Resenha | Sorte Grande, de Jennifer E. Smith

Desde que perdeu os pais, Alice não acredita na sorte. Mas ela acredita no amor. De seus tios, de seu primo Leo, de seu melhor amigo, Teddy. Quando precisa decidir o que dar a Teddy em seu aniversário de 18 anos, a ideia parece chegar naturalmente: um bilhete de loteria. Com todos os números importantes para ambos: número dos anos que estiveram juntos, datas importantes e endereços marcantes. Quando a combinação se prova vencedora e o menino ganha quase 150 milhões de dólares, os dois se envolvem em um redemoinho de loucuras juvenis, interesseiros e sonhos de infância realizados. Tudo estaria perfeito, não fosse um beijo trocado no auge das comemorações. Um beijo que mudaria tudo. Mas o dinheiro não pode comprar o amor. Mas será que pode dar uma ajudinha?

Jovem Adulto | Romance | 384 páginas | Galera Record | 2018 | Amazon | Skoob
Mas o problema é: não acredito em sorte.
Pelo menos não em boa sorte.
 Você acredita em sorte? Alice é uma garota com fortes razões para responder "não" a essa pergunta. Ela viu sua vida virar de cabeça para baixo ao perder os pais em um curto espaço de tempo (13 meses para ser exata) e, desde então, defende ideias como a de que "números são coisas mutáveis". Ela tem certeza de que eles raramente contam uma história por completo e podem definir o rumo de uma vida, mas ao presentear um de seus melhores amigos com um bilhete premiado da loteria, ela precisa se preparar para ver a vida deles mudar. E, principalmente, a relação deles caminhar por um rumo decisivo.

A vida não se cura à vontade de ninguém. E também não funciona baseada em um sistema de créditos. Só porque o mundo roubou algo de mim não significa que me deva outra coisa em troca.
Jennifer E. Smith é uma autora que consegue apresentar livros que são, ao mesmo tempo, simples e marcantes. Dessa vez, com "Sorte Grande", ela vai além e consegue manter uma história de quase 400 páginas que pode até não ter  grandes reviravoltas, porém proporciona uma leitura reflexiva e aconchegante. A narrativa em primeira pessoa é o que nos deixa ainda mais conectados com a protagonista e com seus dilemas, de modo que conseguimos aproveitar o andamento da história como se estivéssemos vivendo aquilo tudo com ela. Em um primeiro momento podemos até pensar que, ao escolher os números certos e ganhar na loteria, Alice vai acreditar que o universo conspira a seu favor e que sorte, existe, claro... porém não é assim.
 Sempre foi assim. Você procura Leo quando quer lembrar. E procura a mim quando quer esquecer.
  Alice acabou comprando o bilhete para Teddy, um de seus melhores amigos e também amor platônico. Junto a Leo, primo de Alice, os três formam um trio e tanto, mas os sentimentos de nossa protagonista podem estar fazendo com que a amizade esteja um tanto quanto modificada. Os momentos em que ela não consegue mais ser natural como antes e os sinais de que Teddy pode estar mudando com ela também fazem com que os dois pareçam estar em uma corda bamba de sentimentos, ainda mais depois de Teddy se tornar milionário. Ele sabe, no fundo, que a amizade que têm hoje não é a mesma que tinham aos 9 anos e parece, através de pequenos gestos, estar tentando conquistar mais de Alice. O problema é que talvez ela não perceba. 
 Acho que você está dando crédito demais ao universo.
 Uma das melhores coisas de "Sorte Grande" é que ambos os personagens de destaque são pessoas que já sofreram e perderam muito na vida, porém lidam de maneira distinta com as oportunidades que aparecem em sua frente. O livro é um romance, sim, mas vai muito além disso ao nos fazer considerar ideias diferentes e cogitar escolhas que, em um primeiro momento, não pareciam tão óbvias ou positivas assim. É ótimo que a linguagem do livro faz com que a história ali presente possa alcançar pessoas de qualquer idade, ainda mais porque temos a importante participação dos familiares durante todo o enredo.
 Meu coração está dividido em relação a isso também. Esse é o problema. É provavelmente por isso que está parecendo tão partido.
 Logo no início já podemos perceber que a presença da família pode ser um dos temas abordados por Jennifer E. Smith e ela não deixa a desejar nesse ponto. Ao perder os pais, Alice foi morar com os tios, pais de Leo, e então conheceu Teddy, que hoje mora com a mãe e precisa enfrentar algumas questões relacionadas ao pai. Seja para o bem ou para o mal, essas pessoas ajudaram a definir o caráter e a jornada de nosso trio de amigos e, assim como na vida real, são a base de tudo. Por isso é tão legal ver que a autora consegue passar o valor da família, da amizade, da confiança em cada página desse livro e mostrar que são essas pessoas que realmente importam.
Talvez tudo fosse seguir o mesmo rumo não importa o quê.
Talvez sempre fosse para ser assim.
E, apesar de alguns personagens que eu gostaria de conhecer melhor e situações que poderiam ser mais exploradas, "Sorte Grande" foi uma grata surpresa. Estou feliz por ter encontrado, em mais um livro de Jennifer E. Smith, uma leitura leve com direito a assuntos relevantes e personagens que amadurecem bastante, sem falar de uma protagonista que se torna facilmente querida pelo leitor. Espero que muitos de vocês tenham a chance de aproveitar essa leitura que fala sobre sorte, sim, mas também sobre gratidão e oportunidade.

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