[Dica de leitura] O ódio que você semeia | Angie Thomas


Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.
Não faça movimentos bruscos.
Deixe sempre as mãos à mostra.
Só fale quando te perguntarem algo.
Seja obediente.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.
Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início. Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.
Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.
Jovem Adulto | 378 páginas | Galera Record | 2017 | Amazon | Skoob
"Às vezes, você pode fazer tudo certo, e mesmo assim as coisas dão errado. O importante é nunca parar de fazer o certo." p. 134 
 O ódio que você semeia é um livro tão especial, tão importante e marcante, que fica difícil colocar em palavras tudo o que ele significa e tudo o que ele me fez sentir. Cogitei gravar um vídeo para o canal, cogitei escrever uma resenha que, provavelmente, ficaria bem longa, mas depois de semanas de leitura finalizada, resolvi simplesmente sentar e escrever o seguinte: vocês precisam ler esse livro!
"Esse é o problema. Nós deixamos as pessoas dizerem coisas, e elas dizem tanto que se torna uma coisa natural para elas e normal para nós. Qual é o sentido de ter voz se você vai ficar em silêncio nos momentos que não deveria." p. 214
 Starr é uma personagem muito real e sua história é vivida por inúmeras pessoas. Pessoas que podem estar do seu lado. Um amigo, um vizinho, um estranho que sentou do seu lado no transporte público. Angie Thomas escreve com uma narrativa simples, porém repleta de mensagens, e nos apresenta um enredo impactante. É uma história tão real que chega a doer. É uma história tão especial que merece ser lida por mais e mais pessoas.
"– Ah, nós sabemos a verdade, não isso que nós queremos – diz papai. – Nós queremos justiça." p. 50
 Antes de iniciar a leitura acredito que você só deva saber que Starr é uma adolescente que se vê, diariamente, dividida entre duas realidades: o colégio particular no qual estuda e o bairro pobre em que mora. Quando vê seu melhor amigo ser assassinado sem motivo por um policial e, posteriormente, vê-lo ser acusado de muitas coisas sem provas e sem direito de resposta, nossa protagonista se depara com diversos desafios e uma busca por justiça, respeito e igualdade.
"– Ter coragem não quer dizer que você não esteja com medo, Starr – diz ela. – Quer dizer que você segue em frente apesar de estar com medo. E você está fazendo isso." p. 281 
 Podem ter certeza de que não tivemos vídeo no canal sobre esse livro, mas teremos vídeo sobre o livro e a adaptação, que chega em breve nos cinemas com Amandla Stenberg (a Rue de Jogos Vorazes e a Maddy, de Tudo e Todas as Coisas) como protagonista. 

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