[Resenha] Rio-Paris-Rio | Luciana Hidalgo


Título: Rio-Paris-Rio
Autora: Luciana Hidalgo
ISBN-13: 9788532529893
ISBN-10: 8532529895
Editora: Rocco
Ano de lançamento: 2016
Número de páginas: 160
Gênero: Romance
Encontre: Amazon | Skoob
Sinopse: Maria e Arthur se encontram em Paris no início de 1968. Ela estuda filosofia na Sorbonne, ele é poeta e artista de rua. Juntos vivem os excessos daqueles anos de revoluções e utopias e fogem da ditadura no Brasil, divididos entre o deslumbramento pelo que o Velho Mundo lhes oferece e a permanente sensação de que são intrusos na grande festa que é Paris. Duas vezes ganhadora do prêmio Jabuti, uma delas com a biografia Arthur Bispo do Rosário, publicada pela Rocco, a jornalista e escritora Luciana Hidalgo estreou na ficção com O passeador, romance ambientado no Rio de Janeiro da Belle Époque. Agora, em seu segundo romance, a autora narra uma história de amor, sonhos e desilusões, tendo como pano de fundo um período conturbado da história, tanto na Europa quanto no Brasil, com uma prosa poética e potente. 
"– Você me perguntou o que eu acho de tudo isso como estrangeira. E como estrangeira eu te digo o quanto vocês parecem engessados nesses modelos, presos a tantas fórmulas e tradições.
– Civilização é isso, chère Marie." p. 122
  "Uma história de amor, sonhos e desilusões" era o que prometia a sinopse de Rio-Paris-Rio. A mesma nos preparava para uma história que acontece em um período abalado e parecia, eu tinha certeza, ser muito mais do que a sinopse era capaz de adiantar. Por sorte, eu estava certa.
 "O quarto de Maria tem toda simetria e perfeição que ela espera do mundo." p. 7
 Maria é estrangeira e estranha na França. Brasileira que mora em Paris em pleno 1968, ela sente uma necessidade de se reinventar. Arthur é estrangeiro e estranho na França. Brasileiro que mora em Paris em pleno 1968, ele sente necessidade de lutar. Maria e Arthur, cariocas que vivem na Paris de 1968 se conhecem de repente, mas logo há um clima de interesse no ar e uma aproximação que logo os tornará um intenso casal. Compartilhando a mesma realidade – seja a vivida em Paris, seja a deixada para trás no Rio de Janeiro –, ambos possuem segredos difíceis de admitir e que poderão uni-los ou afastá-los. Basta saber como irão lidar com o que está por vir.
"Os dois têm juntos um instante de parênteses abertos, nunca preenchidos. Uma sintaxe muda e prolongada." p. 17
 Logo nas primeiras páginas me surpreendi com o estilo de Luciana Hidalgo. Não por ser dela e não por ser algo negativo, mas, sim, por ser algo que me envolveu de cara e por apresentar uma narrativa em terceira pessoa tão intensa que pergunto se em algum momento me encontrei com uma escrita forte assim. Sua narrativa é esclarecedora e muito atraente, de modo que você se vê envolvido na trama logo de cara. Diferenças culturais, efeitos da rotina, terror de ditaduras, limitações e reviravoltas políticas fazem parte do enredo que ela nos apresenta e não nos permite abandonar até que a última página seja alcançada.
"– O que você mais odeia no Brasil?
 – Os militares ditadores.
 – E o que, do Brasil, te faz mais falta?
 – O meu avô, que é um dos militares ditadores." p. 112
 É incrível a maneira como Luciana  expõe sem medo a realidade dos exilados. Há uma maravilhosa ambientação e a autora consegue tratar questões que qualquer estrangeiro pode ter vivido ou já pensou sobre. Nós, que acompanhamos de fora, a acompanhamos apresentando motivos e abordando sentimentos que podem realçar beleza através do sofrimento e nos dando conta da complexidade que há entre direitos e deveres.

 O passado de Maria e Arthur – principalmente o motivo para estarem onde estão – os segue e torna o enredo ainda mais completo. Percebemos que barreiras podem ser encontradas em qualquer caminho e que os personagens que conhecemos em Rio-Paris-Rio são muito humanos, capazes de cometer erros e acertos. Este é um livro que lembra como ficção e realidade caminham lado a lado e não são só Arthur e Maria que nos fazem refletir sobre isso, uma vez que temos muitos os personagens bem construídos e apresentados que nos permitem contemplar inúmeras realidades. Tudo neste livro ale a pena e, no final, não faltarão pensamentos e reflexões acerca da obra em sua mente.

 Rio-Paris-Rio nos apresentará personagens que irão compartilhar a beleza e a dificuldade de serem estrangeiros e diferentes em Paris durante Maio de 68. Existe equilíbrio entre amor e política? Com muita segurança, a Luciana Hidalgo nos fará questionar este e muitos outros temas que irão nos acompanhar durante a leitura e nos mostrarão a imensidão de seu maravilhoso enredo. A complexidade do livro é admirável, de forma que a todo momento nos questionamos como agiríamos no lugar dos personagens ou, no meu caso, como seria viver naqueles anos. Indico demais a leitura.

Comentários

  1. Mari, esse livro parece realmente encantador e bem forte, revelando em alguns momento a opressão pelos ditadores no Brasil. Espero poder ler esse livro e retirar todas as reflexões que nele compõe.

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