[Resenha] O Que Há de Estranho em Mim | Gayle Forman

Título: O Que Há de Estranho em Mim
Título Original: Sisters in Sanity
Autora: Gayle Forman
ISBN: 9788580414806
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 225
Gênero: Jovem Adulto, Drama, 
Sinopse: Ao internar a filha numa clínica, o pai de Brit acredita que está ajudando a menina, mas a verdade é que o lugar só lhe faz mal. Aos 16 anos, ela se vê diante de um duvidoso método de terapia, que inclui xingar as outras jovens e dedurar as infrações alheias para ganhar a liberdade. Sem saber em quem confiar e determinada a não cooperar com os conselheiros, Brit se isola. Mas não fica sozinha por muito tempo. Logo outras garotas se unem a ela na resistência àquele modo de vida hostil. V, Bebe, Martha e Cassie se tornam seu oásis em meio ao deserto de opressão. Juntas, as cinco amigas vão em busca de uma forma de desafiar o sistema, mostrar ao mundo que não têm nada de desajustadas e dar fim ao suplício de viver numa instituição que as enlouquece.
"Você trata seu corpo como um muro a ser grafitado."

 Gayle Forman é uma das autoras que passei a admirar ainda mais depois que pude conhecer mais dela como pessoa. Fui convidada da Novo Conceito em um Hangout com a autora e fiquei super encantada com sua simpatia. O Que Há de Estranho Em Mim me conquistou pela capa e título, porém fico feliz em dizer que se mostrou muito mais que isso. Antigamente, quando eu não tinha o hábito de ler sinopses (sim, eu fui dessas), me surpreendia mais vezes com histórias, mas agora que leio, fico muito satisfeita quando o livro consegue ser ainda melhor do que a sinopse mostra. E foi exatamente isso que aconteceu nesta leitura.
"[...] o sofrimento forma o caráter."
 Brit parecia estar vivendo um pesadelo desde que seu pai resolveu construir uma nova família com Monstra (apelido carinhoso que a menina deu para sua querida - só que não - madrasta). Desde que sua mãe partiu, a única coisa que seu pai fez foi mudar completamente o modo como ele e a filha se relacionavam; os dois começaram a ficar distantes até que ele conheceu a atual esposa e as esperanças de Brit de que tudo podia mudar para melhor foram para o brejo. Mas é só quando o pai inventa uma viagem repentina que Brit percebe que nada está ruim demais que não possa piorar: seu pai a levara até o Red Rock.
"- [...] Faça um favor para todo mundo: deixe de lado esse orgulho besta.

Essa era uma das lições mais valiosas do Red Rock"
 O Red Rock é um internato para meninas, um lugar onde tudo é aparência: as propagandas mostravam ser um lindo lugar, cheio de vida e com profissionais que tinham de tudo para ajudar as meninas seja qual for o "problema". Os pais achavam estar deixando as filhas em um lugar que as "consertaria", mas, na verdade, o lugar não fazia nada além de as transformar. Para pior. As meninas eram separadas em níveis e a cada nível alcançado há uma espécie de "brinde", mas o melhor deles, a liberdade, pode não chegar nunca. Brit tem muita dificuldade em aceitar que seu pai a colocou ali e que agora precisa aguentar sessões fajutas de terapia que nada mais são do que sessões de xingamento e baixa autoestima. Convivendo com profissionais duvidosos, garotas com diversos problemas reais e presa, a situação de Brit começa a mudar quando ela conhece outras internas: V, Bebe e Cassie. Cada uma com sua personalidade e pensamentos, juntas irão formar um grupo que mudará o destino daquele lugar.
"'Sempre dance conforme a sua própria música', era o que mamãe costumada dizer para mim. E era assim que ela levava sua vida também. Portanto, eu não saí dos trilhos. Apenas escolhi trilhos diferentes."
  O enredo me ganhou logo nas primeiras páginas e foi só crescendo, me fazendo aproveitar ainda mais a leitura. A narrativa de Gayle se mostra rápida, profunda e detalhada na medida certa, de modo que nos permite conhecer bem a protagonista e consegui entender seus sentimentos sobre tudo e todos. A autora conseguiu, também, fazer com que eu imaginasse cada um dos personagens e todos os locais em que a protagonista estava. Era como se eu realmente sentisse a história. O final acabou sendo bem rápido, apesar de que isso acontece na maioria dos livros que tem um mistério para se resolver, mas senti que o final de Brit e seu pai, em particular, merecia um diálogo a mais esclarecendo melhor as coisas. Eu não concordei totalmente com a conclusão de Brit (acho que vai além do que ela pensa) e gostaria de saber mais sobre os pensamentos do pai em relação a certa pessoa.
"- [...] Lembrando o que disse Roosevelt, nosso bom e velho ex-presidente: 'A única coisa que devemos temer é o próprio medo.'"
 V, Bebe, Martha e Cassie são personagens indispensáveis, mas não há dúvidas de que V se destaca pela inteligência e astúcia, e Bebe por sua personalidade e frases características. Bebe chamou minha atenção de cara e adorava todos os seus comentários típicos de uma patricinha, mas uma patricinha bem pé no chão e sincera, diga-se de passagem. V foi me conquistando aos poucos, Martha dá vontade de abraçar diversas vezes e Cassie foi a que menos "conheci" (no sentido de reconhecê-la logo nos diálogos e de saber logo como ela agiria). Apesar de termos destaques, logo sabemos o porquê de autora torná-las um grupo: elas são diferentes, se completam e são a melhor forma de Gayle atingir seu objetivo.
"- É que a gente acha que a loucura e a sanidade ficam em lados opostos de um oceano, mas na verdade não passam de duas ilhas vizinhas." 
  "Mas qual é o objetivo da autora?", você pode estar se preocupando. No final do livro há uma nota de Gayle explicando como a ideia do livro surgiu e como ela se sentiu em relação à certas coisas presentes na ficção e na realidade. O título original do livro, por exemplo, é Sisters In Sanity (que em tradução livre seria Irmãs em Sanidade, mas foi traduzido como Irmãs Insanas no livro), e já mostra que a autora queria mesmo focar na relação das meninas e em como mesmo sendo diferentes elas conseguiram ajudar umas as outras e, simplesmente, se completar. Gayle traz muitas mensagens sobre família, amor e amizade durante a leitura e, tenho certeza, conseguirá tocar muita gente que se identificará com uma das meninas.

 O Que Há de Estranho Em Mim foi um livro que me surpreendeu positivamente e que apresentou personagens improváveis que se completam durante a leitura. Gayle Forman conseguiu apresentar uma história que possui surpresas, ótimos diálogos e mensagens sobre diversos assuntos, além de manter o ritmo da leitura e nos deixar com sensação de liberdade ao chegar até a última página.