[Resenha] O Muro | William

 
Título: O Muro
Título original: The Wall
Autor: William Sutcliffe
ISBN-13: 9788501402196
ISBN-10: 8501402192
Ano de lançamento: 201
Número de páginas: 336
Grupo Editorial: Record
Editora: Record
Gênero: Guerras, Ficção, Cultura

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Sinopse:  Um romance emocionante e uma fábula política e ideológica marcante sob o ponto de vista de uma criança. Joshua tem 13 anos e mora com a mãe e o padrasto em Amarias, um lugar isolado no topo da montanha, onde todas as casas são novíssimas. Na fronteira da cidade, há uma barreira bem alta, guardada por soldados fortemente armados e que só pode ser cruzada através de um posto de controle. Ninguém deve entrar naquele lugar, e quem está lá não tem permissão para sair. Desde pequeno, Joshua sabe que, do outro lado daquela muralha, há um território violento e implacável e que O Muro é a única coisa capaz de manter seu povo em segurança. Desde pequeno, ele sempre ouviu que, do outro lado, havia um território proibido, um lugar violento e perigoso, do qual um garoto como ele deveria manter distância. Um dia, a bola de Joshua cai do outro lado do Muro e, ignorando tudo o que sempre ouviu, ele vai atrás dela e acaba descobrindo um túnel que o leva a uma realidade que jamais imaginou encontrar. Lá ele acaba caindo nas mãos de uma gangue sanguinária, mas a bondade de uma menina salva sua vida. Porém isso acaba desencadeando um ato de extrema crueldade e coloca Joshua em dívida com ela... Uma dívida que ele fará de tudo para pagar.
 "A vida, como você provavelmente sabe, é cheia de altos e baixos." p. 10
A capa de O Muro promete que essa é "uma história que vai emocionar os leitores de A menina que roubava livros, O menino do pijama listrado e O diário de Anne Frank", o livro, de fato, envolve o leitor que, como eu, amou e chorou com as histórias citadas, porem essa afirmação me fez criar muitas expectativas. Expectativas que, infelizmente, não foram superadas.
"É como se fosse vergonhoso estar sentado aqui, olhando fixamente para esse lar esmagado que é o absoluto oposto de tudo que minha cidade deveria ser. Mas não consigo afastar os olhos disso." p. 17
  Joshua é um garoto de 13 anos que vive em Amarias, uma cidade completamente organizada e cercada por soldados. Tudo deve estar em ordem, assim como as casas e ruas que são exatamente iguais, e a única coisa que se destaca trazendo um diferencial é um muro. Muro esse que, segundo os habitantes, abriga perigo e violência, de modo que ninguém deve ultrapassá-lo. Só que depois de uma brincadeira, Joshua acaba atravessando o muro e se deparando com uma realidade muito diferente da que ele está acostumado. 
"A verdade, imagino, não servirá." p. 61
  Se comover com toda a história é inevitável, isso posso afirmar. A narrativa em primeira pessoa traz um bom aproveitamento do protagonista, porém a leitura não foi fluída como eu imaginava que seria. Essa é uma trama que aborda muitos assuntos importantes, contudo senti falta de conhecer mais do outro lado de tudo. Às vezes, Joshua se torna um protagonista um pouco cansativo, uma vez que queremos mais espaço para outros personagens, outras visões e outras realidades. O desenrolar da trama não é afetado por isso, por outro lado, o autor construiu tudo muito bem, porém acabou não sendo uma leitura muito boa por se tornar maçante em alguns momentos e fazer com que eu a interrompesse bastante.

 Os conflitos abordados na história são sérios e os questionamentos permitem muitas reflexões, principalmente graças à realidade que nós vivemos ou que conhecemos através dos noticiários e da internet. Aqui ela se une aos novos sentimentos e à injustiça que Joshua irá conhecer ao longo da história. A forma como o autor nos transmite isso não deixa a desejar, principalmente porque Joshua vai se tornando mais maduro e mais profundo a cada página e a ambientação acaba sendo um ponto bem alto da leitura. Conseguimos imaginar muito bem os locais pelos quais passamos junto a Joshua, assim como imaginamos as pessoas e nos acostumamos com os detalhes e hábitos que os cercam. 
"Então passa pela minha cabeça que não importa o que ele me pediu para fazer. Nem mesmo importa o que quero fazer. Repentinamente compreendo que esse bosque, de cima a baixo, foi apresentado a mim como uma responsabilidade." p. 178
Intimidação, injustiça, angústia e desigualdade são apenas alguns dos sentimentos presentes em O Muro. William Sutcliffe nos apresenta um enredo muito verdadeiro e tocante, capaz de fazer qualquer pessoa refletir sobre política e os conflitos existentes em países como Israel e Palestina, que acabaram sendo inspirações para a história, como o próprio autor explica no final. Não alcançou minhas expectativas, infelizmente, mas, sem dúvidas, conseguiu me fazer pensar e me tocou de uma maneira especial.

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