[Papo Literário] Lauren James fala sobre Em Nossa Próxima Vida e próximos livros

 Lauren James é uma autora britânica que se formou em 2014 na Universidade de Nottingham, Reino Unido, onde estudou Química e Física. Seu primeiro livro, Em Nossa Próxima Vida, foi traduzido para cinco idiomas e ela escreveu um spin off, intitulado Another Together, além da sequência, The Last Beginning. Entre seus próximos lançamentos está The Loneliest Girl in the Universe, um thriller psicológico que se passa no espaço e que será publicado no próximo ano.

 Quem acompanha o Magia Literária sabe como fiquei muito ansiosa para ler o livro e como tive um conflito de sentimentos ao terminá-lo. A resenha pode ser conferida no canal e espero que gostem de conhecer mais um pouquinho da estória e da autora, assim como eu.

:: Entrevista feita por: Mariana Mortani
:: Entrevista traduzida por: Mariana Mortani

Mariana Mortani: Lauren, muito obrigada pela oportunidade dessa entrevista. Quero começar falando sobre o que senti ao ler seu livro de estreia, Em Nossa Próxima Vida. Fiquei muito ansiosa para ler um livro que incluía viagens no tempo e o gênero distopia e, para minha surpresa, o livro possui muito mais do que isso e sua narrativa não me permitiu largar a leitura até terminá-la. Quando a primeira ideia surgiu, você realmente pretendia escrever uma história única, cheia de reviravoltas, mas sem deixar cair na mesmice?
Lauren James: Fico muito feliz por você ter gostado! Eu comecei a escrever fazendo uma grande lista de todas as coisas que eu mais amo ler, e tentei combinar todas em uma história. Foi bem desafiador, mas muito satisfatório. 

MM: Katherine e Matthew são dois personagens que se encontram várias e várias vezes. Como foi escolher cada personalidade, cada história e cada ano, além de ter cuidado para manter certas referências durante as passagens de tempo?
LJ: Kate e Matt são as mesmas pessoas, mas algumas vezes são semelhantes e outras vezes não. Em uma passagem de tempo Matthew é criado de Katherine, em outra acontece o contrário. Isso me permitiu muitas variações na evolução da relação deles, mas ao mesmo tempo eu queria ter certeza de que mantive um elemento de continuidade ao longo do livro, para que ele parecesse estar com tudo amarrado, ao invés de ser uma coleção de histórias sobre pessoas separadas. A concepção de Natureza contra Criação – tendo em vista como alguém com traços de personalidades imutáveis pode mudar só por causa de sua educação – sempre me interessou. Eu fui atraída pela ideia de reencarnação porque eu pensei que seria um artifício bem interessante de se usar na trama para explorar esse tipo de caracterização. Fanfictions AU [são fanfics passadas em um universo alternativo, do inglês alternative universe] foram grandes inspirações para as múltiplas passagens de tempo de Em Nossa Próxima Vida – eu amo ler sobre meus personagens favoritos em diferentes situações, e ver como as relações de um mesmo núcleo brincam de diversas maneiras por causa de seu ambiente. Eu queria explorar isso em um romance.

MM: Eu amo livros que misturam ficção com realidade e seu livro é um deles. No final, você fala sobre fazer algumas mudanças históricas usando licença poética e eu imagino como isso pede muita pesquisa. Isso tornou a escrita mais difícil e levou mais tempo para finalizar o livro, ou foi algo natural para você?
LJ: Em Nossa Próxima Vida inclui duas tramas que se passam no passado, uma em 1745 e uma em 1854. Eu era uma estudante quando comecei a escrever como um hobby, então não queria gastar nenhum dinheiro em livros didáticos. Eu realmente escolhi as histórias do livro baseadas no que eu poderia pesquisar gratuitamente na internet, principalmente usando a biblioteca da universidade e fontes primárias que eu poderia acessar no Google Books. 
 Isso pareceu ter dado muito certo! Eu era muito ingênua quando comecei a escrever, e definitivamente não sabia no que eu estava me metendo. Eu era uma visitante frequente do Wikipedia. Passei muito tempo lendo livros antigos e diários e fazendo anotações infinitas. E definitivamente valeu a pena – eu espero que isso tenha acrescentado mais realismo aos períodos de tempo.

