[Resenha] Cinder | Marissa Meyer

Título: Cinder
Título original: Cinder
Autora: Marissa Meyer
ISBN-13: 9788579801525
ISBN-10: 8579801524
Ano de lançamento: 2013
Número de páginas: 448
Editora: Rocco
Selo: Rocco Jovens Leitures
Gênero: Distopia, Releitura, Ficção
Encontre: Amazon | Skoob
Sinopse: Num mundo dividido entre humanos e ciborgues, Cinder é uma cidadã de segunda classe. Com um passado misterioso, esta princesa criada como gata borralheira vive humilhada pela sua madrasta e é considerada culpada pela doença de sua meia-irmã. Mas quando seu caminho se cruza com o do charmoso príncipe Kai, ela acaba se vendo no meio de uma batalha intergaláctica, e de um romance proibido, neste misto de conto de fadas com ficção distópica.
Primeiro volume da série Crônicas Lunares, Cinder une elementos clássicos e ação eletrizante, num universo futurístico primorosamente construído.
"Já sobrevivera ao destino uma vez. Ela é que deveria estar sendo levada." p. 66
 Sabe aquele livro que todo mundo comenta, todos os seus amigos te indicam, mas você continua com um pé atrás?  Esse era Cinder para mim. Uma releitura distópica de um conto de fadas que traria Cinderela como ciborgue? Nada contra, mas isso não chamava minha atenção. Até que, nesse ano, mais pessoas que conheço começaram a ler a série Crônicas Lunares e, de uns tempos para cá, várias coisas começaram a me fazer pensar na série e em coisas que haviam me contado sobre a mesma. Não teve jeito, eu precisava iniciar a leitura. Agora, não quero mais parar.
"Você é um sacrifício do qual nunca me arrependerei." p. 78
 Cinder é uma garota que, muito nova, se tornou ciborgue. Ela vive em Nova Pequim, uma região que faz parte da Comunidade das Nações Orientais, e que está sendo assombrada por uma doença contagiosa. Apesar de ter partes humanas em seu corpo, Cinder também possui partes robóticas e até uma interface inteligente que faz com que seu cérebro funcione como um computador. Ela é inteligente, possui informações raras e trabalha como mecânica para garantir o sustento da família - sua madrasta e suas filhas, Pearl e Peony. Mas, quando uma delas contrai a peste, Cinder é considerada culpada e acaba sendo mandada para fora de casa e direto para a ala de pesquisa do palácio, onde será estudada para a criação de uma possível cura. Só que o príncipe de Nova Pequin precisa de Cinder e, depois que se encontram pela primeira vez, seus caminhos parecem se cruzar sempre.

 A narrativa em terceira pessoa é algo que agrada logo nas primeiras páginas. A escrita de Marissa Meyer é detalhada na medida certa e nos permite imaginar cada detalhe importante da realidade que ela criou. Compreendemos cada sentimento presente nas páginas de sua história, somos envolvidos pelos personagens e presenteados com uma leitura rápida e fluida. O livro não foge do objetivo de ser uma releitura, mas acaba fazendo com que a sensação de ligação com os personagens tente superar a ausência de um aprofundamento na parte política, científica e social da história. 
"Ele era jovem demais, estúpido demais, otimitista demais, ingênuo demais." p. 159
  Cinder é uma personagem muito fácil de se gostar. Seja por sua personalidade ou sua realidade, não demora muito para que estejamos curiosos a respeito de seu futuro e de suas atitudes. Esse, sem dúvidas, é um ponto de destaque da obra. Marissa Meyer se baseia nas primeiras versões de Cinderela (contei sobre o conto original nesse vídeo), o que pode surpreender alguns leitores que esperam muitas semelhanças com a versão mais conhecida, da Disney, e traz bons momentos para os leitores que, como eu, gostam de novidade. O encontro com as mudanças necessárias é ótimo e toda a inovação do livro nos permite bons momentos de leitura.

 Iko, Kai, Peony e dr. Erland são personagens que merecem um destaque. Iko é um amor, nos apegamos logo de cara! Kai desperta diversos sentimentos e, mesmo que deixe a desejar em alguns momentos, suas atitudes até são compreensíveis e deixam uma certa esperança para os próximos livros. Peony pode nos fazer torcer o nariz durante os primeiros momentos, mas vai nos ganhando aos poucos e acaba sendo difícil aceitar seu destino. Dr. Erland é um grande diferencial, que traz não apenas a sabedoria e a inteligência de seu ofício como de sua... condição, digamos assim. E, apesar de apenas esses serem mencionados, todos os personagens presentes na obra possuem importância e acrescentam algo para o desenrolar do enredo. Tanto que, como já foi mencionado, o envolvimento deles com o leitor e suas relações próximas acabam se destacando bem mais do que certos pontos do gênero apresentado.
"Não era sua culpa ele ter gostado dela.
 Não era culpa dela ser ciborgue." p. 387
 Cinder é um misto de nostalgia e novidade. Apesar de não se aprofundar em questões importantes, Marissa Meyer foca em outros assuntos que torna mais significativos. Não esperem muitas mensagens profundas, nem criem expectativas para o romance ou grandes reviravoltas. É possível descobrir algumas surpresas dos momentos finais ao longo da leitura, mas nada que apague o fato de ser uma trama interessante, cativante e inovadora.

 Cinder é o primeiro livro da série Crônicas Lunares. Scarlet, Cress e Winter são os próximos livros e trazem releituras distópicas de Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel e Branca de Neve respectivamente.

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