[Resenha] Única Filha | Anna Snoekstra


 
Título: Única Filha
Título original: Only Daughter
Autora: Anna Snoekestra
ISBN-13: 9788539823550
ISBN-10:
8539823551
Editora: HarperCollins Brasil
Ano de lançamento: 2017
Número de Páginas: 256
Gênero: Suspense, Mistério, Ficção, Thriller Psicológico
Encontre:  Amazon | Skoob
Sinopse: Em 2003, uma adolescente de 16 anos desapareceu. Rebecca Winter estava curtindo suas férias de verão. Trabalhava em uma lanchonete, tinha uma queda por um rapaz mais velho e saía com sua melhor amiga. Mas coisas estranhas surgiam ao seu redor: ela encontrou sangue em sua cama, passou a ter surtos de amnésia, sentia-se vigiada. Ainda assim, nada disso preparou Rebecca Winter para o que estava prestes a acontecer. Onze anos depois, a garota desaparecida foi substituída. Para fugir da prisão, uma jovem mulher declara ser a adolescente desaparecida anos atrás. A impostora assume a vida de Rebecca Winter. Dorme em sua cama. Abraça seu pai e sua mãe. Aprende os nomes de suas melhores amigas. Brinca com seus irmãos. Mas a família e os amigos de Rebecca não são quem dizem ser. Enquanto se esquiva do detetive que investiga o desaparecimento de Rebecca, ela começa a se dar conta de que o criminoso ainda está à solta – e ela, correndo risco de vida.
"Seria melhor sentir medo o tempo todo ou sentir absolutamente nada?" p. 21
  "Expectativa é uma coisa difícil de se lidar" foi uma das primeiras frases que falei na vídeo-resenha desse livro. Isso porque iniciei a leitura com muitas expectativas e nem todas foram superadas.
"A recompensa desse jogo é grande demais para desistir." p. 31
 Rebeca Winter era uma adolescente de 16 anos quando desapareceu. As pessoas não sabiam, mas ela se sentia vigiada, perseguida. Até que nunca mais foi vista. Onde anos depois, para escapar da prisão, uma mulher afirma ser Rebecca. Só que ela logo verá que não foi uma fuga tão segura.
"É excitante ser alguém que não você, mas também é exaustivo." p. 90
 A escrita de Anna Snoekstra é muito boa e sua escolha em dividir as narrativas é ainda melhor. A narrativa em primeira pessoa nos permite acompanhar a impostora no presente, enquanto a narrativa em terceira pessoa nos apresenta a Rebecca do passado. No início, a troca pode até trazer alguma mudança no ritmo da leitura (nos primeiros capítulos, é fácil se acostumar com uma das narrativas e difícil se reconectar com a outra logo em seguida), porém a autora logo nos deixa familiarizados, nos fazendo acompanhar o andamento corretamente. Ela nos deixa muitas pistas sobre possíveis culpados e possíveis causas para o desaparecimento de Rebecca - não sabemos se ela foi sequestrada, se fugiu ou se se matou, afinal -, mas acaba decepcionando um pouco ao nos deixar no escuro após o desfecho.
"Há uma tristeza ali, algo que não combina com o sorriso. Talvez ela tivesse segredos." p. 173
 Desde o início, a autora nos induz a criar mais expectativas e mais suspeitas. Você vai querendo mais a cada instante e as pistas para os envolvidos verdadeiros estão ali, sempre presentes, mesmo que seja difícil selecioná-las corretamente. Ponto para a autora que, apesar de nos adiantar algo, não nos permite descobrir tudo o que aqueles rastros significavam. Contudo, apesar de duvidar de praticamente todos os personagens, de prestar atenção em cada detalhe, de ter em mente que tudo pode ser o que não parece... a maioria das coisas não significa nada. Absolutamente nada. É frustrante ver que todas as possibilidades apresentadas para/criadas por nós eram apenas pretextos.
"Sempre fui boa em fingir. Em encenar papéis." p.202
  A impostora chega a irritar quando tenta se fazer de vítima apenas em momentos oportunos e parece inabalável segundos depois. Sem falar que, desde o início, ela afirma que é boa em interpretar e acaba deixando muitos detalhes importantes passarem por conta de sua confiança. Outro ponto que acaba deixando a desejar é que, apesar de os fatos serem apresentados, não há um aproveitamento no fim. Não temos muitas explicações ou um desenvolvimento, nem respostas para as inúmeras perguntas que permanecem. Talvez impulsionar nossa imaginação seja um propósito da autora. Talvez ela só quisesse continuar nos instigando mesmo depois da leitura. Entretanto, que é um pouco frustrante, é.
"Eu sou Bec. Estou vivendo seus momentos finais." p.235
 Única Filha não é um livro decepcionante. A leitura é muito rápida, o suspense te acompanha até as últimas páginas e o envolvimento é certo. Todavia não há dúvidas de que a autora poderia ir além. Anna Snoekstra apresenta uma trama que fala sobre erros, confiança e escolhas e cuja ideia é incrível, porém deixa a desejar na execução. Muitas teorias acompanham o leitor mesmo depois da última página do livro, o que pode deixar um grande sentimento de desapontamento. Só que é indiscutível a forma como a trama envolve, provoca e atrai do início ao fim - e  até depois dele.