MM: The Last Beginning [ainda não lançado no Brasil] segue a razão de tudo o que aconteceu com Matthey e Katherine. Isso fazia parte de sua ideia desde que começou ou no meio você pensou que seria melhor escrever uma continuação para poder explorar certas coisas de uma forma melhor?
LJ: Eu realmente não sabia que teria uma sequência até que finalizei a escrita de Em Nossa Próxima Vida. Quando cheguei ao final me dei conta de que havia essa outra história inteira para contar, de outro ângulo. Eu então escrevi o primeiro rascunho de The Last Beginning, e por sorte coincidiu bem porque eu estava trabalhando em edições para Em Nossa Próxima Vida.
 Eu fui capaz de voltar e semear várias cenas e conversas e desenvolvimentos da trama que eu acrescentei enquanto escrevia TLB. Foi muito divertido escrever menções improvisadas de certos personagens em ENPV, sabendo que os leitores passariam por eles sem prestar atenção – e no minuto em que eles lessem TLB, ficaram tipo "OH MEU DEUS, eu os conheço desde o livro anterior!"

MM: Nós iremos conhecer personagens LGBTs em The Last Beginning. Temos muitas conversas sobre diversidade recentemente, porém ainda não temos muitos livros que abordem isso – e precisamos. Isso foi uma motivação para você?
LJ: Sim, definitivamente! Eu estava frustada porque, como uma grande fã de ficção científica, nunca pude encontrar personagens diferentes nos mundos que eu amava. Recentemente temos tido um maravilhoso progresso nessa direção (tipo [o livro] The Long Way To a Small Angry Planet, de Becky Chambers) mas na época, parecia como um completo deserto estéril. Eu queria escrever sobre uma personagem que fosse gay, mas que não fosse um livro sobre uma história de descobertas. Eu gostaria que eles pudessem fazer as coisas, enquanto fossem gays. (Incrível!)

MM: Seu terceiro livro, The Loneliest Girl in the Universe, é um thriller psicológico romântico que se passa no espaço. O quão incrível é isso?! O que podemos esperar?
LJ: Estou muito animada para compartilhar esse livro com todo mundo! É sobre uma garota chamada Romy, que nasceu em uma nave espacial e agora é a única ocupante. NASA envia uma nave espacial nova e mais rápida, que começa a alcançar a dela, e ela começa a se comunicar com o garoto a bordo...!

Livros mencionados por Lauren James
MM: Você é uma bookaholic e na sua bio diz ser da Corvinal. Além de Harry Potter e JK Rowling, que livros e autores te inspiraram?
LJ: Lirael, de Garth Nix;
Os Garotos Corvos, de Maggie Stiefvater;
Jonathan Strange & Mr Norrell, de Susannah Clarke.

MM: Qual o privilégio de ser uma escritora?
LJ: A possibilidade de ver as palavras que você escreveu em uma página. Ter mundos e personagens que você criou se tornando reais na cabeça das pessoas. Não há nada como isso.

MM: Agora você é uma autora publicada internacionalmente. Como é para você saber que suas palavras estão sendo lidas ao redor do mundo? Você recebe muitas mensagens dos leitores brasileiros, em especial?
LJ: É formidável. Ver minhas palavras em outros idiomas era algo que eu sempre quis – então é inacreditável que isso esteja acontecendo realmente! Eu quase não acredito ainda.
 E sobre a edição brasileira – eu estudei na América [do Norte] por um ano, e passei a maior parte do meu tempo saindo com estudantes brasileiros que também estavam estudando no exterior por um ano. Então havia muita animação por parte dos meus amigos quando a edição traduzida saiu no Brasil. Eles continuam me enviando fotos, e tentam persuadir todo mundo a comprar!

MM: Muito obrigada, mais uma vez, pela oportunidade, Lauren. Você pode deixar uma mensagem para aqueles que querem ser autores um dia e para os leitores brasileiros que irão ler seus livros?
LJ: Descubra o que torna sua escrita única e tome posse disso. Seja completamente sem vergonha em sua carta de consulta. Se você ama os gatos zumbis de sua história, tenha certeza de que estão na frente e centrados em sua consulta. Você precisa encontrar um agente que ame seu livro tanto quanto você ama, e passar meses elaborando perfeitamente a carta de consulta – mas talvez persuadi-los a ler um livro com a promessa de gatos zumbis sim.

RAPIDINHAS:
Se você fosse um outro autor, seria: Sarah Waters
Se você fosse um livro, seria: Jonathan Strange & Mr Norrell
Se você fosse um personagem, seria: Artemis Fowl
Se você fosse um lugar, seria: Cornwall, UK
Se você fosse uma música, seria: Come on Eileen, da Dexy’s Midnight Runners
Se você fosse um sentimento, seria: Risada
Se você fosse uma palavra, seria: Incorrigível
Se você fosse uma frase, seria: Atire para as estrelas – se você errar, você ainda irá permanecer na lua.

Confira a resenha do livro: