[RESENHA] UM BEIJO Á MEIA-NOITE | ELOISA JAMES

Kate Daltry é uma jovem de 23 anos que não costuma frequentar os salões da alta sociedade. Desde a morte do pai, sete anos antes, ela se vê praticamente presa à propriedade da família, atendendo aos caprichos da madrasta, Mariana. Por isso, quando a detestável mulher a obriga a comparecer a um baile, Kate fica revoltada, mas acaba obedecendo. Lá, conhece o sedutor Gabriel, um príncipe irresistível. E irritante. A atração entre eles é imediata e fulminante, mas ambos sabem que um relacionamento é impossível. Afinal, Gabriel já está prometido a outra mulher – uma princesa! – e precisa com urgência do dote milionário para sustentar o castelo. Ele deveria se empenhar em cortejar sua futura esposa, não Kate, a inteligente e intempestiva mocinha que se recusa a bajulá-lo o tempo todo. No entanto, Gabriel não consegue disfarçar o enorme desejo que sente por ela. Determinado a tê-la para si, o príncipe precisará decidir, de uma vez por todas, quem reinará em seu castelo. Um beijo à meia-noite é um conto de fadas inspirado na história de Cinderela. Com um estilo que combina graça, encanto e sedução, Eloisa James escreve uma narrativa envolvente, com direito a fada madrinha e sapatinho de cristal.
Romance | 320 páginas | Editora Arqueiro | 2017 | Skoob | Amazon 
"[...] foi só depois que ele partiu, e que a Sra. Daltry começou a ditar ordens, que Kate aprendeu o verdadeiro significado da palavra 'raiva'."p. 7
 Por ter conhecido um pouco do estilo e das possíveis escolhas de Eloisa James em seu livro anterior,  Quando Bela Domou a Fera já iniciei a leitura de Um beijo à meia-noite tentando não criar tantas expectativas nem esperar tantas referências (especiais para mim) de Cinderela. Mas o negócio é que Cinderela é um conto com muitos detalhes importantes e, por sorte, a autora consegui ser fiel aos principais na medida certa. Temos, claro, a garota que vive como empregada em sua própria casa, a madrasta malvada, sua filha não muito inteligente, os ratinhos,  o príncipe atraente, o baile que muda tudo, a madrinha que garante um toque especial e a despedida repentina. Todas essas características estão presentes e tornam o romance fiel na medida certa, mas Eloisa James resolveu inovar e muitos outros elementos são adicionados.

"Conversar com a madrasta era sempre uma surpresa para – uma surpresa ruim." p. 11
 Nossa Cinderela aqui se chama Kate, possui uma madrasta chamada Mariana (FINALMENTE uma personagem que se chama Mariana, minha gente!) e uma meia-irmã chamada Victoria. Ao contrário do que é esperado, Kate não quer ter contado com a realeza e muito menos ir a um baile. Nossa protagonista é segura, determinada e bem diferente das mocinhas indefesas da época, porém Victoria precisa da aprovação do príncipe para poder se casar com um parente do mesmo. Imprevistos acontecem e ela não poderá realizar a viagem, de modo que é Kate quem irá ao encontro de Gabriel, o príncipe que, à primeira vista, não passa de um sujeito arrogante.
"A vida não é justa." p. 52
 Uma das primeiras coisas que me agradou na leitura foi a personalidade de Kate. Fiquei bem satisfeita com o resultado das alterações na personalidade de Cinderela (lembrando que isso só aconteceu porque me vacinei em Enquanto Bela Domou a Fera). Nossa protagonista é inteligente, decidida e atraente justamente por suas qualidades, não pelo que está por fora. O príncipe, Gabriel, demorou bastante para que eu ficasse de bem com sua personalidade, porém seu charme é inegável e, ao longo a trama, ele vai se mostrando mais natural, mais sincero e interessante.
"A audácia daquele sujeito não tinha limites!" p. 67
 O romance se desenvolve de maneira intensa e até natural, já que a atração dos protagonistas é inegável e, convenhamos, é um romance de época (no final, a autora deixa uma nota dizendo que não considera o livro de tal gênero, mas não consigo chamar apenas de romance devido aos elemntos como época e clichês), porém algumas cenas e momentos importantes parecem ser trabalhados de forma rápida e até fria demais. Por outro lado, temos dois pontos que merecem ser destacados: os ratinhos, que aqui são cachorrinhos!, e a fada madrinha, que aqui é Henry, uma mulher que, toda vez que aparecia, era garantia de diversão na certa!
"– Eu... eu estou com medo, Gabriel. Você vai partir meu coração.
 – Meu coração já está partido." p. 294
Um beijo à meia-noite não é um romance incrível e marcante, porém não deixa de ser uma leitura proveitosa. Para os que admiram livros do gênero sem dúvidas poderá será uma trama ainda melhor. Não foi uma leitura ruim, mas também não foi uma leitura maravilhosa, então posso dizer que estou satisfeita com o meio-termo e feliz por Eloisa James não ter, de fato, me decepcionado.