[Resenha] Uma Garota de Muita Sorte | Jessica Knoll


 
Título: Uma Garota de Muita Sorte
Título original: Luckiest Girl Alive
Autora: Jessica Knoll
ISBN-13: 9788532530110
ISBN-10: 8532530117
Editora: Rocco
Ano de lançamento: 2016
Número de páginas: 336
Gênero: Suspense, Thriller
Encontra: Amazon | Skoob
Resenha: Ani FaNelli passou por uma terrível humilhação na adolescência, que a deixou desesperada para se reinventar. Agora uma profissional bem-sucedida, com um armário invejável e um noivo atraente e bem-nascido para chamar de seu, Ani está prestes a viver a vida perfeita que tanto almejou. Mas ela guarda um terrível segredo. E sua vida perfeita é uma perfeita mentira. Bestseller do The New York Times chancelado pela crítica, Uma garota de muita sorte rendeu à estreante Jessica Knoll comparações com sucessos do thriller contemporâneo como Garota Exemplar, de Gillian Flynn, e A garota do trem, de Paula Hawkin, e será adaptado para o cinema por Reese Witherspoon. O livro abre a coleção Luz Negra, que reúne o que há de melhor no suspense contemporâneo, revelando o lado sombrio da alma humana. 
"É como se estivesse assumindo o desafio de me fazer voltar a ser como antes." p. 13
  Tudo da vida tem um preço. Mas TifAni FaNelli não sabia muito bem disso. Ou, pelo menos, não se importava muito com o preço que precisaria pagar. Depois de sofrer diversos abusos, de ter sua reputação manchada e de ter que enfrentar diversas dificuldade, a garota só se importa em mostrar para todos como ela está bem de vida. Aos 29 anos, Ani é redatora na The Woman's Magazine, está noiva de Luke Harrison e tem certeza de que ninguém mais é capaz de lhe atingir. Só  que, às vésperas de seu casamento, ela recebe um convite inesperado e precisará enfrentar os fantasmas de seu passado. Será que TifAni será capaz de manter a máscara de boa pessoa que tem usado por tanto tempo?
 "E ele gosta dessa ameaça, do possível perigo que represento. Mas, na verdade, não quer ver o que posso fazer, os buracos esfarrapados que posso abrir. Passei a maior parte de nosso relacionamento arranhando a superfície, testando a pressão para saber o quanto é demais antes que eu tire sangue. Estou ficando cansada." p. 14
 O primeiro ponto que deve ser destacado é a maneira como Jessica Knoll se arrisca ao apostar em uma personagem tão superficial e irritante como TifAni para ser sua protagonista. Tentei arrancar com a leitura três vezes antes de finalmente ser pega pelo enredo, lá pela página 30. Até então, o início do livro realmente não dava indícios dos comentários maravilhosos que eu havia livro sobre a obra, mas, de qualquer forma, no dia em que decidi que ia ler mesmo, no dia em que passei na página  22, não consegui mais largar a leitura e passei uma madrugada inteira acompanhando e conhecendo a verdadeira TifAni Fanelli.
 
 A narrativa em primeira pessoa nos permite conhecer o lado mais profundo da personagem principal, enquanto a escrita sincera e detalhada na medica certa de Jessica Knoll não nos permite abandonar a leitura um tanto difícil das primeiras páginas. Isso porque Ani não é uma personagem fácil de se gostar. Amargurada, logo nas primeiras páginas começamos a ter aversão aos seus pensamentos e a ficar com um pé atrás por conta de suas atitudes e, principalmente, do que ela parece esconder. Por sorte, é possível começar a rastros do que Ani ainda tem para mostrar logo nos primeiros capítulos e, quando finalmente percebemos que há muito para conhecer entre o que ela mostra e o que ela é atualmente, vamos entendendo melhor a personagem.
 "Fisicamente, tive a sensação de que estava gritando." p. 199
 A autora nos dá a possibilidade de conhecer a Ani adulta e a TifAni adolescente para que um balanço de seus atos seja possível. Acaba havendo um contraste entre seus dias de colégio e seus dias atuais, porém é inevitável não se sentir mal pelo que ela passou, não entender que há um motivo real para ela ter se tornado quem é. Bullying, estupro e assassinato são apenas três dos fortes temas que Jessia Knoll aborda ao longo da trama e que nos prendem ao livro, fazendo com que a curiosidade tome conta de nós e queiramos parar de ler apenas após sabermos as verdadeiras consequências e os verdadeiros culpados de tudo.
"Eu poderia estar cheirando como Olivia nesse momento, eu quase disse. A podre. Cheguei bem perto de dizer isso." p. 163
 E, por mais que eu entenda a personagem, por mais que eu tenha desejado poder conversar com ela, por mais que eu quisesse mostrar para seu eu do passado que tanta luta para fazer parte de algo no qual ela não se encaixava não era necessária,  acabamos julgando seus atos, sim - principalmente suas atitudes amarguradas e odiosas -, e isso, infelizmente, faz o livro perder alguns pontos. Se apegar ao personagem é algo bom durante a leitura, então sentir coisas tão diferentes logo em relação à protagonista torna a leitura menos incrível, porém não devemos tirar o mérito da autora por conseguir nos prender, nos fazer refletir e nos tocar.

 Uma Garota de Muita Sorte foi além do esperado e, apesar de o conjunto não ganhar cinco estrelas por conta da personagem principal, Jessica Knoll apresenta um enredo repleto de verdade e crueldade e mostra que há muita bagagem sendo carregada pelas pessoas que conhecemos apenas por fora.

Comentários

Postagens mais visitadas