[RESENHA] MATE O PRÓXIMO | FEDERICO AXAT

Ted McKay tem tudo: uma mulher linda, duas filhas, um alto salário. Após ser diagnosticado com um tumor cerebral, ele toma a drástica decisão de tirar a própria vida. Quando está prestes a apertar o gatilho, Ted é interrompido pelo toque insistente da campainha. E, ao olhar para sua mesa no escritório, encontra o seguinte bilhete: “Abra a porta. É sua última saída”.
Intrigado, Ted deixa a arma de lado e abre a porta. E então mergulha em um pesadelo arrepiante, que vai fazê-lo duvidar da própria sanidade. À sua frente está um desconhecido chamado Justin Lynch, que não apenas sabe o que Ted estava prestes a cometer como lhe faz uma proposta difícil de recusar, um plano para evitar que sua família sofra as consequências devastadoras de um suicídio. Ted aceita a proposta do estranho homem, sem imaginar que o bilhete em seu escritório e a oferta de Lynch são apenas o começo de um jogo macabro de manipulações. Alguém plantou um caminho de migalhas, que Ted vai recolher. Alguém que o conhece melhor que ninguém, que o fará duvidar de suas próprias motivações e também das pessoas que o cercam.
Às vezes, nós só podemos confiar em nós mesmos. E, em algumas ocasiões, nem mesmo isso.
Suspense | Mistério | 378 páginas | 2017 | Verus Editora | Amazon | Skoob
"Abra a porta. É sua última saída"
 Estava tudo preparado para sua morte. Ted planejou cada passo para aquele momento derradeiro. Sua esposa e suas duas filhas viajaram para a Flórida e ele que já sabia o que iria fazer. Tudo tinha que dar certo. Seu esquema era perfeito e as coisas estavam indo bem, até que a campainha toca. Eis que surge Lynch, um homem misterioso que, ao bater na sua porta, deixa Ted cheio de dúvidas. Lynch é insistente e possui uma proposta estranha. Ted só não imaginava que ela poderia transformar sua vida e tornar sua mente ainda mais confusa.


 Mate o Próximo é dividido em quatro partes e é narrado em terceira pessoa, porém alterna seu foco entre os personagens, além do passado e do presente. Conhecemos muito da vida de Ted, suas lembranças da infância, suas idas a terapeuta, seu pai e o xadrez em meio a cenas de muita tensão. e adrenalina. Esses são os momentos em que a leitura está realmente envolvente e prazerosa, mas em um piscar de olhos ela pode se tornar lenta. Essa oscilação acaba prejudicando o desenrolar da leitura.
"Muitas coisas horríveis vão ser ditas, quase todas verdadeiras, e eu não a culparia se decidisse me odiar..." p. 338
 Dois personagens merecem destaque: Ted McKay e Laura Hill. Ted, o protagonista, vive inseguro entre o que é real e o que é de sua imaginação. Somos apresentados a um personagem que, depois de ser diagnosticado com tumor cerebral, vive inseguro entre o que é real e o que é de sua imaginação. Ted sofreu muito na infância e na adolescência e, mesmo casado, possui dificuldades por conta de seu passado. Seus medos, seus traumas sempre se fazem presente. Sua terapeuta, Laura é um diferencial da história, principalmente por conta de seus interesses pessoais. Ela é a terapeuta de Ted e nos ajuda a manter diversas dúvidas ao longo do desenrolar da trama. Poderia uma pessoa ser, ao mesmo tempo, o vilão e a vítima? Tendo um percurso traumático montado pela sua própria mente, você se reconheceria como culpado ou vítima?
"Você sabe perfeitamente o que vai acontecer se fizer isso" 336
 Quando vi o  livro Mate o Próximo sendo apresentado no stories da editora fiquei curiosa e cheia de expectativa por gostar do gênero do livro. Esperava uma leitura eletrizante, daquelas que o tempo passa e você nem sente, uma vez o título do livro já permite que nossa imaginação vá longe. O problema é que, no decorrer da leitura, fui me desanimando cada vez mais. Existe, sim, uma rede de intrigas que aguça nossa mente e nos deixa ansiosos para a próxima página, só que, na maioria das vezes, você cria expectativas desnecessárias e as lembranças se tornam uma parte maçante do livro,

 Mate o Próximo é um livro complexo e cheio de intrigas, porém a confusão entre o que é real e o que é ilusão, além da narrativa instável e a mistura entre o passado e o presente acabam tornando tudo confuso e cansativo. Federico Axat sabe criar seus personagens e detalhes importantes que podem passar despercebidos e nos surpreender posteriormente, mas a leitura oscilante acaba deixando muito a desejar.

:: Escrito por: Thatiana Mortani