[RESENHA] QUERIDA FILHA - ELIZABETH LITTLE

A relação mãe e filha – e os segredos que podem se esconder em seus meandros – é o combustível do bem-sucedido romance de estreia de Elizabeth Little, lançamento da coleção Luz Negra, que reúne o melhor do suspense feminino contemporâneo. O livro acompanha a ex-it girl Janie Jenkins, que, ao sair da prisão 10 anos após ter sido condenada pela morte da mãe, só deseja fugir dos holofotes e encontrar o verdadeiro assassino. Só há um problema: Janie não tem certeza absoluta de que não cometeu o crime. E, seguindo a única pista que possui, inicia um périplo que a levará a uma pacata cidade em Dakota do Sul e a um revelador encontro com o passado.
Suspense | 368 páginas | Coleção Luz Negra | Editora Rocco | Amazon | Skoob

"Ah, eu achei que era tão esperta.
Mas você provavelmente já sabe que não." p. 11
 Depois de ser condenada pelo assassinato de sua mãe, Janie Jenkis viu sua vida começar a desmoronar. Tudo indicava que era era a responsável pelo crime, porém a it girl não possui muitas recordações da noite que mudou sua vida. Sem conseguir provar sua (possível) inocência, Janie passa dez anos na prisão e quando uma reviravolta acontece em seu caso ela tem a oportunidade de provar a liberdade. O problema é que muita coisa mudou na última década e, mesmo que queira fugir do passado, a mídia a persegue. Ela então segue para uma pequena cidade na tentativa de entender a ligação que sua mãe tinha com o lugar e como encaixar algumas peças. Só que não será tão simples, já que sua fachada pode ser fraca e pessoas suspeitas podem aparecer a cada esquina.
"Pare com isso, Jane. Não é hora de mostrar personalidade." p. 60
 Querida Filha é um livro que dividiu muito minha opinião. Janie é uma personagem muito forte e esperta. Ela vai em busca de uma parte do passado da mãe para, quem sabe, entendê-la melhor e conseguir ter de volta as memórias da noite que mudou sua vida. O suspense nos acompanha durante toda a trama e o mistério que envolve a morte de Marion também, mas apesar de Janie não se vitimizar e ser muito determinada - características que aprecio em um personagem - não é possível decifrá-la. Houveram, sim,  momentos onde o drama se fazia presente e seu lado mimado e mesquinho vinha a tona, fazendo com que todas os pontos positivos dela ficassem ofuscados.

 O fato de Janie ter passado tanto tempo presa também traz prós e contras. Se por um lado ela está decidida a visitar o passado da mãe, as cicatrizes do momentos ruins trazem sua antiga personalidade de volta. Sem falar que, após dez anos na cadeia, muitas mudanças ocorreram do lado de fora e, apesar de estar dez anos mais velha, digamos que ela não teve muita oportunidade para amadurecer. Essas oscilações, apesar de compreensíveis, acabam tornando a personagem incoerente e difícil de se envolver.
"Então, onde estava o que realmente valia a pena?" p. 149
 Através da narrativa em primeira pessoa, Elizabeth Little tenta aproximar sua personagem do leitor, porém muitos de seus traços simplesmente não fazem sentido, não encaixam com todos os aspectos importantes da trama como  a perda da mãe, a relação cheia de dificuldades, a dúvida sobre seu envolvimento no crime e os dez anos na cadeia. Metáforas e reflexões que deveriam tornar a leitura mais profunda e envolvente acabam soando forçadas e a trama acaba não surpreendendo nem quando nos aproximamos da verdade, simplesmente porque a protagonista faz com que pareça que já não vale a pena.
"Um álibi teria sido muito fácil." p. 244
 A partir de certo momento, a narrativa se torna cansativa, o mistério já não se mostra tão interessante, a personagem fica cada vez mais contraditória e, apesar de um final até satisfatório, Querida Filha, infelizmente, foi um livro que ficou abaixo de minhas expectativas. Elizabeth Little ganhou muitos pontos por abordar a perda de memória de uma forma provocante e por não me permitir acertar o final. De qualquer forma, sinto que foi, sim, uma trama bem trabalhada, afinal, pude perceber que os pontos que não me agradaram de fato acrescentavam algo para a história. 


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