[Resenha] Doce Perdão | Lori Nelson Spielman


Título: Doce Perdão
Título Original: Sweet Forgiveness
Autora: Lori Nelson Spielman
ISBN: 9788576864141
Grupo Editorial: Record
Editora: Verus
Número de Páginas: 322 
Gênero: Chick-lit, Romance
Sinopse: Hannah Farr é uma personalidade de New Orleans. Apresentadora de TV, seu programa diário é adorado por milhares de fãs, e há dois anos ela namora o prefeito da cidade, Michael Payne. Mas sua vida, que parece tão certa, está prestes a ser abalada por duas pequenas pedras... As Pedras do Perdão viraram mania no país inteiro. O conceito é simples: envie duas pedras para alguém que você ofendeu ou maltratou. Se a pessoa lhe devolver uma delas, significa que você foi perdoado. Inofensivas no início, as Pedras do Perdão vão forçar Hannah a mergulhar de volta ao passado - o mesmo que ela cuidadosamente enterrou -, e todas as certezas de sua vida virão abaixo. Agora ela vai precisar ser forte para consertar os erros que cometeu, ou arriscar perder qualquer vislumbre de uma vida autêntica para sempre. Após o sucesso mundial de A lista de Brett, Lori Nelson Spielman retorna com este romance terno e esperto sobre nossas fraquezas tão humanas e a coragem necessária para perdoá-las - assim como para pedir perdão.
"Você nunca vai encontrar seu futuro enquanto não se reconciliar com seu passado."

 Conheci a escrita de Lori Nelson Spielman através de seu primeiro livro, A Lista de Brett, e me encantei. Tive a chance de conhecer mais da autora quando a entrevistei e, nesta oportunidade, ela falou sobre Doce Perdão e já me deixou super curiosa a respeito do livro com poucas palavras.
"Às vezes, não há maquiagem que possa encobrir nossos defeitos mais feios."
 Hannah é uma apresentadora de TV que possui milhares de fãs graças ao seu programa diário. Ela é adorada em New  Orleans e sua vida parece estar caminhando perfeitamente bem até que ela recebe duas pedras e um pedido de perdão. Acontece que as chamadas Pedras do Perdão se transformaram em febre no país quando Fiona, uma advogada, resolve que sua vida só será boa quando ela conquistar o perdão de pessoas com quem errou no passado. A ideia é, basicamente, enviar duas pedras e uma carta com seu pedido sincero de desculpas para a pessoa, assim, caso ela aceite o pedido, enviará uma das pedras de volta e a outra pedra para uma pessoa para quem deseja pedir perdão. Se a pessoa não devolver uma pedra, significa que você não está perdoado, e Hannah é exatamente essa pessoa.
"Será que ela ainda está esperando pela minha pedra? Será que as outras trinta e quatro que ela enviou foram mandadas de volta para ela? A culpa me sufoca."
 Fiona foi a culpada por algo que mudou o passado de Hannah drasticamente. Bom, talvez, Fiona não seja tão culpada assim. Hannah está decidida a não perdoar a antiga colega, porém a cada dia que passa, ela pensa mais na carta de Fiona e, consequentemente, no que aconteceu, até que se dá conta de que Fiona não é a única que precisa pedir desculpas. Ela é quem precisa ser perdoada.
"Mantemos segredos por duas razões: para proteger a nós mesmos ou para proteger outras pessoas."
 É impressionante a forma como Lori consegue nos fazer ler suas palavras sem sentir a quantidade delas. O tempo passa rápido durante a leitura. Sua escrita continua detalhada na medida certa e a narrativa em primeira pessoa nos aproxima da personagem principal de modo que não conhecemos apenas seus pensamentos e, sim, seus sentimentos. Senti uma evolução na escrita de Lori nesse sentido já que, apesar de seu livro anterior ter sido espetacular em todos os sentidos e me feito pensar sobre minha vida durante toda a leitura, dessa vez a história não foi extremamente tocante para mim, porém pude compartilhar dos sentimentos da protagonista graças a escrita da autora.

 Óbvio que nossa expectativa sobre um autor sempre aumentam a cada livro. E, às vezes, comparar histórias é inevitável. Principalmente quando são do mesmo gênero ou, como é este caso, de um mesmo autor. A Lista de Brett foi uma das minhas melhores leituras do ano passado e, posso afirmar, da vida; é por conta desse fato que Doce Perdão acabou não sendo uma leitura cinco estrelas. Eu esperava muito mais da história por conta do livro anterior da autora e, talvez, isso possa ter me impedido de aproveitar totalmente a leitura.

 Hannah foi uma personagem muito bem construída. Nós não sabemos tudo sobre sua vida nas primeiras páginas, porém quanto mais conhecemos sua história, mais queremos saber. Ela faz parte daqueles protagonistas que não tem uma personalidade completa e, sim, vão se desenvolvendo e se conhecendo ao desenrolar do enredo. Gostei muito dos personagens que surgiram em sua vida pois a autora conseguiu mostrar quem veio para mudá-la para melhor e quem só a atrasou, mas acrescentou algo. 

 É  muito mais fácil se surpreender com uma história quando você não espera nada dela. Da mesma forma como é possível um livro não superar suas expectativas. Infelizmente foi o que aconteceu com Doce Perdão, mas isso não significa que o livro tenha sido ruim. A trama que Lori criou é profunda e verdadeira, nos traz vários questionamentos e não há como não se perguntar como seriam nossas vidas se não deixássemos assuntos mal resolvidos no passado. A autora ainda nos faz dar conta de que, sem perceber, podemos magoar alguém mais do que estamos magoados e nos deixa perguntas como: vale a pena perdoar alguém só para poder seguir adiante mas viver com a culpa diariamente? Vale a pena perdoar alguém em nome do amor mas conviver com a desconfiança?
"- Vou desligar - ele diz - Ou você estava precisando de alguma coisa?
 Sim, desejo dizer a ele, preciso de uma coisa. Preciso saber que você vai sentir minha falta esta noite, que sou sua prioridade. Preciso da segurança de estarmos caminhando para um futuro juntos, de que você quer se casar comigo. Respiro fundo."
 Doce Perdão não conseguiu superar minhas expectativas, mas Lori Nelson Spielman não deixou de apresentar uma leitura rápida e uma história significativa. Ela nos faz pensar sobre como seria mais fácil se disséssemos o que pensamos de forma sincera para todas as pessoas que são ou não importantes para nós, além de nos lembrar a importância de saber perdoar e pedir perdão. Chegando ao final, depois de tantas perguntas, só nos resta uma conclusão: viver sempre pensando no passado só atrasa ainda mais o futuro.