos preparou muito mais. O livro tem início, meio e fim muito bem construídos, passado, presente e futuro são amarrados e nada deixa a desejar, é tudo genial.
"O tempo está vindo nos pegar, está vindo depressa."
 Narrado em primeira pessoa por Marina e Em, Todos os Nossos Ontens possui capítulos alternados pelas duas que fazem o coração do leitor dar saltos de felicidade e angústia a cada página e, quando você faz uma descoberta, não consegue se decidir entre ficar empolgado por descobrir algo ou ficar preocupado por isso ser verdade. A forma como Cristin Terril criou essa história é admirável e é ainda mais fascinante a forma como ela nos apresenta tudo. Acredito, até, que se a encontrasse hoje na rua chegaria perto da autora batendo palmas. A teoria sobre o tempo de uma forma inovadora (já li/vi histórias em que se podia viajar no tempo, mas nada como neste livro) e, principalmente, o porquê e como ela foi criada são aspectos que tornam o enredo ainda mais completo.

 Logo na primeira aparição de Marina eu criei uma teoria em minha cabeça sobre o porquê de ela e Em serem protagonistas. Não é algo que fica explícito, mas a autora permite que os mais atentos matem essa primeira charada logo de cara. Mais páginas se passam e mais verdades aparecem, isso apenas em pouco mais de 50 páginas, o que é engraçado, já que muitas vezes vejo que cheguei na página 50 de um livro e nada aconteceu, mas, nesse, as 50 primeiras são apenas uma pequena prévia de tudo o que o livro irá proporcionar. O desenvolvimento das duas é incrível de se acompanhar, uma vez que depois que descobrimos a verdade sobre elas, ficamos analisando cada detalhe que as poderia levar até onde chegarão. Suas últimas cenas chegam a ser emocionantes e as últimas páginas do livro me fizeram até derramar algumas lágrimas por conta de nossas protagonistas. É inevitável e, talvez, vocês me entendam se lerem a história e conseguirem se envolver tanto quanto eu.
"- Você não vai se livrar de mim, Shaw.
 Acho que ele tenta sorrir.
 - Vou cobrar isso, Marchetti"
 O quote acima me deu arrepios quando o li no livro. A promessa é uma verdade, mas acaba não sendo, de certa forma, uma escolha mas, sim, uma missão. Pensar em Finn (ah, Finn <3), em James e no doutor depois de ter lido o livro é meio angustiante. Pensar em como as primeiras páginas traziam verdades que eu ainda não imaginava e pensar em como as últimas páginas proporcionam um futuro/passado diferente também é.  Em e Marina são personagens incríveis (não vou cansar de repetir isso e odeio o fato de não poder dizer o porquê). É horrível não poder comentar algo que gostaria aqui na resenha - um nome, um acontecimento, um detalhe, uma mensagem - pois seria injusto tirar de vocês toda a surpresa e envolvimento que tive com a história, mas me conformo em dizer que tudo tem um porquê e nada é o que parece de verdade. 
"Viagem no tempo não é uma maravilha; é uma abominação."
 Todos os Nossos Ontens é um livro único. Essa é a única palavra que consigo usar para definir um livro que eu gostaria de poder apagar de minha memória só para ter o prazer de conhecer sua história pela primeira vez novamente. Ontem, antes de começar a ler o livro, algumas coisas aconteceram e me fizeram ficar, por um bom tempo, pensando no "e se". "E se eu tivesse feito isso? E se eu tivesse falado aquilo?" Cristin Terril criou uma história onde "e se" nenhum é uma possibilidade e os personagens possuem chances de mudar o tempo, mas não o destino. O enredo é sem igual e totalmente viciante, a leitura é frenética e não permite interrupções, os personagens são fascinantes e nos fazem pensar que tudo depende de nós. Este livro chegou em um ótimo momento para mim - fazia muito tempo que um livro não conseguia me fazer sentir tudo o que senti durante a leitura - mas, infelizmente, relendo a resenha, vejo que não importa o quão empolgada eu esteja a respeito da história e o quão concentrada eu estava escrevendo agora, não consegui fazer jus a toda história; então indico que leiam e tirem suas próprias conclusões. Garanto que seu tempo não será perdido.
"Talvez meu ódio não seja simples, talvez seja complicado por várias outras coisas, mas é verdadeiro. Ele queima dentro de mim como a chama mais azul e quente."